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Vinho em vinícola
Vinícola na região da Campanha Gaúcha.| Foto: Julio Soares/Ibravin/arquivo

O Brasil brinda os vinhos e espumantes brasileiros com o orgulho que o setor vitivinícola nacional sempre buscou. Sim, somos jovens neste universo tão complexo, mas ao mesmo tempo somos maduros. Nenhum outro país do mundo desenvolveu esta cadeia tão rapidamente como o Brasil. Evoluímos como os grandes vinhos.

Porque nos espelhamos nos grandes produtores mundiais sem deixar de lado nossas particularidades, nossa diversidade de terroirs, nosso perfil descontraído. Plantamos muito trabalho, conhecimento e sensibilidade, e estamos colhendo tudo isso, engarrafando histórias, vinhos e espumantes que são reconhecidos mundialmente.

O grande avanço veio nos últimos 20 anos com a profissionalização do setor, que transformou a vitivinicultura brasileira. Nossos enólogos foram se especializar no exterior, nossas vinícolas investiram pesado em tecnologia do vinhedo à comercialização. O resultado são produtos altamente competitivos com qualidade internacional, o que nos trouxe o respeito mundo afora, agora percebido e descoberto pelos brasileiros.

Tudo isso permitiu a alta nas vendas do vinho nacional este ano, mesmo em tempos de pandemia. Fatores econômicos, de logística, tributários, avanço da qualidade, diversidade, novas regiões produtoras, desenvolvimento do enoturismo, mudança de hábitos em razão da pandemia e locavorismo contribuem para este ganho de competitividade. Este aumento nos trouxe uma dose de ânimo que há tempos não vivíamos. Nos últimos anos, amargamos queda na comercialização. O câmbio favorável foi fundamental para esta performance.

Segundo o Sistema de Declarações Vinícolas (SISDEVIN) da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, a alta foi de 37,22% nas vendas de vinhos finos e espumantes de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado.

De gole em gole, fomos conquistando mais espaço na mesa do brasileiro e conseguimos romper a barreira dos 2 litros de consumo per capita, hoje em 2,13L. A qualidade incontestável dos rótulos nacionais, atestada por quase 5 mil premiações em concursos internacionais, é acompanhada pela diversidade. Hoje, são 26 regiões produtoras, o que permite ao Brasil ter um portfólio variado que atende os mais variados, estilos e momentos.

Com bares e restaurantes fechados em razão da pandemia, encontramos na venda direta ao consumidor uma forma de enfrentar o momento, o que deu excelente resultado. O consumo da bebida em casa aumentou, levando as pessoas a visitarem lojas virtuais de vinícolas, comprando vinhos direto da fonte ou então em supermercados, que por serem essenciais nunca fecharam.

Hoje, temos uma melhor distribuição, acessibilidade diante da aceleração do e-commerce e preço competitivo. Outro fator que contou a nosso favor foi a queda da Substituição Tributária (ST) em estados como o RS, SP, SC, PR e BA. Agora, estamos trabalhando com o Governo do Rio Grande do Sul para que Rio de Janeiro e Minas Gerais sigam o mesmo exemplo.

Depois de viver a ‘Safra das Safras’, estamos às vésperas de mais uma vindima, trabalhando na retomada segura do turismo, o enoturismo, grande responsável pelo sustento das pequenas vinícolas familiares que são maioria no setor. Por fim, acabamos de assinar o convênio com o Governo do Estado [Rio Grande do Sul] e ter a liberação do Fundovitis com R$ 12 milhões de recursos para a promoção do vinho brasileiro com um plano de trabalho já aprovado e que será colocado em prática em 12 meses.

Seguimos plantando, orgulhosos do que já colhemos. E vamos seguir evoluindo, assim como os grandes vinhos. Se você ainda não descobriu o vinho brasileiro esta é uma boa hora para abrir uma garrafa e brindar a vida. Escolha um rótulo de algum produtor local, convide os amigos e deguste às cegas, livre de qualquer imagem ou conceito pré-estabelecido.

Saúde e vida longa aos vinhos brasileiros!

*Deunir Argenta é presidente da Uvibra, a União Brasileira de Vitivinicultura.

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