Bebidas

Produção artesanal

Cervejarias não costumam usar substância que intoxicou 9 em BH

por Marina Mori Publicado em 10/01/2020 às 17h
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Em meio a uma investigação policial sobre a intoxicação de nove pessoas em Belo Horizonte (MG), uma delas vítima fatal, a cervejaria mineira Backer afirmou nesta sexta-feira (10) que não utiliza dietilenoglicol em sua produção. A empresa foi eleita melhor cervejaria do Brasil pelo Concurso Brasileiro de Cervejas e melhor cervejaria das Americas pela Copa Cervezas de America em 2019.

A substância, encontrada em duas amostras da cerveja Belorizontina (lotes L1 1348 e L2 1348), foi indicada como a causa da ‘doença misteriosa’ em laudo preliminar da Polícia Civil de Minas Gerais. O caso foi divulgado na noite de quinta-feira (9). Os lotes em questão, formados por 66 mil garrafas, serão retirados do mercado por precaução.

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Cerveja Belorizontina, da cervejaria mineira Backer, é investigada como suspeita pela intoxicação de nove pessoas. Foto: Reprodução Instagram / Cervejaria Backer

“A Backer reforça que a substância dietilenoglicol não faz parte de nenhuma etapa do processo de fabricação de seus produtos, inclusive da Belorizontina”, publicou a cervejaria mineira no Instagram no início da tarde desta sexta.

O dietilenoglicol, também conhecido como éter de glicol, é uma substância anticongelante utilizada em produtos químicos e na indústria farmacêutica. De aparência viscosa e inodora, é classificado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como um “solvente orgânico altamente tóxico” que oferece risco de morte se ingerido.

Seu uso, contudo, não costuma ser associado à produção de cervejas. “É extremamente incomum. A maioria das cervejarias usa uma mistura de álcool etílico e água como um líquido refrigerante padrão”, explica Luis Celso Jr., sommelier de cervejas e colunista do Bom Gourmet.

O processo de resfriamento, diz ele, é uma etapa essencial na fabricação da bebida. “Precisa disso para algumas etapas de troca de calor, mas sempre com substâncias não tóxicas”. Carlo Giovanni Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), reforça este padrão.

“Nas cervejarias artesanais, quase a totalidade utiliza álcool etílico, que é o álcool utilizado na produção de licor. Não tem nenhum tipo de risco de contaminação se tiver algum contato direto com a cerveja”.

Como funciona o resfriamento dos tanques de cerveja

Uma coisa é certa: em nenhum momento a bebida deve entrar em contato com o líquido refrigerante. O tanque é revestido por duas lâminas de aço inoxidável; no meio delas fica a camisa, uma estrutura de serpentina que abriga a substância que mantém a baixa temperatura do processo.

Para que a cerveja seja contaminada com qualquer elemento, tanto a serpentina quanto a primeira camada do tanque teriam que estar danificadas.

“É muito raro [haver] um vazamento do sistema de refrigeração. E, quando ele vaza, ele vaza para dentro desse ‘sanduíche’ que é feito o isolamento térmico”, disse Lapolli em uma mensagem de áudio enviada por WhatsApp aos grupos de pessoas envolvidas no universo cervejeiro. “Eu não tenho notícia de um vazamento para dentro do tanque”.

Procurada pela reportagem, a cervejaria Backer não respondeu à solicitação de entrevista.

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