ParkShopping Barigui
Um dos shoppings fechados pela fiscalização, o ParkShopping Barigui afirmou que suspendeu os serviços de delivery e balcão (take away).| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

As lanchonetes e restaurantes localizados dentro dos shoppings centers de Curitiba, que estavam servindo apenas na modalidade de delivery, foram fechados pela Prefeitura na tarde desta segunda-feira (6) . De acordo com relatos de operadores, os fiscais chegaram munidos do decreto estadual 4942/20 que institui a quarentena em sete regiões do Paraná, proibindo qualquer tipo de atendimento nos centros de compras até o dia 14.

Os fiscais da Vigilância Sanitária informaram aos operadores que nem mesmo as atividades de alimentação por delivery poderiam funcionar. Também foi determinado o bloqueio do acesso de funcionários que fariam a retirada de ingredientes perecíveis na manhã desta terça-feira (7).

A ação deste começo de semana pegou os empresários de surpresa, já que eles estavam funcionando apenas no delivery desde o início da quarentena, no dia 1º de julho, amparados pela regra do decreto que proibiu apenas o atendimento presencial nos shoppings. O documento permite às lanchonetes e restaurantes operarem nas modalidades de delivery, drive-thru e balcão (take away) sem especificar se vale apenas para os localizados nas ruas ou também nas praças de alimentação.

Sócio da rede Sushiaki com lojas nos shoppings Palladium, Mueller e Curitiba, Ener Komagata diz que não sabe o que fará daqui para frente, já que o novo fechamento tornará as operações insustentáveis.

“A fiscalização chegou com a polícia e nos deu pouco tempo para sair e desmontar a operação. Hoje nem meus funcionários puderam entrar para tirar os perecíveis. Faltou clareza no decreto, e com esse abre e fecha de uma semana para a outra, estamos praticamente pagando para os colaboradores ficarem em casa”, conta o empresário que também é membro dos conselhos administrativos da seccional Paraná da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-PR) e da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar).

Komagata diz que estava conseguindo fazer com o delivery apenas 10% do faturamento normal da rede, e já tinha recuperado mais 10% com o atendimento presencial permitido nas últimas três semanas pelo Governo do Estado. Segundo o empresário, a rede ainda está conseguindo se manter em pé com o faturamento das outras duas lojas de rua nos bairros do Alto da Glória e Campina do Siqueira, voltadas ao delivery.

Sem argumento

Sócia e gestora da filial curitibana do restaurante paulista Pecorino, no Shopping Mueller, Suzana Porto diz que os fiscais chegaram na loja apresentando apenas o artigo do decreto que proíbe o funcionamento, sem qualquer chance de argumentação.

“O delivery o cliente nem vai até o shopping, mas a frase foi escrita muito genérica, e deram um prazo muito pequeno para todo mundo sair. Não teve argumento e nem conversa”, diz.

Os funcionários dela precisaram ir à loja pela manhã cumprir o protocolo técnico interno de fechamento e também foram proibidos de entrar. Suzana conta que o serviço de delivery estava vendendo bem e já tinha tudo preparado para operar na ação Pedido Bom Gourmet do aplicativo Vina, que começa nesta quarta (8).

Situação semelhante foi vivida nas três unidades do Outback na cidade, nos shoppings Mueller, Curitiba e ParkShopping Barigui. A rede também tinha desenvolvido todo um protocolo específico para delivery e vinha vendendo apenas por este canal desde março. Em nota à reportagem, a Bloomin' Brands, detentora da marca, informou que suspendeu as atividades em cumprimento ao decreto municipal 875/20 “até novo direcionamento dos órgãos competentes”, e que seguirá acompanhando as atualizações.

A assessoria de imprensa do ParkShopping Barigui confirmou que todos os serviços de delivery e balcão (“take away”) foram suspensos após a fiscalização.

Decreto

Ao Bom Gourmet, a assessoria de imprensa do gabinete do prefeito Rafael Greca informou no final da tarde que “conforme Decreto Estadual 4942/2020 os shoppings centers estão com funcionamento suspenso. Nesta segunda-feira (6/7) quatro shoppings da cidade estavam funcionando com atendimentos irregulares, nas modalidades delivery, drive-thru ou take away”.

Já o Governo do Estado disse à reportagem, através da assessoria de imprensa, que o questionamento foi levado para discussões internas e que uma explicação mais completa será divulgada nesta quarta (8).

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