Bebidas

Notas báquicas

Degustação às cegas: Pinot Noir da Nova Zelândia

Guilherme Rodrigues avaliou diversos rótulos destes vinhos e aponta quais são as melhores compras. Prova teve participação de leitor do Bom Gourmet

por Guilherme Rodrigues - guilhermer@gazetadopovo.com.br Publicado em 09/05/2013 às 00h
Compartilhe

Os leitores escolheram o tema, demonstrando o interesse por vinhos diferentes e num estilo mais elegante e menos pesado. Opções diferenciadas no mundo de Baco. A uva Pinot Noir dá alguns dos mais fabulosos, icônicos e caros tintos do mundo, dentre eles o mítico Romanée-Conti. A uva é de difícil cultivo. Gosta de latitudes altas, com verões quentes, mas não demais, e dias muito longos e luminosos. Também amplitude térmicas. Foi levada para o extremo sul do planeta e frutificou lindamente na Nova Zelândia.

O reverendo Samuel Marsden, pioneiro no plantio de vinhas nas longínquas ilhas, em 1819, jamais sonharia com a explosão de parreirais que seria vista no final do século 20. E ainda para a elaboração de tintos e brancos aclamados pelos mais exigentes mercados. Sem falar na Pinot Noir!

Os Pinot Noir neozelandeses dizem pureza, limpidez, frescor e caráter cristalino. Refletem a imagem da natureza local, formado por duas grandes ilhas. O cultivo iniciou-se na ilha Norte, de latitudes mais baixas. Migrou em direção a latitudes mais elevadas e temperaturas mais frescas, intensificando-se nas duas mais famosas regiões, Hawkes Bay (a sudeste da Ilha Norte) e Marlborough (a nordeste da Ilha Sul). No extremo sul fica a região de Otago, na latitude mais elevada de cultivo de vinhas no hemisfério, a 45°S, quase a mesma da região da Borgonha.

A prova confirmou que os Pinots neozelandeses irradiam uma textura sedosa, fruta madura, sofisticada e ao mesmo tempo fresca, vivaz, estimulante, limpidez cristalina e elegância. Donos de ótima intensidade, não são pesados. Seus componentes exibem-se com delicadeza, refinamento e beleza. Possuem excelente equilíbrio, e não são dominados pela madeira. Vinhos suculentos que fazem salivar, estimulam e acariciam os sentidos, sem pesos nem arestas. Ao fundo, uma estrutura que dá foco e nitidez. São vinhos sedutores.

Devem ser apreciados numa temperatura entre 14 graus C e 16 graus C. Acom­panham lindamente uma grande variedade de pratos, como aves, caça, carnes brancas, alguns peixes, embutidos, legumes, escargots, champignons.

Tivemos o prazer de receber, pela primeira vez, o leitor Marco Bührer (escolhido pelo concurso cultural no facebook do Bom Gourmet) que participou da prova às cegas dos 14 rótulos. Também o renomado crítico de vinhos e gastronomia Luiz Carlos Zanoni e Carlos Coelho, da redação do Bom Gourmet.


Estilo de Vida | 1:40

Leitor participa de degustação de vinhos do Bom Gourmet

O educador físico Marco Bührer foi o sortudo selecionado para participar da prova às cegas da edição de maio da revista. Veja como foi a avaliação

Diego Pisante / Gazeta do Povo
Guilherme Rodrigues e o leitor Marco Bührer

Compartilhe

8 recomendações para você