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entrevista exclusiva

“Não achei que eu seria o cara mais querido dessa edição”, confessa curitibano Ravi Leite

Competidor eliminado do MasterChef disse que teria cozinhado diferente se pudesse voltar no tempo; leia a entrevista completa

por Flávia Schiochet Publicado em 01/11/2017 às 19h
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O curitibano Ravi Leite foi o eliminado da noite de 31 de outubro na segunda edição do Masterchef Profissionais. A saída do cozinheiro de 26 anos foi uma das mais emocionantes do reality show, que segue com seis competidores. “Minha torcida vai para Irina, Pablo e Raíssa”, diz Ravi, que concedeu uma entrevista exclusiva para o Bom Gourmet. Leia os principais trechos:

Choradeira: Ravi Leite foi acompanhado por Francisco e Erick Jacquin até a saída. (Foto: Reprodução)

Choradeira: Ravi Leite foi acompanhado por Francisco e Erick Jacquin até a saída. (Foto: Reprodução)

Projeção nacional

“A gente grava bem antes de o programa começar a ser exibido, então quando a Ana Paula Padrão fala ao final do episódio que conquistei ‘muita gente’, o programa ainda não tinha ido ao ar. Na minha cabeça eu não achei que eu seria o cara mais querido dessa edição. Achei que a galera ia me odiar por causa do meu jeito meio marrento. Não achei que eu tivesse carisma. Na verdade eu achei que quem ia bombar na edição era o Clécio. Era o que mais me fazia dar risada no camarim e nas provas. E ele cozinha muito, apostava muito nele. Falei para ele: ‘Eu vou sair daqui e quero ser teu assessor. Me dá teu Instagram pra eu cuidar, você vai ser o cara’.”

 

Ravi Leite, curitibano que disputa a segunda edição do Masterchef Profissionais. Foto: Jader da Rocha/Divulgação

Ravi Leite, curitibano que disputou a segunda edição do MasterChef Profissionais. Foto: Jader da Rocha/Divulgação

Fama e convites

“Eu não sei ainda se essas coisas levam a algum lugar. É mais momentâneo. Tô focando no meu restaurante [o Hi Pokee, em São Paulo], acredito muito nele. Já tinha fila no almoço e jantar, até terça tem fila de espera. Mas agora dá pra perceber que muita gente vem falar comigo: ‘Ravi, vim por tua causa’. Aí eu sei que foi por causa do programa. Na rua a galera pede pra tirar foto, buzina o carro e me chama.

No jantar que servi no +55 [em Curitiba, na mesma noite em que o episódio de sua eliminação foi exibido] foram 180 pratos, das 19 às 22h. Fiquei cabreiro, achei que ninguém ia aparecer. Eu nunca acho que a galera vai, dizem que é coisa do meu signo. Que canceriano sofre antes de as coisas acontecerem”.

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Superstição

“Tenho essa superstição de o número nove ser um bom sinal desde sempre. Fui eliminado justamente no nono episódio, mas tenho que interpretar como um bom sinal. O nove tá em tudo na minha vida. Por exemplo: eu nunca vou colocar o despertador pra acordar às 7h30 e sim 7h20, porque 7 + 2 = 9. Eu tento frear ou acelerar para passar na lombada eletrônica a 36 km/h ou 27 km/h. O que em que algo dá errado é porque eu não prestei atenção em algo, não vi o nove.

É a mesma lógica que o cortador de unha. Aquele dia em que eu mandei bem em uma prova eu descobri que estava com um cortador de unha no bolso. Era um dia que eu estava com pressa e saí atrasado de casa. Fui cortando a unha no metrô até chegar ao ponto de encontro da prova.

Quando eu fui fazer o primeiro teste para o MasterChef, meu pai veio de Curitiba para São Paulo e estava lá em casa porque tinha um trabalho na cidade. Quando eu cheguei nos estúdios e fui abrir meu estojo de facas tinha um papel com recado dele: ‘Boa sorte! Aqui é 9!’, aí pensei que ia dar certo”.

Prova final

“Eu não lembro de ter estado mal no dia. Eu sempre ficava apreensivo antes de qualquer prova. Quando a gente ficava no camarim, eu ficava na minha, não ficava agitando.

A avaliação dos chefs fez sentido: se eu tivesse feito um consomé e clarificado o caldo, teria tido uma avaliação melhor. A sopa estava excelente, eu provei várias vezes. No dia, a [jurada] Paola Carosella falou que se eu tivesse na praia cozinhando para a família, o prato estaria nota 10. A gente sai por causa de detalhe. A gordura era do azeite, não era uma gordura ruim. Mas se eu pudesse mudar, teria clarificado o caldo e não colocado o azeite. Se tivesse clarificado também não teria a areia do vôngole, que eu cuidei para não passar. Acontece.

Acho que outra coisa que pesou para a minha saída é que minha barba é meio ruiva e a do Francisco é branca. Experiência também conta”.

Comportamento e experiência

“Sou piá. Tenho 26 anos de idade. E a única coisa que os caras querem que eu mude é que eu aparente ser a experiência que eu tenho. Não sei explicar. Para a minha idade eu acho que sei para caramba. Sei porque trabalhei com Laurent Suaudeau e não tem ninguém melhor no Brasil que ele. Não tem Alex Atala [do D.O.M. e Dalva e Dito], Ivan Rálston [do Tuju] ou Helena Rizzo [do Maní]. Não tem pra ninguém. Se o Laurent acha que eu sou bom, quem é outra pessoa pra dizer que não sou bom?

Quando eu trabalhava com ele só não podia usar barba, mas o jeito que uso o avental, a camiseta por baixo do dólmã, nada disso importava. Importa se sabe cozinhar. Quando o programa começou a ser exibido, lá pelo segundo ou terceiro episódio, o Laurent me mandou uma mensagem falando para baixar um pouco a minha bola porque eu tava muito confiante e que isso poderia quebrar minhas pernas. Mas naquela época eu já sabia em qual episódio eu seria eliminado”.

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