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O hambúrguer vegetal da Beyond Meet é o carro-chefe de uma linha de produtos que inclui salsichas, almôndegas e outros alimentos feitos à base de plantas. | Beyond Meet/Divulgação
O hambúrguer vegetal da Beyond Meet é o carro-chefe de uma linha de produtos que inclui salsichas, almôndegas e outros alimentos feitos à base de plantas.| Foto: Beyond Meet/Divulgação

A Beyond Meat, empresa estadunidense que produz carne à base de vegetais, chegou onde nenhuma companhia havia chegado em mais de uma década, quando suas ações na bolsa de valores quase triplicaram na quinta-feira (2), no primeiro dia de negociação no pregão da Nasdaq.

O aumento de 163% para a fabricante de carne bovina e salsicha vegana foi a melhor sessão de estreia de qualquer listagem nos EUA desde, pelo menos, 2008, entre IPOs que arrecadaram pelo menos US$ 200 milhões. A Beyond Meat viu seu valor de mercado subir para US$ 3,83 bilhões no fechamento do pregão. O IPO (Initial Public Offering) é uma sigla para Oferta Pública Inicial, que é quando uma empresa abre o capital e coloca suas ações à venda para o público pela primeira vez.

As ações da empresa de El Segundo, cidade próxima a Los Angeles, na Califórnia, que agora está listada na Nasdaq, abriram a US$ 46, depois de partir de uma cotação inicial de US$ 25, e fechou o dia em mais de US$ 65.

O diretor executivo Ethan Brown não espera um conflito entre tomar decisões baseadas no meio ambiente e aquelas que servem aos acionistas. “Os consumidores estão procurando produtos que lhes permitam ser mais saudáveis ​​e reduzir sua pegada ecológica”, disse em uma entrevista. “Toda vez que estamos fazendo uma venda, estamos aumentando nossa missão e aumentando as vendas.”

A empresa, apoiada por empresários e celebridades de Hollywood, incluindo o cofundador da Microsoft, Bill Gates, e o ator Leonardo DiCaprio, originalmente planejou uma venda menor de ações para arrecadar apenas US$ 184 milhões no topo da faixa de preço entre 19 e 21 dólares.

O valor de mercado da empresa é “inteiramente razoável se tiver potencial de expansão internacional e um ótimo produto, e tiver capacidade de gerar receita em sua estrutura de lucros”, disse Robert Lawson, diretor executivo da Food Strategy Associates, com sede em Londres. “Mas não está claro que Beyond Meat tem isso”, disse. A empresa precisará expandir sua gama de produtos para ter sucesso fora dos EUA, onde os hambúrgueres não são tão populares, acrescentou Lawson.

Saúde, bem-estar animal e meio ambiente

O produto da Beyond Meet é vendido em supermercados em todo o país e também está sendo cada vez mais destaque nos menus dos restaurantes.Beyond Meet/Divulgação

Os consumidores estão procurando por alternativas de carne à base de plantas devido a preocupações com saúde, bem-estar animal e meio ambiente. Startups como a Beyond Meat estão explorando essa demanda oferecendo versões similares ao hambúrguer de carne bovina e outro produtos, só que vegetarianas.

As vendas de produtos alternativos à carne aumentaram 19,2% (para US$ 878 milhões) no ano encerrado em 5 de janeiro, de acordo com dados da Nielsen. A competição é acirrada, com a Impossible Foods, sediada no Vale do Silício, também colocando seus hambúrgueres sem carne em milhares de restaurantes, incluindo todos os estabelecimentos do Burger King. A Nestle SA também tem o seu Incredible Burger baseado em vegetais, que está disponível em lojas do McDonald’s na Alemanha.

O produto da Beyond Meet é vendido em supermercados em todo o país e também está sendo cada vez mais destaque nos menus dos restaurantes, incluindo TGI Fridays e Carl’s Jr., e agora sob um novo acordo com Del Taco restaurantes. Seus hambúrgueres, sem colesterol e 5 gramas de gordura saturada, são feitos de proteína de ervilha e suco de beterraba, o que os faz “sangrar” quando cozidos. Isso se compara a 80 miligramas de colesterol e 9 gramas de gordura saturada por uma porção de 80% de carne magra.

“Nossa embalagem ainda não é boa”, afirmou Brown, referindo-se ao filme plástico. “Isso vai contra o que eu acredito em termos de capacidade de reciclar as coisas e a pegada global dessas embalagens, mas nos preocupamos com a qualidade do produto. Então, faremos mudanças que façam sentido para o produto e para o mercado, em vez apenas do caminho mais ambiental. ”

A perda de receita de 2018 da companhia caiu, enquanto sua receita mais do que dobrou pelo segundo ano consecutivo, de acordo com seus registros. No ano passado, ela perdeu US$ 29,9 milhões em receita de US$ 87,9 milhões, em comparação com uma perda de US$ 30,4 milhões em 2017, com receita de US$ 32,6 milhões.

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