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greve dos caminhoneiros

Cooperativa suspende atividades, dá folga a 28 mil e estima prejuízo de R$ 50 milhões

Aurora Alimentos diz que sistema de produção ficou “asfixiado” e impossibilitado de operar por que não há suprimentos

Albari Rosa/Gazeta do Povo Quase 30 mil trabalhadores  da cooperativa foram dispensados por dois dias por causa da greve dos caminhoneiros | Albari Rosa/Gazeta do Povo

Quase 30 mil trabalhadores da cooperativa foram dispensados por dois dias por causa da greve dos caminhoneiros

  • Da redação

A Cooperativa Central Aurora Alimentos anunciou paralisação total, por dois dias, das atividades de suas indústrias de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, em função da greve de caminhoneiros.

“A suspensão total das atividades tornou-se imperativa e inevitável em razão dos efeitos do movimento grevista, que impede a passagem dos caminhões que transportam todos os insumos necessários ao funcionamento das indústrias e, também, o escoamento dos produtos acabados para os portos e os centros de consumo. A capacidade de estocagem de produtos frigorificados - de 50 mil toneladas - está exaurida”, disse a companhia em comunicado.

A cooperativa afirmou que o sistema de produção no campo e na cidade ficou asfixiado e impossibilitado de operar em face da falência de suprimentos. “O movimento grevista impede o fornecimento de ração, pintinhos, material genético, remédios etc. aos milhares de produtores rurais, colocando em risco imensos planteis de aves, suínos e bovinos. Ao mesmo tempo, impede a retirada da produção agrícola e pecuária”.

No comunicado, a cooperativa afirma não fazer “qualquer julgamento sobre a legitimidade ou a legalidade da greve”, mas adverte para “o sofrimento e as perdas que estão sendo impostas a milhares de famílias rurais, trabalhadores urbanos, micro e pequenas empresas da cadeia produtiva e ao sistema cooperativista”.

Apelo

Na avaliação da Aurora, mesmo que a greve venha a ser encerrada nas próximas horas ou dias, a paralisação das unidades industriais nesta semana (quinta e sexta-feira) não poderá ser cancelada por causa das condições adversas que se criaram ao fluxo normal da produção.

O apelo é “para que o Governo e o Movimento dos Transportadores dialoguem e, num exercício de grandeza e compreensão com os graves problemas nacionais, encontrem uma alternativa para pôr fim à greve”.

A empresa calcula mais de R$ 50 milhões de prejuízos para toda a cadeia produtiva ancorada na Aurora Alimentos, “justamente em um ano em que a perda de mercados e problemas conjunturais já sacrificam severamente a agroindústria da carne com milhões em perdas”.

Veja o impacto calculado pela Aurora devido à suspensão das atividades:

- 7 indústrias de aves e 8 indústrias de suínos estarão inoperantes;

- 28 mil trabalhadores diretos estarão dispensados temporariamente do trabalho;

- Cerca de 8 mil produtores rurais terão que adotar regime de restrição alimentar aos plantéis de aves, suínos e bovinos;

- A escassez ou falta de rações prejudicará o desenvolvimento de um plantel de 32 milhões de frangos e 1 milhão 260 mil suínos porque, quando o movimento dos caminheiros cessar, os prejuízos continuarão se manifestando nas aves e animais mal-nutridos;

- 2 milhões de aves e 40 mil suínos deixarão de ser processados apenas nesses dois dias;

- 300 caminhões câmaras-frias/dia, 200 caminhões com cargas vivas/dia e 120 caminhões de ração/dia deixarão de circular.

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