Experiência

Visibilidade

Do plantio à torra: projeto joga luz ao trabalho das mulheres na produção do café brasileiro

A idealizadora do projeto compra as sacas, torra, embala e comercializa o café contando a história dessas produtoras

por Eloá Cruz, especial para a Gazeta do Povo Publicado em 22/04/2019 às 18h
Compartilhe

Uma observação incomodava a barista Fabiola Jungles, que trabalha há cinco anos na profissão. Ao preparar cafés especiais, ela achava estranho nunca ter visto o nome de uma mulher entre os produtores e preparadores do grão. “Eu observava isso e achava que era só impressão, será que não tem mulheres produzindo?”, questionava a barista.

A dúvida ficou guardada até que, durante uma visita a produtores em Minas Gerais, Fabiola conheceu muitas produtoras, mulheres que plantavam, colhiam e lidavam com o café. O projeto Consolida nasceu com o intuito de dar visibilidade a elas.

<< Onda das cafeterias especiais cresce no interior de Minas Gerais

Produtora Yuki Minami, verificando o café no terreiro suspenso, de São Gotardo/MG, região do Cerrado. Foto: Arquivo pessoal / Yuki Minami

Essa história foi contada pela barista durante o primeiro encontro Intersecções em Economia Criativa, realizado em Curitiba, em que se discutiu a importância do café como cultura alimentar. O bate papo reuniu baristas, produtores e apreciadores do grão.

Como funciona

O projeto Consolida funciona da seguinte forma: a cada mês, uma produtora é escolhida. A Fabiola, idealizadora, compra uma saca de café dessa produtora e conhece a história dela. O café é torrado e embalado em versões de 60 ou 250g, pode-se escolher moído ou em grãos. Quem entra no site do projeto faz a encomenda e conhece a história por traz daquela produção. A cada ciclo de venda, uma arte exclusiva acompanha o produto.

Para a idealizadora, o objetivo do projeto é promover o protagonismo feminino na produção cafeeira, mostrar que há mulheres trabalhando em todas as etapas – do plantio a torra. “Vender só uma saca de café não vai impactar na economia delas, mas vai dar visibilidade. Esse gosto pelo reconhecimento, ao ver o nome delas no café, é o que me emociona”, comemora ela.

produtora-lucimeire-martins

Produtora Lucimeire Martins ~de São Gonçalo do Sapucaí/MG, região da Mantiqueira de Minas, levando café para ser descascado. Foto: Acervo pessoal / Lucimeire Martins

Melhor café do Brasil

Fabiola sempre procurou contar novas histórias a cada ciclo. De janeiro de 2018 até agora, 13 produtoras foram contempladas. Uma delas, Patrícia Borges, participou do projeto duas vezes – mas não ao acaso. O café da mineira de São Gonçalo do Sapucaí conquistou o terceiro lugar no concurso Melhor Café do Brasil 2018, prêmio idealizado pela SIC – Semana Internacional do Café.

Há produções que envolvem mãe e filha, há outras em que a produtora trabalha com o marido, outras têm seus próprios funcionários. Para Fabiola, o importante é que no projeto Consolida, a mulher seja atuante na produção: seja como provadora, ou cuidando da secagem dos grãos. “O importante é focar que existem mulheres no campo trabalhando. Não queremos diminuir a participação dos homens, mas valorizar o trabalho delas”, conclui.

<<< Quem disse que não pode ferver a água para passar o café?

Produtora Fernanda Maciel em sua propriedade, de Pedregulho/SP, região da Mogiana. Foto: Arquivo pessoal / Fernanda Maciel.

Compartilhe

8 recomendações para você