
O aumento da frota de carros elétricos no Brasil, impulsionado pela chegada de marcas chinesas, cria um desafio para o financiamento da infraestrutura viária. Como esses veículos não consomem gasolina ou diesel, a arrecadação de tributos sobre combustíveis diminui, ameaçando os recursos usados para a conservação do pavimento urbano em um cenário de veículos cada vez maiores e mais pesados.
Por que o crescimento da frota elétrica gera um problema para as contas públicas?
Historicamente, o dinheiro usado para cuidar das ruas e estradas vem, em grande parte, dos impostos cobrados sobre a gasolina e o diesel. Como os carros elétricos não usam esses combustíveis, eles não contribuem com essa arrecadação específica. Com cada vez mais pessoas trocando o carro comum pelo eletrificado, o governo perde essa fonte de receita, criando um buraco no orçamento destinado à manutenção asfáltica. Países como a China já enfrentam esse dilema, vendo modelos grandes dominarem as vendas enquanto a verba vinda dos combustíveis fósseis encolhe gradualmente.
Como outros países estão tentando resolver essa falta de arrecadação?
Governos ao redor do mundo estudam alternativas para não deixar as estradas sem verba. Na Holanda, o plano é substituir a taxa anual de propriedade por uma cobrança baseada na quilometragem que o motorista percorre. O Reino Unido também planeja mudanças na tributação para compensar a queda dos impostos sobre combustíveis. Já a Alemanha utiliza um sistema para veículos pesados que analisa eixos e emissões. O Brasil começa agora a observar esses modelos internacionais para decidir se recalibra impostos existentes, como o IPVA, que hoje oferece isenções para incentivar os elétricos.
Um imposto exclusivo para carros elétricos é a solução mais viável no Brasil?
Especialistas apontam que criar um imposto apenas para elétricos enfrenta barreiras jurídicas, pois, no Brasil, a arrecadação de impostos geralmente não pode ser carimbada para uma finalidade específica, como a manutenção de vias. Além disso, tributar apenas pela motorização é visto como economicamente inadequado. O ideal seria uma cobrança isonômica, ou seja, igualitária para todos, baseada no peso e na quilometragem. Isso porque o desgaste do asfalto é causado pela carga que o veículo exerce sobre o chão e pela distância percorrida, independentemente se o motor é elétrico ou não.
Os carros elétricos realmente estragam mais o asfalto por serem mais pesados?
Embora veículos elétricos tendam a ser mais pesados devido às baterias, o peso total sozinho não define o estrago no pavimento. O desgaste real depende da carga por eixo, da pressão dos pneus e de como o peso é distribuído entre as rodas. Um carro elétrico maior pode distribuir sua carga de forma diferente de um modelo a combustão equivalente, não gerando necessariamente uma pressão maior sobre o asfalto em todos os casos. Portanto, qualquer nova forma de cobrança precisaria considerar esses fatores técnicos de engenharia civil para ser justa e refletir o uso real da infraestrutura.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





