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Microdestilaria de Curitiba cria gim com especiarias e castanhas brasileiras

Inspirada nos gins contemporâneos alemães, a Hambre Gin é responsável pela primeira versão curitibana do destilado

por Marina Mori Publicado em 03/07/2019 às 18h
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Quem passa em frente ao galpão da destilaria Hambre Gin em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, nem percebe que atrás das portas altas de aço a produção do primeiro gim curitibano é feita por apenas quatro mãos. Duas delas cuidam da receita e pertencem ao mestre-destilador Guilherme Neme Bossoni e as outras duas, do administrador Eduardo Pereira Alves, são responsáveis por espalhar a nova marca nacional aos quatro ventos.

Os amigos de longa data e recém-sócios lançaram o primeiro rótulo oficialmente em fevereiro de 2019, mas suas experiências com gim começaram há três anos, em 2016. “A gente fazia gim em casa, num destilador com capacidade para cinco litros, para beber com os amigos e a família”, conta Eduardo, rindo. Ele aponta para o objeto de cobre e relembra as aventuras etílicas com Guilherme, quando os dois arriscavam combinações inusitadas de botânicos na infusão de água, álcool de cereais e zimbro.

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Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

Hoje, o pequeno alambique parece um brinquedo em comparação ao que os dois agora usam para fabricar a bebida. A versão industrial também é feita de cobre mas, em vez dos tímidos cinco litros que o destilador caseiro fazia, este tem capacidade para produzir até oito mil garrafas de 750ml por mês.

A receita também deixou de ser experimental. Depois de 50 testes, Guilherme e Eduardo chegaram ao gole perfeito: um gim london dry (quando apenas água é adicionada ao fim do processo) com 45% de teor alcoólico e feito com 14 botânicos nacionais e importados.

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De fora do Brasil vem o zimbro (ingrediente essencial à bebida) da Polônia, o coentro da Bulgária, a canela do Sri Lanka; daqui, as castanhas-do-pará e de caju, a physalis e a baunilha orgânica da Bahia. O resultado é um destilado equilibrado, aromático e complexo ao melhor estilo dos gins contemporâneos.

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Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

“A gente se baseou nos gins alemães para criar o nosso”, conta Eduardo Alves. O gim clássico, criado na Holanda e popularizado pelos britânicos nos últimos dois séculos, tem sabor predominante de zimbro, um pequeno condimento arredondado com sabor de resina e pino, típico do norte da Europa.

As versões modernas, por outro lado, combinam mais botânicos para tornar a bebida mais intensa e complexa em termos de sabor. “Tem gim renomado inglês com só quatro botânicos e tem o Monkey 47, alemão, com 47 botânicos na fórmula. Eles costumam ter mais sabor que o gim tradicional”, explica o mestre-destilador Guilherme Neme.

Os alemães têm sido referência nesta missão e Eduardo Alves acompanhou de perto o boom do gim: em 2009, quando o destilado voltou à cena da coquetelaria mundial após um período de baixa durante os anos 1990, o empresário morava em Munique, na Alemanha. “Começaram a surgir microdestilarias em todo lugar e cada uma fazia um gim diferente”.

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Não é exagero. Da última década para hoje, estima-se que existam mais de 10 mil destilarias no território alemão, segundo o site especializado Gin Foundry. No Reino Unido, os últimos cinco anos foram marcados por um crescimento de 20% no consumo da bebida, de acordo com a Wine and Spirit Trade Association, representante de inúmeras companhias de vinhos e destilados da região.

“No Brasil está acontecendo agora. Toda semana a gente fica sabendo de alguma destilaria que abriu aqui. Acho que existem umas 50 no país”, diz Neme.

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Guilherme Neme e Eduardo Alves, sócios da Hambre Gin, marca responsável por criar o primeiro gim curitibano. Foto: Jonathan Campos / Gazeta do Povo

Para dar conta do cenário acelerado, os curitibanos têm ganhado território rapidamente. Em menos de quatro meses, o gim curitibano conquistou espaço ao lado de grandes marcas importadas que ilustram as prateleiras de bares e restaurantes da capital paranaense e também de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Em Curitiba, boa parte das 2.500 garrafas produzidas por mês abastecem locais como Cho e Ponto Gin, no Shopping Hauer, e restaurantes renomados como o Manu, da premiada Manu Buffara, e La Varenne. Empórios e adegas da região também comercializam a bebida, que pode ser adquirida por uma média de R$ 70.

Como um gim é feito?

O mestre-destilador Guilherme Neme Bossoni explica o passo a passo da produção da bebida no vídeo abaixo. Confira:

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