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Os primeiros embarques encomendados pela Gramosa aconteceram em 2017 e, atualmente, já representam 30% das importações marítimas de grãos da empresa que chegam pelo Porto de Tuxpan, no Atlântico.
Os primeiros embarques encomendados pela Gramosa aconteceram em 2017 e, atualmente, já representam 30% das importações marítimas de grãos da empresa que chegam pelo Porto de Tuxpan, no Atlântico.| Foto: Marcos Tosi/Gazeta do Povo

Acomodados com a facilidade da logística de importar grãos dos Estados Unidos – afinal, é só buscar do outro lado da fronteira – durante muitos anos os mexicanos mantiveram um tabu contra a simples ideia de experimentar produtos agrícolas de outros competidores, como o Brasil. “Havia um bloqueio mental, não nos dávamos sequer ao esforço de levantar os custos, de fazer a comparação, porque faltavam contatos, havia muita notícia de fila de caminhões esperando para descarregar, estradas de terra e suposta menor qualidade dos grãos no Brasil”, relata Ricardo Celma Álvarez, diretor da consultoria Agritendências, da Cidade do México.

Quem parecia estar adormecido em berço esplêndido, até cinco anos atrás, era o México, que não se importava com a realidade de que 45% dos seus alimentos vinham de praticamente um único fornecedor. A chegada de Donald Trump ao poder no vizinho do norte, e sua retórica contundente contra os “maus acordos” comerciais dos EUA, no entanto, forçaram uma renegociação do Nafta e mudaram o cenário geopolítico e a disposição dos mexicanos. “Quando trabalhei para o Conselho de Grãos da América do Norte, os americanos sempre me diziam que o México não tinha opção senão comprar dos EUA. Mas por causa das pressões dos preços das commodities, e devido às questões políticas, nos aproximamos do Brasil e descobrimos que vocês podem ser uma fonte confiável de abastecimento”, assegura Ricardo Álvarez.

O México produz apenas 26 milhões das 43 milhões toneladas de milho que consome anualmente. O país é autossuficiente no milho branco, para consumo humano, mas importa 90% do milho amarelo para ração de aves, suínos e gado. O Brasil, até quatro anos atrás, praticamente não participava deste mercado, que era “cativo” dos Estados Unidos. Em 2017 os brasileiros enviaram mais de 500 mil toneladas de milho ao México, volume despachado basicamente pelos portos do Arco Norte do país.

Uma das empresas que quebrou o tabu de comprar milho do Brasil fica em Querétaro, na região central do México. Os primeiros embarques encomendados pela Gramosa aconteceram em 2017 e, atualmente, já representam 30% das importações marítimas de grãos da empresa que chegam pelo Porto de Tuxpan, no Atlântico. Os outros 70% por esse modal vêm dos EUA, pelo Golfo do México. “Existe um período, no terceiro trimestre do ano, em que o preço do milho do Brasil é mais competitivo, na entressafra americana. Ter uma segunda ou terceira opção é importante para enfrentar qualquer problema logístico com o fornecedor. Buscamos qualidade e custo. E a qualidade do milho brasileiro é muito boa, tem umidade e os índices de proteína que procuramos”, assegura Esteban Jaramillo, diretor-geral da Gramosa.

Edmundo Córtez, diretor comercial, e Esteban Jaramillo, diretor-geral, da Gramosa: empresa mexicana que quebrou o tabu de comprar milho do Brasil.
Edmundo Córtez, diretor comercial, e Esteban Jaramillo, diretor-geral, da Gramosa: empresa mexicana que quebrou o tabu de comprar milho do Brasil.| Marcos Tosi/Gazeta do Povo

“Hoje existe um custo que é quase o mesmo para importar dos EUA ou do Brasil. A diferença está nos certificados fitossanitários exigidos para o milho brasileiro e na necessidade de fumegação contra ervas daninhas. O custo do Brasil tem que estar um pouco abaixo dos EUA para que a gente possa correr esse risco fitossanitário”, diz Esteban Jaramillo.

Na agenda da Expedição Safra pela terra dos aztecas, estão ainda visitas a agricultores, agroindústrias, centros de pesquisa e ao Porto de Veracruz, que acaba de completar 500 anos com um ambicioso de triplicar a capacidade de embarque na próxima década. Acompanhe no site da Expedição Safra.

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