Bebidas

Enoturismo

Cave em Piraquara usa antigo túnel ferroviário para envelhecer espumantes

Cave Colinas de Pedra tem espaço para maturar até 50 mil garrafas - é esse processo, conhecido como champenoise, que dá complexidade ao espumante. Espaço é aberto a visitação

por Marina Fabri, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 02/04/2017 às 15h
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Interior da cave Colinas de Pedra - o local já foi um túnel ferroviário. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Interior da cave Colinas de Pedra – o local já foi um túnel ferroviário. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Quem gosta de enoturismo tem uma opção bastante interessante para conhecer em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba: a Cave Colinas de Pedra, onde espumantes ficam envelhecendo por pelo menos dois anos. O local é uma antiga estação ferroviária com um túnel centenário por onde passava a Maria Fumaça – esse túnel foi transformado em cave e hoje, é possível visita-lo e conhecer um pouco sobre este processo de maturação da bebida, que é o responsável por dar complexidade ao espumante.

O passeio compreende uma visita à cave e um almoço. Na primeira parte, dá para ver as garrafas maturando no túnel – quem conta a história e conduz o passeio é o proprietário e “cuidador” do lugar, como ele mesmo se denomina, Ari Portugal, junto com seu filho, Rafaelle. “Sempre trabalhei em bancos, nunca ttive muito contato com vinhos na vida, mas acabei me apaixonando”, conta Ari. Ao final do tour, há degustação de alguns espumantes que ficam envelhecendo lá.

As condições climáticas no túnel são as ideais para o envelhecimento da bebida. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Ao final do passeio, uma pausa para degustação. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo.

Não há fabricação de vinhos na Colinas de Pedra – atualmente, eles vêm do Rio Grande do Sul já envasados (porém ainda com a tampa provisória, que não é uma rolha, mas uma tampa semelhante à de um refrigerante em garrafa de vidro). Eles entram na cave e por lá ficam por pelo menos dois anos – quanto mais tempo ficarem, mais complexos (e caros) serão – segundo Portugal, dá para deixa-los lá por até 16 anos.

Depois disso, passam pelo processo de degorgement, quando as leveduras responsáveis pela fermentação do vinho são retiradas e aí sim é colocada a rolha. Depois, são rotuladas e viram oficialmente os espumantes Tunnel. Há quatro versões maturadas na Colinas de Pedra: Nature, Brut Rosé, Brut e Moscatel Rosé. Todo o processo realizado lá é o clássico da produção de espumantes, conhecido como champenoise (o mesmo usado nos Champagnes franceses).

Almoço  

O almoço tem queijos e pratos em estilo finger food feitos por Rosi Mari Portugal. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

O almoço tem queijos e pratos em estilo finger food feitos por Rosi Mari Portugal. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo.                                           

Quem comanda a cozinha da Colinas de Pedra é Rosi Mari Portugal, esposa de Ari e mãe de Rafaelle – até pouco tempo atrás, ela nunca havia trabalhado na área, já que é professora de cálculo em cursos de engenharia. Hoje é ela que faz tudo, desde a definição do cardápio até a compra dos ingredientes. O almoço é servido em pequenas porções individuais em um buffet e cada um pode se servir como quiser. “Quis bolar uma forma diferente do buffet tradicional, que não me agrada muito. Assim acho que as pessoas conseguem provar mais coisas”, explica ela.

Entre as opções, há queijos, pães, bruschettas, saladas de melão com tomate e molho de vinho do Porto; ceviche de manga; repolho com gergelim e amêndoas tostadas; e caponata de berinjela. Já entre os pratos quentes, tem polenta cremosa com ossobuco, batata gratinada com brie, barreado e moqueca de camarão. As receitas são de família e foram pensadas justamente para harmonizar bem com os espumantes Tunnel – mas além deles, há também alguns vinhos de fora disponíveis no restaurante.

História

Descida até a entrada da Cave - lugar está a 10 km do Pico Morumbi. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Descida até a entrada da Cave – lugar está a 10 km do Pico Morumbi. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Os espumantes caíram no colo da família Portugal meio que por acaso – e a história é bastante curiosa. Em 1999, Ari Portugal comprou uma propriedade de 45 hectares aos fundos da Estação Ferroviária de Roça Nova, em Piraquara, com o intuito de criar uma pousada ecológica no local. No ano seguinte, arrematou também o túnel ferroviário desativado que fica a 140 metros da estação – isso tudo ainda pensando no projeto da pousada.

Até que, um dia, enquanto estava na propriedade, viu uma pessoa desconhecida que lhe disse que o túnel valia ouro, pois na França lugares semelhantes eram usados para maturar espumantes. “Nunca tive muito contato, mas resolvi pesquisar e acabei descobrindo que ela tinha razão”.

  • Para chegar à área em que ficam as garrafas, é preciso pegar um trenzinho. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo
  • Entrada da cave - nesta parte à direita, é finalizad o processo de fabricação do espumante. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo
  • Cave onde envelhecem os espumantes. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo
  • Ari Portugal mostra as leveduras na garrafa de espumante. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo
  • Espumantes prontos para degustação ao final do passeio, dentro da cave. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo
  • Seu Ari Portugal, que conduz o passeio, explica um pouco sobre os espumantes. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

O túnel ferroviário, construído em 1885 e desativado em 1969, tem até hoje as marcas da Maria Fumaça na parte de cima – mais do que uma ótima atmosfera para envelhecimento de espumantes, o local faz parte da história paranaense. São 429 metros de comprimento, 5 metros de altura e 3,5 metros de largura. E o mais importante: lá dentro a temperatura é sempre constante, 16 ou 17 graus, e a umidade relativa do ar fica sempre em torno de 90%, que é justamente necessário para a maturação das bebidas.

Fizeram, então, uma parceria com a Cave Geisse, do Rio Grande do Sul, que produz lá os espumantes e os envia para envelhecer na Colinas de Pedra – as garrafas ficam por lá por pelo menos dois anos (mas já há garrafas envelhecidas por quatro anos que estão à venda. Além disso, há um lote separado que ficará no túnel por alguns bons anos antes de ser degustado. Por enquanto, ainda não há espumantes de outras caves envelhecendo lá, mas a ideia é que isso mude ao longo dos próximos meses – estão previstas parcerias com outras vinícolas inclusive do exterior.

Do ponto de vista estrutural, pouco mudou – apenas foram adicionadas duas portas e pavimentação, o restante continua exatamente como na época em que os trens por lá passavam. Atualmente, cabem 50 mil garrafas no túnel mas, com as devidas adaptações, esse número pode chegar a um milhão.

Serviço – Cave Colinas de Pedra:

Entrada da antiga estação - é aí que é servido o almoço. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Entrada da antiga estação – é aí que é servido o almoço. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Cave Colinas de Pedra – Antiga estação ferroviária de Roça Nova. Funciona de quinta a domingo das 10h às 17h – às quintas e sextas, atendem apenas a grupos fechados (pelo menos 25 pessoas), já aos sábados, domingos, a visitação é aberta ao público. Em ambos os casos, é necessário reservar antes. Nos finais de semana, há dois horários para a visitação – às 11h, seguido de almoço; ou às 14h30, com almoço antes.

O valor da visita à cave e almoço é R$ 180 por pessoa (bebidas do almoço não inclusas), crianças de até cinco anos não pagam e as de cinco a 12 anos pagam metade. O valor apenas da visita é R$ 60 e, apenas do almoço, R$ 120. Recomenda-se uso de sapatos fechados e casaco – a cave é úmida e tem temperatura constante de 16 graus. Mais informações pelo WhatsApp, número (41) 99667-5000 e reservas pelo email contato@cavecolinasdepedra.com.br.

Como chegar: A partir das alças do Contorno Leste/PR 415, em Piraquara, seguir em direção ao centro da cidade de Piraquara (mais ou menos 2,5 km). Passando a Prefeitura, virar à direita no Posto Ipiranga, pela Rua Maria Carolina Wilk e seguir até o final (cerca de 500 metros). Virar à direita, pela Rua Nova Tirol, e seguir em frente por aproximadamente 3,5 km, até chegar no Posto de Saúde das Capoeiras dos Dinos. Neste ponto, virar à esquerda pela Rua Antonio Brudeck e seguir por 5 Km, até chegar na Antiga Estação Ferroviária de Roça Nova, hoje Cave Colinas de Pedra.

Serviço – Espumantes Tunnel:

Espumantes Tunnel. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Espumantes Tunnel. Foto: André Rodrigues / Gazeta do Povo

Os espumantes envelhecidos na Cave Colina de Pedra estão à venda em apenas dois lugares – na própria cave e no hotel Noma, em Curitiba – Rua Gutenberg, 168, Batel. Os preços são: Nature (R$ 88), Brut Rosé (R$ 93), Brut (R$ 88), Moscatel Rosé (R$ 45) e Moscatel (R$ 45).

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