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Chef brasileira é a única mulher no júri do concurso internacional Bocuse d’Or

Aos 28 anos, a alagoana Giovanna Grossi foi pupila do renomado chef francês Laurent Suaudeau e hoje comanda Academia Brasil d’Or

por Bom Gourmet Publicado em 30/01/2019 às 15h
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Entre as 24 cadeiras do júri do Bocuse D’Or, talvez a maior competição do mundo para jovens cozinheiros, que está sendo realizada esta semana em Lyon, na França, apenas uma é ocupada por uma mulher. Aos 28 anos, a alagoana Giovanna Grossi é a primeira brasileira a fazer parte da comissão julgadora do concurso. Como ela chegou lá?

Veja quem ganhou o Bocuse d’Or 2019

Sua história com a gastronomia é longa. Filha de pais restaurateurs em Maceió, formou-se na área aos 19 anos. Mudou-se para a Europa onde trabalhou por quatro anos em restaurantes estrelados na França e na Espanha.

Atualmente, Giovanna comanda a Academia Brasil d’Or, organização sem fins lucrativos que ela fundou e cujo objetivo é divulgar a gastronomia nacional e formar times de cozinheiros brasileiros para competir no Bocuse d’Or. A soma de seus feitos e conquistas repercutiu especialmente no fim de 2018, quando a alagoana apareceu na edição Under 30 da revista Forbes como uma das jovens mais bem sucedidas antes dos 30 anos.

Da competição ao júri

Essa não é a primeira vez que a cozinheira participa do Bocuse d’Or. Hoje Giovanna integra o júri da edição 2019 (a competição é realizada a cada dois anos), mas em 2015 ela participou da Copa da gastronomia como concorrente.

Em outubro daquele ano, ela venceu a etapa nacional. No ano seguinte, em fevereiro, a jovem chef foi vencedora da etapa latino-americana, no México, com receitas feitas a partir de jambu, tucupi e farinha de uarini. Em 2017, chegou às finais do concurso mundial, mas não ganhou. Mesmo assim, foi a primeira mulher brasileira a alcançar esse feito.

Além dela, a chef uruguaia Jessika Ton formava a representatividade feminina da competição naquele ano, disputada por 24 profissionais.

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Giovanna Grossi durante a final do Bocuse D’Or 2017. A alagoana foi a primeira mulher brasileira a chegar tão perto da vitória da Copa da gastronomia. Foto: Reprodução / Instagram

Desde então, seu trabalho é dedicado ao evento. Em meados de janeiro deste ano, herdou a cadeira de Laurent Suaudeau (seu treinador) e se tornou a presidente do campeonato no Brasil. No discurso de transmissão do bastão à jovem, o chef francês  radicado em território brasileiro há quase 40 anos disse que não foi fácil convencer o comitê francês a eleger uma mulher brasileira para substitui-lo. Seu principal argumento foi levantar a incoerência de que a seleção brasileira seja presidida por um francês.

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Bocuse D’Or

O Bocuse D’Or é um concurso que existe desde 1987. Considerado a Copa da gastronomia, o campeonato foi criado pelo chef francês Paul Bocuse (1926 – 2018), um dos fundadores da nouvelle cuisine e considerado um dos maiores cozinheiros da história, e ocorre durante a Sirha, a principal feira de negócios de hotelaria e alimentação do mundo.

O Brasil sediou três edições do evento desde 2015 (duas no Rio de Janeiro e uma em São Paulo). No fim do ano passado, a GL Events, multinacional francesa responsável pela feira, cancelou a quarta edição, que ocorreria em março, no São Paulo Expo.

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