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Havanna muda modelo de negócios no Brasil e aposta em cafeterias de rua ‘to go’

  • PorStephanie Abdalla, especial para o Bom Gourmet
  • 27/08/2020 09:58
Cafeteria Havanna 'to go'
Quiosque no shopping de Cascavel é projeto piloto do plano de cafeterias ‘to go’ da Havanna.| Foto: divulgação

Com produtos comercializados em dez países da América Latina, América do Norte e Europa, a Havanna é conhecida por ser uma marca tradicional que oferece o típico modelo de negócios de atendimento em mesa e que se consolidou no varejo de presentes, principalmente em épocas festivas.

No entanto, seguindo uma nova tendência de serviços de delivery, “take away” e “to go” e impulsionada pelas demandas geradas pela pandemia do novo coronavírus, a marca decidiu apostar em um modelo de cafeterias de rua, especificamente desenhado para a rede no território brasileiro.

Esse novo modelo de negócios, de acordo com o gerente de implantação e expansão da Havanna, Thiago Santana, começou a ser planejado no fim do ano passado quando a marca percebeu que tinha dificuldades de se consolidar em alguns pontos específicos das cidades por conta do valor do serviço que prestava ao seguir o sistema de atendimento tradicional.

Segundo Santana, as cafeterias de rua que atuam na modalidade “to go” – sistema de atendimento rápido, no qual os clientes fazem e retiram seus pedidos no balcão, muitas vezes sem espaço para comer no local – foram a alternativa escolhida pela Havanna para alcançar clientes em áreas muito movimentadas das cidades ou shoppings pequenos com baixo fluxo de pessoas.

“Nesses pontos, as pessoas dificilmente param para consumir o que compraram e isso tornava inviável a abertura de novas lojas da Havanna. O sistema de cafeterias ‘to go’ é mais dinâmico e tem investimento reduzido para os franqueados, já que depende de menos espaço e funcionários”, diz ele.

Exclusividade brasileira

O projeto de cafeterias de rua da Havanna acompanha uma crescente do setor em todo o país, como explica o diretor da maca no Brasil, Diego Schiano. Para ele, o público brasileiro se mostrou o mais adequado para acomodar a ideia, que ainda não foi considerada em nenhum dos outros países nos quais a Havanna tem atuação.

Schiano adiciona, ainda, que a existência de diversas marcas que atuam na modalidade “to go” no país não se configura como concorrência para a Havanna, que já se consolidou como negócio completo há mais de 70 anos.

“Oferecemos produtos que já são favoritos há muito tempo e que participam ativamente no mercado durante todo o ano. Acreditamos que isso vai se destacar nesse novo projeto”, afirma o diretor.

Entre as marcas que mais vêm crescendo no país estão as curitibanas The Coffee, que mira mais de 200 lojas nos próximos anos, e Mais1 Café.

Projeto e investimento

O tradicional alfajor será um dos produtos comercializados nas novas cafeterias da Havanna.
O tradicional alfajor será um dos produtos comercializados nas novas cafeterias da Havanna.

Ao todo, a Havanna já tem 180 pontos mapeados como estratégicos para a implantação das cafeterias “to go” no Brasil, e a expectativa é de que todos eles estejam em funcionamento até 2025. De acordo com Thiago Santana, até o fim deste ano, há a perspectiva de inaugurar as 20 primeiras lojas.

O investimento anual da marca com as novas operações será de R$ 620 mil e para os franqueados, cada unidade vai custar um valor inicial a partir de R$ 150 mil. Além disso, serão cobrados royalties e taxas mensais de 4% e 1%, respectivamente, sobre o faturamento de cada unidade.

Para o projeto, foram desenvolvidos dois formatos de estabelecimento: quiosques em shoppings e lojas de rua, ambos com a possibilidade de uma pequena área de mesa, mas sem atendimento fora do balcão.

A unidade piloto, um quiosque em um shopping de Cascavel (PR), foi implantada há dez meses e, como coloca o gerente de implantação e expansão, foi uma operação que sofreu menos com a queda de faturamento desde o começo da pandemia no país.

Mesmo assim, ele aponta que, desde o início do funcionamento do quiosque, a equipe já identificou algumas melhorias que serão aplicadas nas demais unidades.

"A ideia é incluir uma vitrine 'Grab and Go', que facilita o autosserviço dos clientes, e expandir a linha de produtos comercializados", afirma Santana.

Inicialmente, a Havanna trabalharia nessas cafeterias com um cardápio reduzido, que incluiria os produtos mais tradicionais da marca, como Alfajores e Havannets, além de bebidas quentes e alguns salgados. Agora, a equipe quer adicionar opções de empanadas, churros, bebidas geladas, entre outros produtos no menu.

Cenário de mudanças

Apesar de ter sido pensado e iniciado antes de que a pandemia do novo coronavírus chegasse no Brasil, o projeto das cafeterias “to go” da Havanna entrou na lista de mudanças estipuladas para o sustento da marca frente ao cenário atual do país. Esse novo modelo de negócios gera a expectativa de render R$ 2 milhões a mais de faturamento para a franqueadora em 2020.

Além do projeto das cafeterias de rua, a Havanna estipulou outras estratégias para enfrentar a crise, como aponta Diego Schiano, diretor da marca no Brasil. Segundo ele, os canais de e-commerce e delivery, até então pouco explorados, foram trabalhados para a venda de estoque.

Schiano também comenta que a marca precisou pensar em estratégias de sobrevivência com os franqueados, aplicando a isenção de royalties e estipulando um plano de pagamento adequado ao momento. Agora, ele afirma estar “começando a sair do plano de retomada, o que indica uma perspectiva mais otimista para o último trimestre do ano, no qual as vendas aumentam por conta das festividades”.

Conteúdo editado por:Guilherme Grandi
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