Gim é composto por zimbro, angélica, cardamomo, casca de laranja, cidrão, coentro, melissa e rosas. Foto: Guilherme Castellani.
Gim é composto por zimbro, angélica, cardamomo, casca de laranja, cidrão, coentro, melissa e rosas. Foto: Guilherme Castellani.| Foto:

A Kalvelage, uma destilaria de Botuverá, cidade de 4 mil habitantes do Vale Catarinense, decidiu produzir um gim inspirado na versão original da bebida criada no século 18. Demorou quatro anos, mas agora o Kalvelage London Dry Gin está engarrafado e pronto para ser misturado a uma boa dose de tônica. O destilado é feito a partir de oito botânicos selecionados: zimbro, o ingrediente primordial, raiz de angélica, cardamomo, casca de laranja, cidrão, coentro, melissa e rosas.

O composto do gim catarinense tem a mesma base de cereais da vodca, outro destilado produzido pela marca. Ao longo de quatro anos, o produto conquistou três prêmios internacionais. O mais recente foi o ouro em Hong Kong 2018, na China Wine & Spirits Awards – a maior competição de destilados do mundo.

Gim é composto por zimbro, angélica, cardamomo, casca de laranja, cidrão, coentro, melissa e rosas. Foto: Guilherme Castellani.
Gim é composto por zimbro, angélica, cardamomo, casca de laranja, cidrão, coentro, melissa e rosas. Foto: Guilherme Castellani.

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“É gratificante comprovar que é possível produzir um destilado de alto nível no Vale do Itajaí e, ainda, receber o reconhecimento internacional. Deixa o trabalho empolgante”, diz Maurício Kalvelage. Ele o irmão, Marcos Kalvelage, investiram na destilaria como um passatempo para a aposentadoria, em 2012, e se hoje esbaldam com o reconhecimento dos seus destilados.

Dá para dizer que os sócios surfaram na onda da bebida: em 2017, o consumo nacional de gim aumentou em 66%, segundo a Euromonitor International. Em Santa Catarina, seu London Dry aparece entre os famosos e importados Tanqueray, Bombay Sapphire, Beefeater, Monkey 47 e Bulldog.

O Kalvelage é vendido por R$ 79 em nove estados brasileiros, além de Santa Catarina, no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás e Amapá.

“Loucura do gim”

O jornalista e arquiteto premiado Patrick Dillon, consagrado com um Prêmio Pulitzer, escreveu no livro “Gin: The Much Lamented Death of Madam Geneva” (sem tradução para o português) algumas curiosidades sobre a bebida.

Conta o autor que, na madrugada de 29 de setembro de 1736, o gim foi taxado em 50 libras esterlinas – um valor exorbitante que representava todo o salário de um ano de um trabalhador pobre.

A medida foi aplicada pela realeza britânica com o objetivo de acabar com o vício generalizado pela bebida. A repressão, obviamente, não deu certo e a época ficou conhecida como “gin craze“.

A população começou uma rebelião que quase derrubou a monarquia sob o grito de guerra “no gin, no king” (sem gim, sem rei). O destilado, então, começou a ser vendido clandestinamente em quase sete mil estabelecimentos, muitos adulterados com terebintina, alume e ácido sulfúrico. O consumo per capita estimado era de meio litro por semana, incluindo crianças.

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