Notas Báquicas

Análise

2016: o ano do custo e benefício no mundo dos vinhos

O colunista Guilherme Rodrigues lista seis rótulos que se destacarão neste ano

por Guilherme Rodrigues Publicado em 15/01/2016 às 22h
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Verdades são muitas no mundo dos vinhos. Dentre elas destaco uma que reinará em 2016 . O custo benefício. Ou seja, a saudável e muito procurada relação entre o prazer que um determinado rótulo oferece e seu preço. Desvairados para tapar os buracos de seus gastos suntuários e perdulários, os governantes, em todos os níveis, não tiveram o menor pudor em aumentar ainda mais os tributos e encargos sobre os vinhos. Pior ainda, a imensa e súbita desvalorização da moeda nacional logo após as eleições, levou o preço dos vinhos no Brasil ao paroxismo, se comparados com as demais nações do planeta e respectivos poderes aquisitivos.

Daí a preocupação, ouvida cada vez com mais frequência, de não errar escolhas, não desperdiçar, obter o melhor resultado sem ter de furar o bolso. Rótulos consagrados a valores honestos são o porto seguro mais visível. Chile e Argentina também possuem condições ainda mais favorecidas nesse conceito. Uma alternativa em termos de diversidade, com um toque a mais de personalidade, e vamos direto aos vinhos portugueses, cada vez mais procurados. Itália, Espanha e França em geral cobram extra pela fama mais antiga. Contudo, mesmo por aí é possível encontrar excelentes pedidas.

A maior referência é o produtor. Se qualificado, o vinho também será qualificado. Pouco importa a região de origem. Esta última e a casta empregada entram na tipificação do sabor, do estilo da bebida. Em seguida, a safra. Especialmente nas regiões europeias, a colheita faz toda diferença. Por isso que, por exemplo, uma garrafa de Château Latour 1962, ainda um bom ano, custa, no mercado internacional, cerca de US$ 700; enquanto que uma do ano anterior, 1961, vale cerca de 10 vezes mais. Há muitas tabelas de safras (devem ser por região) na internet e sites especializados, além de publicações do ramo.

Afinal, o lado que consola, esse foco maior no custo e benefício leva o mercado a se depurar e respeitar ainda mais o consumidor. Este por sua vez se torna mais exigente, seletivo, o que acaba também por educar e apurar o paladar. Mas que não sirva de desculpa: vamos continuar exigindo respeito dos governantes e que essa carga fiscal e de encargos absurdos seja rapidamente atenuada a níveis civilizados. Não podemos ser condenados a essa situação por muito mais tempo.

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Destaques de 2015

Rótulos que pontificaram em 2015 e comandarão a cena em 2016

Champagne Dom Pérignon 2006

Dom Pérignon/LVMH – Epernay – Champagne – França

Nota 95

O Dom Pérignon 2006 estará disponível no Brasil já no começo de 2016. Tive o privilégio de prová-lo pela primeira vez em novembro último. Está sensacional: a finesse comanda o espetáculo, num contraponto com as cuvées mais recentes, em que o poder – com refinamento é evidente – era nota dominante. O 2006 é seda pura, cheio de energia e frescor, com todos os matizes do Dom Pérignon muito bem integrados, num ambiente de delicadeza e estimulante suavidade. Irresistível e acariciante, fácil – no bom sentido – de beber, faz salivar de tão apetitoso.

dom perignon

Onde encontrar: LVMH / Casa da França – (41) 3224-2944

Preço: R$ 699

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Errazuriz Chardonnay Max Reserve 2013

Viña Errazuriz – Valle Aconcagua – Chile

Nota 91

De cor citrina clara, um Chardonnay bem completo e equilibrado. Suavemente amanteigado, frutado maduro e fresco que lembra maçãs, com leves nuances mais ricas a frutos tropicais. Notas fumé e minerais delicadas, amplo, boa profundidade, saboroso, final longo, no estilo de um bom Borgonha branco. Revela as melhores características dos consagrados Chardonnays do Chile, com a grife do grupo vinícola Chadwick.

max reserva

Onde encontrar: Importadora Vinci/ Representante Jorge Ferlin – (41) 9644-3535

Preço: US$ 39,90

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Tons de Duorum 2013

Duorum Vinhos – Douro – Portugal

Nota 90

Poucos tintos são tão atraentes nessa faixa de preços. As grandes virtudes do Douro, num vinho acessível e bom de beber. A expertise do enólogo José Maria Soares Franco e o terroir único da mais antiga região demarcada do mundo. Castas típicas do Douro, estimulante, não cansa, tem fruta madura bem fresca e limpa, notas florais, minerais, franco, refinado e com um ar suavemente voluptuoso. Um super best buy.

tons

Onde encontrar: Importadora Porto a Porto. À venda na Adega Brasil – (41) 3014-0796 ou Empório Kaminski (41) 3342-7371

Preço: R$ 55,65

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Moscatel de Setúbal José Maria da Fonseca Alambre 20 anos (500 ml)

José Maria da Fonseca Succs. – Setúbal – Portugal

Nota 95

Os moscatéis de Setúbal, região logo ao sul de Lisboa, estão entre os mais suntuosos vinhos fortificados do mundo. Muitos rótulos chegam aos fabulosos 100 pontos. O produtor possui estoques exclusivos de grandes vinhos desde o século 19. Em cada cuvée, um corte especial, com a maestria de Domingos Soares Franco. Esse 20 anos é espetacular. Untuoso, fresco, rico, vivo, miríade de nuances refinadas, como flor de laranjeira, especiarias, tabaco, mel de acácias, trufas, fumé, frutas secas, minerais, sobre um corpo sedoso, elegante, envolvente e de final interminável.

moscatel

Onde encontrar:  Importadora Decanter. À venda na Enoteca Decanter – (41) 3039-2333.

Preço: R$ 331,80

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Gigondas Pierre Aiguille 2009

Paul Jaboulet Aîné – Gigondas – Rhône – França

Nota 91

De cor rubi para o escuro, foi elaborado com 80% Grenache, 10% Syrah e 10 % Mourvèdre. Vinhas de 40 anos, em solos aluviais argilo pedregosos. A região é vizinha do Châteuneuf-du-Pape. O famoso produtor em ótima forma. Tinto cheio, envolvente, ameixas maduras, cerejas, bela profundidade e frescor. Frutado maduro e fresco a cerejas, amoras e um toque de ameixa, complexo, final longo e adorável.

gigondas

Onde encontrar: Importadora Mistral. À venda na In Vino Veritas – (41) 3338-7519

Preço: US$ 69.90

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Almaviva 2013

Almaviva – Puente Alto – Chile

Nota 95

Um sucessor à altura para o celebrado 2012. Diferente em estilo, mais elegante e sofisticado. O ano vitícola foi o mais prolongado da história. Corte com 72% de Cabernet Sauvignon,19% Carmenère,2% Cabernet Franc,6 % Petit Verdot e ,1% Merlot. Toda a sensualidade e textura sedosa que são marca registrada, com mais elegância e profundidade. Fruta madura cristalina brilha com nuances a cassis, amoras e ameixas. Mais profundo, taninos refinados, acidez fina e refrescante Complexo, encantador, bebe lindamente e tem um ótimo potencial futuro.

almaviva

Preço: em breve disponível no Brasil

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