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O projeto do “Old dog” teve inspiração em trabalhos desenvolvidos nos Estados Unidos | Divulgação/Hot & Rusty
O projeto do “Old dog” teve inspiração em trabalhos desenvolvidos nos Estados Unidos| Foto: Divulgação/Hot & Rusty
  • O teto do carro foi rebaixado e os paralamas ganharam maior curvatura
  • A manopla da alavanca de câmbio tem o desenho de um cão raivoso
  • Os bancos em couro, vermelho, seguem o tom do ambiente
  • O motor Ford V8 302 ganhou um scoop para a refrigeração

Na primeira metade do século passado, os carros da Ford eram os modelos preferidos dos mafiosos. O ar clássico e imponente transmitia respeito por onde eles passavam. Até hoje chamam a atenção em exposições de veículos antigos. Foi justamente esse visual fora-da-lei dos Fordecos que selou a paixão do advogado de Curi­tiba Paulo Cezar Patriani, 57 anos, pelo mundo dos hot rods – automóveis do passado equipados com mo­­torizações modernas e possantes.

Com a ajuda do restaurador Sér­­gio Liebel, proprietário da oficina curitibana Hot & Rusty (Quente & En­­­ferrujado), Patriani restaurou e customizou um Ford Tudor 1931 com os elementos que valorizassem a cultura hot. Nasceu o "Old Dog", "um cachorro velho com pedigree que ainda impõe respeito", como o dono gosta de definir o modelo de 79 anos.

Antes deste exemplar, o advogado teve na garagem um Ford F100 1963 e chegou a cultivar o fascínio por motos, adquirido nos tempos de "harleiro". Atualmente, é o espírito "biela quente" (tradução livre para hot rod) que embala as horas vagas do proprietário.

Para o carro chegar ao estado impecável que se vê nas fotos foram necessários 2 anos e 8 meses de trabalho. O veículo estava à beira do ferro-velho quando entrou na oficina de Liebel. Primeiro, foi incorporada a grade frontal de um Ford 1932. Já a cor, preto Cadillac, não foi escolhida por acaso. É clássica dos hots americanos. Aliás, da terra do Tio Sam vieram outras inspirações, buscadas em duas visitas de Patriani e Liebel à Califórnia, berço do movimento hot. Maçanetas e retrovisores externos foram importados do mercado norte-americano, assim como grades, frisos e lanternas. Para realçar a cara de mau do "Old dog", o teto acabou rebaixado em 8,5 cm, o capô ganhou mais 3 cm no comprimento e os paralamas receberam uma curvatura maior.

As rodas acompanharam o ar nostálgico do veículo. Na frente, aro 15 x 5,5 calçado com pneus nas medidas 186/65; atrás, aro 15 x 8 com pneus 235/70. Para completar o visual exótico, desenhos de labaredas (flames) "queimam" o capô do carro, enquanto na traseira um trabalho de pinstriping (técnica de fazer desenhos com filetes perfeitos) "tatua" o rosto de um cão.

O visual clássico dos hots também invade o interior da cabine. O couro e o alumínio estão por toda a parte, dos bancos aos pedais. A cor vermelha ocupa quase todo o am­­biente. O volante da marca Billet e a manopla de câmbio, que retrata o focinho de um cachorro raivoso, também vieram dos Estados Unidos. O painel em dois tons – preto e prata – foi feito sob encomenda, com adornos da Billet Specialties e instrumentação Auto Meter.

Como todo cão de raça, o Old Dog também tem um rosnado forte, graças ao seu motor Ford V8 302, original do Maverick GT. O sistema de alimentação trabalha com um carburador quadrijet Edelbrock e a transmissão é automática de 4 velocidades. O coletor de escape é dimensionado. Um scoop se encarrega de refrigerar o grande bloco, que entrega 250 cv de potên­cia.

Para garantir um rodar confortável e firme, o veículo recebeu uma suspensão projetada no estilo Mus­­tang II na dianteira, com sistema Four Bar na traseira. Os freios são a disco nas quatro rodas. A estrutura da carroceria ganhou o reforço de peças feitas em aço inox, como no assoalho. O resultado é uma caranga bastante estável, potente e com ótima dirigibilidade, garante Patriani. O "cachorro velho" só sai às ruas de Curitiba nos fins de semana. Ele pode ser visto exposto na Feirinha do Largo da Ordem, aos domingos, ou desfilando em encontros de hots no sul do país.

Serviço: Hot & Rusty – (41) 3254-7178.

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