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Embargado

Expulso em 2017, suíno brasileiro espera fim da Copa para voltar à Rússia

Oito meses após embargo da Rússia à carne suína brasileira, suinocultores do Paraná estão ‘pagando para trabalhar’

Jonathan Campos/Gazeta do Povo Entre janeiro e maio, foram exportados apenas 136 mil quilos de carne suína para a Rússia. No ano passado, no mesmo período, já tinham sido 107,6 milhões | Jonathan Campos/Gazeta do Povo

Entre janeiro e maio, foram exportados apenas 136 mil quilos de carne suína para a Rússia. No ano passado, no mesmo período, já tinham sido 107,6 milhões

  • Giorgio Dal Molin

O setor de carne suína vem sofrendo as consequências de uma “russo-dependência”. Maior comprador dessa proteína animal brasileira, com cerca de 40% das remessas ao exterior, a Rússia embargou as importações da carne em novembro de 2018.

Entre janeiro e maio, foram exportados apenas 136 mil quilos ao país. No ano passado, no mesmo período, já tinham sido 107,6 milhões. “Só conseguiram manter frigoríficos menores que tinham contratos mais antigos e que não poderiam ser interrompidos, com alguns cortes diferenciados”, afirma o presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir Dariva.

Gráfico: exportações de carne suína caem em 2018

O motivo oficial é a presença da substância ractopamina, identificado em remessas e proibidas no país euro-asiático. Mas existem suspeitas de um ‘golpe econômico’ para fortalecer a produção interna da Rússia em um momento de alto consumo: a Copa do Mundo.

“O grande bloqueador é o ministro da agricultura russo, produtor de suínos e trigo, que encontrou vários ingredientes para justificar a proibição. Além da ractopamina, tivemos a Carne Fraca. Talvez estejam esperando a Copa para depois liberar o produto brasileiro”, afirma Paulo Molinari, analista da consultoria Safras & Mercado.

Há ainda quem desconfie de uma retaliação envolvendo o mercado de trigo, tentando forçar o Brasil a iniciar as compras do produto russo. “Não acho que tenha ver com o trigo, mas não vejo expectativa de melhoras neste ano”, completa Molinari.

No prejuízo

Os produtores estão cientes da situação caótica que enfrentam, especialmente os independentes, sem contratos fixos com a agroindústria. Giovani da Silva, de Pato Branco, é um deles: “Cheguei a receber R$ 160 [por leitão de 25 kg]. Hoje recebo R$ 120, mais ou menos”. Ele afirma que os produtores estão “pagando para trabalhar” e que algumas granjas menores já fecharam.

Além do embargo russo, que obriga os frigoríficos a buscar novos mercados, eles reclamam do crescimento dos custos de produção. A saca do milho, que em 2017 custava aproximadamente R$ 25, agora ultrapassa R$ 40. “Com a safrinha o valor do deve cair, mas é importante observar que o preço do farelo de soja quase dobrou”, afirma o analista da Safras & Mercado. Em 2017, em junho, o custo do farelo girava em R$ 1.000 por tonelada. Atualmente, passa de R$ 1.500.

Albari Rosa/Gazeta do Povo

Preço do leitão com 25 quilos caiu R$ 40, afirma produtor independente de Pato Branco (PR)

“Somente o estado do Paraná deve ter abatido um volume em torno de 4 milhões de suínos, comercializados com um prejuízo em média de R$ 70 por animal, o que já dá para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo para a suinocultura paranaense”, ressalta Jacir Dariva.

Outro componente adicional é a polêmica tabela do frete nacional, que eleva ainda mais os custos de produção, lembra Paulo Molinari.

Impactos indiretos

Até mesmo frigoríficos sem contratos com a Rússia foram impactados. “Nos últimos quatro anos não exportamos para a Rússia, pois sabemos que o mercado lá hora abre e hora fecha, e não queremos essa dependência. Mas indiretamente sofremos também. Muito do produto ficou no mercado interno ou outros mercados que derrubaram os preços. Em dólar, caíram em torno de 10%”, afirma Elias José Zydec, diretor executivo da Frimesa, com sede em Medianeira.

A solução encontrada pelos suinocultores foi fortalecer as relações com outros mercados, como China e Hong Kong, segundo presidente da APS. “Mas os frigoríficos deveriam pagar um pouco mais para os produtores”, destaca.

Giovani da Silva reforça o problema: “Nossa expectativa era que o mercado já estivesse reaberto. O Brasil está na mão da Rússia: se eles falam que vão comprar, o preço sobe. Se embarga, parece que não temos mais o que fazer com nosso suíno”.

Com esse impasse, a previsão é de uma defasagem de 40 mil toneladas nas exportações, comparando 2017 e 2018. No ano passado, foram exportadas 592,58, segundo a Secretária do Comércio Exterior – volume inferior a 2016, quando foram 628,65 mil toneladas. Neste ano, a projeção do AgroGP é de 552,26 mil toneladas.

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