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Fiscais da Vigilância Sanitária visitam supermercado de Curitiba em março de 2017, após deflagração da Operação Carne Fraca | Henry Milleo/Gazeta
Fiscais da Vigilância Sanitária visitam supermercado de Curitiba em março de 2017, após deflagração da Operação Carne Fraca| Foto: Henry Milleo/Gazeta

Corrupção, concussão, peculato, prevaricação, falsificação e adulteração. A BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, quer virar a página da exposição pública no noticiário policial devido a desvios de conduta de seus funcionários, estejam eles no chão de fábrica ou na cúpula administrativa, como aconteceu nos últimos dois anos e foi revelado pelas operações da Polícia Federal “Carne Fraca” e “Trapaça”.

Lançado há poucos dias em São Paulo, “na presença de toda a liderança da companhia”, como enfatiza a comunicação da BRF, o Sistema de Integridade recrutou dezenas de voluntários para multiplicar a cultura de ética e transparência nos escritórios, fábricas e centros de distribuição da empresa que tem 90 mil funcionários no Brasil. O papel dos 50 embaixadores da integridade é ser “olhos e ouvidos” da BRF para levar adiante reclamações, denúncias e sugestões de melhorias.

À frente do movimento pela valorização da ética na BRF está Reynaldo Goto, diretor de compliance que entrou na empresa em julho do ano passado. Segundo ele, as diretrizes servem tanto para o porteiro como para o presidente da companhia. “Numa empresa como a nossa, que sofreu o que sofreu, é importante frisar que 99,9% dos funcionários não tinham nenhum envolvimento com os desvios de conduta. O escândalo poderia ter sido minimamente evitado se tivéssemos mais treinamento, uma melhor comunicação e, principalmente, uma cultura onde as pessoas não tivessem medo ou receio de trazer suas preocupações”.

Lançamento do “Sistema de Integridade” da BRF em São PauloDivulgação

Goto enfatiza que o programa de integridade da BRF está fundamentado em três pilares: prevenção, detecção e resposta aos desvios de conduta. “Numa cadeia longa e complexa, como é a da BRF, existe uma série de riscos. Temos uma movimentação muito grande de grãos, um sistema de transporte bastante sofisticado, todo o relacionamento com os integrados e a parte industrial, o abate e o processamento dos alimentos. Cada um na cadeia tem de entender seus riscos, suas responsabilidades e a maneira correta de atuar”, diz Goto.

Dentro da nova política de ética e integridade da BRF, ao se deparar com situações de desvio de conduta, o funcionário pode escolher a forma mais adequada de encaminhar o problema. Se não quiser comunicar diretamente aos gestores, poderá utilizar um canal de denúncias anônimas. “Esses funcionários têm de acreditar nos valores da empresa. Quem está perto dos conflitos de interesse são eles. Quem vai ser assediado, é o cara da ponta. É ele que vive o risco do dia a dia e precisa de tranquilidade para trazer adiante o problema”.

A BRF informou nesta semana que teve prejuízo líquido de R$ 4,46 bilhões em 2018, um aumento de 306% em relação às perdas de R$ 1,09 bilhão de 2017, que já haviam sido as maiores da história da companhia. No relatório anual, o presidente da empresa, Pedro Parente, disse que 2018 “foi o ano mais desafiador da história de 10 anos da BRF”. Ele citou a exclusão de 12 plantas da BRF que estavam habilitadas para exportar para a União Europeia, a continuidade do bloqueio aos embarques de suínos pela Rússia e a imposição repentina de tarifas antidumping pela China.

O inferno astral da empresa começou após a deflagração da Operação Carne Fraca, no início de 2017, que acusou a companhia de utilizar matéria-prima imprópria na fabricação de alimentos. As denúncias se agravaram na operação Trapaça, um ano depois, quando a polícia apontou um esquema de fraude em exames laboratoriais para detecção da bactéria salmonella, com conhecimento da cúpula da empresa. O ex-presidente global da BRF, Pedro Andrade de Faria, chegou a ser preso e responde a processo em liberdade.

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