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Para entender

Oficinas mecânicas enfrentam desafios para reparar frota de carros elétricos

Com avanço de híbridos e elétricos, oficinas investem em equipamentos e capacitação para lidar com sistemas que exigem conhecimento técnico e protocolos de segurança específicos (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

O mercado brasileiro de veículos eletrificados atingiu a marca de 271 mil unidades emplacadas entre janeiro e julho de 2026, representando 21% das vendas totais do setor. Apesar desse avanço rápido nas ruas, o setor de serviços ainda corre para se adaptar: cerca de 99% das oficinas associadas ao Sindirepa-PR não possuem capacitação ou equipamentos necessários para atender essa nova demanda.

Qual é o principal desafio para as oficinas mecânicas tradicionais hoje?

O grande obstáculo é a alta necessidade de investimento em tecnologia e treinamento. Para adaptar um estabelecimento aos padrões exigidos por carros elétricos e híbridos, o custo varia de R$ 20 mil a R$ 150 mil, dependendo da complexidade dos serviços oferecidos. Além do valor financeiro, existe uma barreira técnica, pois sistemas de alta tensão exigem protocolos de segurança rigorosos para evitar acidentes graves. Atualmente, a maioria das empresas capacitadas foca apenas na funilaria, já que veículos batidos precisam de manuseio seguro dos sistemas elétricos antes do reparo da lataria.

Como a manutenção de um carro elétrico se diferencia de um modelo comum?

Veículos elétricos simplificam a rotina ao dispensar itens como troca de óleo, velas, correias e escapamentos, possuindo menos peças móveis que sofrem desgaste. Entretanto, o que se ganha em simplicidade mecânica, perde-se em complexidade eletrônica. O foco muda totalmente para a bateria de alta tensão, motores elétricos e softwares de diagnóstico. Nos modelos híbridos, a situação é mista, pois eles mantêm o motor a combustão, exigindo que o mecânico domine tanto a tecnologia antiga quanto a nova, o que torna o processo de reparo mais exigente em termos de conhecimento técnico.

Por que o setor independente busca espaço frente às concessionárias?

A motivação é financeira para ambos os lados. Enquanto uma concessionária pode cobrar entre R$ 60 mil e R$ 80 mil para reparar a bateria de um SUV híbrido, uma oficina especializada consegue realizar o serviço por cerca de R$ 20 mil. Essa diferença enorme de preço cria uma oportunidade lucrativa para empresários que investem na área. Todavia, os reparadores independentes reclamam que as montadoras muitas vezes dificultam o acesso a informações técnicas essenciais e peças de reposição, tratando as oficinas de bairro como concorrentes diretas em vez de parceiras de mercado.

Quais são os problemas mais comuns relatados nos modelos eletrificados?

Especialistas indicam que cada marca apresenta falhas recorrentes específicas conforme a frota envelhece. No Nissan Leaf, as queixas principais envolvem a perda de autonomia e defeitos nas células da bateria. Já o BYD Dolphin costuma apresentar problemas na caixa de direção. Modelos híbridos da Volvo fabricados até 2022 mostram ocorrências no compressor do ar-condicionado e no sistema de aquecimento. No caso dos veículos GWM, os reparadores notam falhas que podem estar ligadas à alta concentração de etanol na nossa gasolina, evidenciando que a adaptação ao mercado brasileiro ainda é contínua.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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