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OPINIão

Trump, o USDA e o Mapa

  • PorGiovani Ferreira,
  • coordenador do Núcleo de Agronegócio da Gazeta do Povo
  • 14/11/2016 08:47
O protecionismo indicado por Donald Trump foi uma das estratégias da campanha vitoriosa. | NICHOLAS KAMM/AFP
O protecionismo indicado por Donald Trump foi uma das estratégias da campanha vitoriosa.| Foto: NICHOLAS KAMM/AFP

Depois de oito anos à frente da pasta, o secretário Tom Vilsack deve deixar o comando do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA. Nesse mesmo período, sete titulares passaram pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil (Mapa), órgão equivalente ao USDA no governo brasileiro. A conta inclui o ministro Blairo Maggi, que na semana passada completou seis meses no cargo. Após Reinhold Stephanes, que ocupou o gabinete por três anos e um mês – março/2007 a abril/2010 – os antecessores de Maggi não esquentaram a cadeira por mais de um ano e sete meses–caso de Mendes Ribeiro.

Essa, aliás, é a marca que o atual ministro precisa bater para garantir um mandato acima da média. E se entre uma selfie e outra e um post e outro em seu perfil no Facebook – o megaempresário do agronegócio e político do Mato Grosso adora um autorretrato – Blairo Maggi resistir até o fim do governo do presidente Michel Temer, em dezembro de 2018, terá ficado dois anos e sete meses no Mapa. Uma das condições para que isso aconteça é que, primeiramente, o próprio Temer consiga manter-se no poder.

Mas ok. Comparações à parte, se é que dá para comparar a realidade da política agrícola dos Estados Unidos com a do Brasil, a saída de Barack Obama da Casa Branca e a eleição de Donald Trump mudam a cara do USDA. Sai Tom Vilsack, um político que já foi inclusive governador de Iowa, o maior estado produtor de grãos do país, para dar lugar a um empresário do agronegócio, que tem origem no campo, nascido em família de produtores rurais. A se confirmar, uma indicação que sugere similaridades com o atual ministro brasileiro.

As aproximações no período de campanha indicam que o bilionário e agora presidente eleito dos Estados Unidos deve escolher um nome mais técnico do que político. Entre os cotados da administração Trump para a agricultura estão Bruce Rastetter de Iowa e Charles Herbster de Nebraska. Rastetter é o CEO do Summit Group, um conglomerado do agronegócio que mantém inclusive negócios em sociedade com empresas e produtores brasileiros, mais especificamente no Mato Grosso. Herbster tem um pé na pecuária e comanda uma grande indústria de insumos para agricultura e pecuária.

As duas opções, ainda em tom de especulação, de certa forma espelham o perfil empresarial e empreendedor do presidente eleito. Uma orientação, aliás, que deve conduzir a composição de boa parte da nova equipe que assume em 2017 o Executivo do país mais poderoso do mundo, neste caso não apenas do ponto de vista econômico, do poder bélico ou da influência política, como da produção de alimentos.

Os Estados Unidos são hoje o maior produtor mundial de grãos. Na safra atual são mais de 500 milhões de toneladas somente de soja e milho.

Protecionismo

Sobre a perspectiva da agricultura, a expectativa do governo Trump, no entanto, não está na mudança do secretário, mas em uma possível mudança nas relações de comércio internacional. O protecionismo indicado por ele foi uma das estratégicas da campanha vitoriosa. O novo presidente acredita que acordos internacionais celebrados na era Bill Clinton e Barack Obama são prejudiciais à sociedade e à economia dos Estados Unidos.

Isso inclui as parcerias que impactam no ambiente agrícola, como Trans Pacific Partnership (TPP) e o Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP). Direta ou indiretamente os dois tratados envolvem mais de 60% do PIB mundial. Por outro lado é justamente a revisão de acordos como esses que podem beneficiar o agronegócio do Brasil, avaliam alguns analistas.

Câmbio

Mas o primeiro impacto da eleição de Trump à economia e ao agronegócio brasileiro está no câmbio. Menos de uma semana após o pleito norte-americano, o dólar saiu da casa dos R$ 3,2 para R$ 3,4. Parece pouco, mas na relação dólar/bushel e reais/saca é uma diferença importante. No mercado brasileiro, a partir da relação direta com a cotação na Bolsa de Chicago, a soja vem sendo cotada a US$ 21,50/saca ou R$ 70 antes da eleição e R$ 74 após a eleição nos Estados Unidos.

Esta aí uma boa oportunidade de negócio para realizar no mercado futuro parte das vendas da safra em curso. De o produtor brasileiro aproveitar uma reação nos preços, sustentada basicamente no câmbio, ou melhor, na eleição de Donald Trump.

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