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Vacas Magras

Carne Fraca provoca pior abril desde 2012 nas exportações de carne bovina

Estudo da USP relaciona efeitos da operação da Polícia Federal com o pior resultado para exportações de carne in natura dos últimos cinco anos

JONATHAN CAMPOS / GAZETA DO POVO Com demanda menor e preços maiores, menos bois foram abatidos em abril | JONATHAN CAMPOS / GAZETA DO POVO

Com demanda menor e preços maiores, menos bois foram abatidos em abril

  • Da Redação

Desde abril de 2012 as exportações de carne bovina não tinham um resultado tão fraco: os embarques in natura (carne não processada) foram de 70,2 mil toneladas no mês passado, segundo dados da Secretária de Comércio Exterior. O resultado de abril significa retrocesso de 28,5% na comparação com março e 18,2% menos que abril de 2016.

A comparação foi feita pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. “Esse cenário pode estar atrelado às especulações sobre a Operação Carne Fraca e ao maior preço da carne por tonelada, em dólar, o que torna o produto brasileiro menos competitivo no mercado internacional”, destaca nota do Cepea.

“O resultado verificado em abril era esperado, já que a operação da Polícia Federal gerou uma série de indefinições nos prazos de reabertura em alguns mercados. Diante disso, os produtores agiram com mais cautela, comprando menos gado, suspendendo abates e embarcando quantidades menores de carne bovina”, pondera Antônio Jorge Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC).

Maio de expectativas

Se por um lado especialistas apontam os efeitos da operação da Polícia Federal, o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços indica que na primeira semana de maio foram exportadas 18,5 mil toneladas de carne bovina in natura, o equivalente a US$ 77,1 milhões. O volume diário é quase 20% maior que abril, em média. Se mantido, o ritmo deve ultrapassar 100 mil toneladas exportadas, praticamente o mesmo que maio de 2016.

Outro ponto positivo destacado pela ABIEC é em relação ao preço da carne, que valorizou 1,38% no último mês. “Muito se especulou que a carne bovina brasileira sofreria uma forte desvalorização com a repercussão da operação policial em frigoríficos, mas conseguimos fazer com que os preços fossem mantidos ou até mesmo subissem”, afirma o presidente da ABIEC.

Apesar da valorização, vários mercados exigiram preços mais baixos para retirar as restrições impostas às importações. “Cem por cento da mercadoria está sendo inspecionada ao chegar ao seu destino, sem que tenha sido encontrada nenhuma inconformidade até agora”, informou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi. Apesar disso, Camardelli espera que o desempenho das exportações retorne ao mesmo patamar de março.

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