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Dia Nacional do Café

Não é mais o rock que faz de Curitiba a Seattle brasileira: é o café!

Curitiba é comparada à cidade norte-americana onde nasceu o Starbucks e tem praticamente uma cafeteria em cada esquina

por Talita Boros Voitch Publicado em 24/05/2018 às 08h
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Nos anos 90, Curitiba já foi chamada de Seattle brasileira, mas por causa das bandas de rockAos 325 anos, a cidade agora tem uma vocação mais recente: o consumo de cafés especiais se fortaleceu tanto que, informalmente, volta a ser chamada de Seattle brasileira (local onde nasceu a maior rede de cafeterias do mundo, o Starbucks, e onde tem uma cafeteria em cada esquina). Se nos Estados Unidos é impossível andar pelas ruas de Seattle sem tropeçar em uma boa cafeteria, em Curitiba a sensação é semelhante.

>> “Acabou a era dos baristas hipsters”, diz Leo Moço

Por ser uma cidade menos extensa territorialmente do que São Paulo, por exemplo, a capital paranaense concentra em um raio de dez quilômetros, próximos ao Centro, dezenas de cafeterias, muitas comandadas por baristas premiados. Aqui, a possibilidade de tomar um café, seja ele espresso ou filtrado, feito com a técnica correta é muito fácil.

Para quem se pergunta, mas o que tem de tão especial num cafezinho? Podemos dizer, parafraseando Shakespeare, que existem mais coisas entre um grão e aquela aromática xícara de café que sonha a nossa vã filosofia. Terroir, processamento, torra e a forma de preparo podem fazer com que determinado café tenha o seu potencial explorado. A boa notícia é que temos todas essas etapas feitas com qualidade aqui no quintal de casa.

barista leo moço

Leo Moço, dono do Barista Coffee Bar, em Curitiba. Foto: Letícia Akemi/Gazeta do Povo.

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A evolução do café especial por aqui tem sido notada com facilidade. As embalagens que os curitibanos encontram para comprar pelas casas especializadas estampam a origem, o método de beneficiamento, quem torrou, o aroma e até atributos como doçura e acidez. Mas é no quesito talento humano que a capital paranaense se destaca de verdade.

A cidade é casa de grandes profissionais do café brasileiro e mundial, alguns premiados várias vezes, em anos consecutivos, em provas nacionais. Camila Franco, Graciele Rodrigues, Otávio Linhares, Hugo Rocco e Léo Moço são alguns dos melhores baristas do país que vivem aqui. A pioneira dos cafés especiais na cidade é Geórgia Franco. Graças ao seu treinamento e trabalho a frente do Lucca Cafés Especiais, no Batel, esse movimento começou em Curitiba há 16 anos.

Depois de uma carreira como engenheira informática, Georgia largou tudo, foi estudar na França e nos Estados Unidos e em 2002 abriu o Lucca. A casa foi a primeira cafeteria de Curitiba especializada na torrefação e na comercialização de cafés selecionados.

Em 2012, a barista entrou na briga com a gigante Nespresso quando lançou cápsulas para máquinas da marca. Reconhecida pelos colegas como a pioneira na capital paranaense, treinou baristas campeões brasileiros, como Otavio Linhares, Felipe Oliveira e Graciele Rodrigues. É também treinadora da própria filha, Camila Franco, atual campeã brasileira na categoria Brewers Cup.

Georgia Franco, proprietária e coffee hunter do Lucca. Foto: Arnaldo Alves/Gazeta do Povo.

No ano passado, Geórgia arrematou sete sacas do café mais caro do mundo, produzido na Fazenda Bom Jardim, no Cerrado Mineiro. Um bourbon amarelo descascado produzido pela Nunes Coffee com pontuação de 91,5. No Brasil, apenas no Lucca – em Cuririba – é possível encontrar o café, vendido em pacotes de 250 g por R$ 60.

O vencedor do título de melhor barista do Brasil no ano passado, o carioca Léo Moço também vive em Curitiba e comanda o Barista Coffe Bar, no Juvevê. Apesar de não ter nascido na cidade, Moço fortaleceu sua carreira em Curitiba. Além do Barista, comanda também sua própria marca de cafés especiais – o Café do Moço.

Na torrefação artesanal, Moço trabalha desde a seleção de grãos diretamente com os produtores até a ponta final que chega para os consumidores. “Acho que temos tantos bons baristas com café na cidade porque Curitiba tem um ritmo mais lento, nos permite mais tempo para estudar e é mais barata para empreender em comparação a outras grandes capitais”, avalia.

Juca Esmanhoto, barista e sócio da Rause Café + Vinho, acredita que o café especial começou a ter mercado em Curitiba porque as pessoas querem mais qualidade. “A cerveja trabalhou bem esse conceito com o slogan beba menos, beba melhor”. E assim se fortalece o hábito de consumir um bom café.

À esquerda, o café da variedade Gesha, colhido por Geórgia e Camila Franco, do Lucca Cafés Especiais, no Cerrado Mineiro. A variedade é única no Brasil e foram produzidos apenas 26 quilos de café. À direita, o café mais bem pago do mundo, vendido exclusivamente pelo Lucca Café no Brasil. Foto: Orleno Adriane/Divulgação

À esquerda, o café da variedade Gesha, colhido por Geórgia e Camila Franco, do Lucca Cafés Especiais, no Cerrado Mineiro. A variedade é única no Brasil e foram produzidos apenas 26 quilos de café. À direita, o café mais bem pago do mundo, vendido exclusivamente pelo Lucca Café no Brasil. Foto: Orleno Adriane/Divulgação.

Por sinal, algumas jovens cafeterias expandiram e já abriram outras unidades em Curitiba por conta da demanda. É o caso da Supernova Coffee, vencedor na categoria melhor café do Prêmio Bom Gourmet 2017, com o café espresso do menu amarelo. A marca possui três unidades na cidade (uma no Batel e duas no Centro), abertas em pouco mais de um ano após a primeira inauguração.

Com cafeína ou sem, a verdade é que os curitibanos aprenderam a degustar um café preparado de forma correta por um profissional reconhecido. O mais importante, dizem os especialistas, é encontrar o que mais lhe agrada para viver toda a experiência que o produto pode proporcionar.

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