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Acabamento reforçado

Indústria automotiva aposta no sertanejo e no rock; Volkswagen é a que investe mais

(Foto: Divulgação/VW)

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O agronegócio é um dos setores que mais tem atraído os olhares da indústria automotiva brasileira, principalmente de marcas que têm em seu portfólio as picapes. E são quase todas. Mas mesmo as que só têm carros de passeio começam a investir nesta área, oferecendo condições especiais para produtores rurais que não precisam apenas de veículos para o trabalho pesado, mas também de carros de passeio para o trabalho do dia a dia de suas propriedades e cooperativas. Com isso, muitas marcas lançam versões de seus automóveis voltadas ao campo, com acabamentos reforçados, protetores das partes mecânicas e outros itens que não são encontrados em carros dedicados ao uso de pessoas físicas.

E para atrair os empresários do agronegócio para seus produtos, as marcas investem em patrocínios de grandes exposições e feiras rurais e em artistas sertanejos, que são os preferidos deste público um pouco mais afastado dos grandes centros urbanos. É o caso da Volkswagen, que hoje investe muito na música, não só como patrocinadora do Circuito Sertanejo, que está presente em grandes shows rurais e também na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, a mais famosa do Brasil, mas também aposta no público que não gosta de ir para o mato e prefere outro tipo de música, como os festivais de rock, como o Rock in Rio. E em todos estes eventos aproveita para mostrar novos modelos, ou de picapes ou de carros de passeio.

Neste ano, a Volkswagen continua investindo pesado tanto no sertanejo quanto no rock. No rodeio de Barretos, apresentou suas duas novas picapes que chegam no ano que vem. A compacta Tukan, que teve investimento de 3 bilhões de reais para ser fabricada na unidade paranaense da marca, e a nova Amarok, picape média que será produzida na Argentina e que exigiu investimento semelhante. Mas, para estas duas picapes, o maior mercado é o Brasil. E no Rock in Rio 2026, mostrou o seu primeiro carro totalmente elétrico a ser vendido nas concessionárias a partir de outubro, o ID.4 2027, e uma nova versão do compacto Tera, agora com o potente motor 200 TSI e câmbio de 8 marchas, que também chega em outubro.

Mas, para isso, uma marca como a Volkswagen precisa ter um departamento de marketing que trabalha muito e elabora projetos interessantes que são aprovados pela diretoria, pois os investimentos são milionários. A diretora de marketing da VW, paranaense Livia Kinoshita, em conversa com a Gazeta Carros, falou um pouco da estratégia que a empresa usa para estar presente nestes megaeventos e qual é o retorno que isso traz para a marca.

Do rock ao sertanejo

“A música é um território estratégico para a marca porque conecta pessoas. Estar presente em festivais de música ao longo de muitos anos é uma estratégia para a conexão com nossos consumidores”, disse Livia sobre esta participação pesada que a VW tem com este setor do showbiz brasileiro. Também afirmou que a marca “está em todos estes festivais como uma grande plataforma de comunicação com nossos clientes, onde podemos interagir com as pessoas em ações pontuais, mostrando a qualidade de nossos carros. O público presente nestes grandes eventos pode conhecer de perto os modelos que levamos até estes locais e interagir com eles em um ambiente descontraído e alegre”. Segundo Livia Kinoshita, “a Volkswagen aproveita estes festivais para apresentar um novo produto ao mercado, seja para criar séries especiais conectadas com isso”.

Mas a VW não tem uma “preferência” musical. Ela está onde seu público está, seja em um festival de rock, onde a grande maioria dos presentes é formada por jovens, quanto no sertanejo, com o público formado em sua maioria por pessoas do interior e principalmente apreciadores do agro.

E para isso é uma das principais patrocinadoras do Circuito Sertanejo, que durante o ano todo apresenta seus shows com os principais artistas deste estilo musical, em festas e exposições pelo Brasil inteiro. E um dos principais eventos é na Festa do Peão de Boiadeiro, que este ano, na arena onde o Circuito Sertanejo foi apresentado, reuniu mais de 100 mil pessoas que puderam ver em primeira mão duas futuras picapes da Volkswagen, a Tukan e a nova Amarok.

Livia diz que “a música sertaneja é muito forte no Brasil. Mais de 50% das músicas escutadas nas plataformas são sertanejas”. Ela afirma que “o presidente da VW, Ciro Possobom, que é roqueiro, já está aprendendo a gostar do sertanejo pelo potencial que representa. Ele fala muito que a marca precisa sair da zona de conforto e viver o que está acontecendo no país. A gente precisa estar em todos os lugares, sair da fábrica e entender o que acontece no mercado e, com isso, temos muito apoio da direção para estas iniciativas”, conclui.

Volkswagen anuncia seu primeiro modelo elétrico em festival de rock

O primeiro modelo totalmente elétrico da Volkswagen começa a ser vendido pelos concessionários em outubro ao preço de R$ 299.990. É o ID.4 2027. Mas esse carro já roda por aqui desde 2023, em uma versão de menor potência e menor autonomia, mas era disponível apenas na forma de assinatura. O preço é exatamente o mesmo do novo Tiguan lançado recentemente, e a Volkswagen fala que o ID.4 é um Tiguan elétrico devido às semelhanças em dimensões que os dois modelos apresentam. A marca aproveitou o Rock In Rio para a primeira aparição do carro.

Globalmente, o ID.4 já é referência na linha de modelos elétricos da Volkswagen como o EV mais vendido da marca no mundo e um dos principais responsáveis pelo sucesso global da família ID., construída sobre a plataforma modular elétrica MEB, desenvolvida exclusivamente para veículos elétricos do Grupo Volkswagen.

O modelo inaugura a estratégia de eletrificação da Volkswagen no Brasil com um produto que reúne desempenho, tecnologia, design inovador, conforto e segurança.

O motor do novo ID.4 é mais potente agora na versão que chega ao Brasil importada da Alemanha. Tem 286 cavalos com 550 Nm de torque. A bateria também é uma das maiores do segmento, de 84 kWh, e tem quatro modos de condução diferentes (Eco, Normal, Sport e Individual) e posicionam o SUV entre as principais referências de desempenho do segmento.

Mas o mais interessante é que, mesmo com mais potência, o ID.4 garante uma autonomia de 389 km (Inmetro) e permite carregamento em corrente contínua de até 185 kW. Isso quer dizer que, num carregador de 180 kW, o ID.4 parte de 10% para 80% da carga em apenas 25 minutos, permitindo que você possa curtir o ID.4 por mais tempo na estrada e menos tempo carregando.

Abaixo, assista à entrevista com Livia Kinoshita :

*Antonio Carlos da Silva é jornalista especializado na cobertura do mercado automobilístico e parceiro de conteúdo da Gazeta do Povo. As opiniões e análises expressas neste artigo são de responsabilidade do autor e não representam necessariamente a visão do jornal.

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