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Jasmine leite vegetal
A Jasmine já produz leites vegetais desde 2010, mas tem visto o avanço de concorrentes como NotCo, Fazenda Futuro, Naveia e Nude nos últimos anos.| Foto: Juan Azevedo Fotografia/divulgação

De olho na crescente tendência de consumo de leites plant based que promete dar um salto de 150% até 2024, e que já vem de uma alta de 860% nos últimos cinco anos, a indústria paranaense de alimentação saudável Jasmine Alimentos pretende dobrar o faturamento neste segmento em até cinco anos.

A indústria já produz leites vegetais e bebidas semelhantes desde 2010, o Biov, mas tem visto de perto o avanço de foodtechs criadas há menos tempo – e conquistando cada vez mais clientes. A fluminense Fazenda Futuro, as paulistas Naveia e Nude e a chilena NotCo são as quatro que mais vem investindo na promoção de produtos principalmente ao público mais jovem.

Afinal, o mercado de leites plant based promete fechar o ano de 2021 com um faturamento de mais de meio bilhão de Reais. Um segmento que a Jasmine quer se aproveitar e recuperar a presença, segundo Thelma Bayoud, diretora de marketing.

“Este ano focamos muito nas nossas inovações, como a granola com castanha de caju, os pães sem glúten com diversificação de sabores, e o mercado kids. Para o próximo ano, a gente pretende retomar investimentos em outros segmentos que são relevantes pra gente, dentre eles o milk alternatives”, explica.

Estas alternativas ao leite tradicional hoje representam menos de 10% do faturamento total da Jasmine, mas que a indústria pretende dobrar nos próximos anos. No entanto, valores totais de vendas ou de produção não são divulgados.

Diferente dos outros

Para conquistar um pedaço da crescente fatia do mercado consumidor de leites plant based, a Jasmine pretende focar a divulgação na diferença dos produtos concorrentes. A começar pela matéria prima usada na produção do Biov, como arroz, amêndoas, aveia e coco.

“E também que, desde o início, as nossas bebidas são certificadas com o selo de alimentos orgânicos, e a adição de cálcio vegetal que equivale a mesma quantidade do mineral presente em um copo de leite de vaca”, conta.

O uso destes ingredientes em vez da soja, tão presente nas primeiras versões de leites vegetais produzidas no país, é a grande aposta, baseada em pesquisas de mercado. Dados da consultoria Euromonitor apontam que o consumo da bebida feita de outros ingredientes, como amêndoas e castanha-de-caju, vai crescer 84% até 2026, enquanto que os de soja terão uma queda de 52%.

Em relatório ao mercado, a consultoria afirmou que as pessoas estão mais conscientes em relação ao impacto ambiental da soja associada ao agronegócio não sustentável.

“Mais do que diferença, vamos focar nas nossas características, porque o mercado é extremamente dinâmico e podemos inferir em um diferencial que não acontece mais. Pra nós, focar no nosso pioneirismo é muito importante”, analisa Thelma Bayoud.

Com exceção da NotCo, que ainda utiliza proteína de soja e ervilha na composição de seu NotMilk, as outras foodtechs já alteraram a base para aveia. E, ainda, a Positive Brands (A Tal da Castanha) e a Vida Veg que adotaram a castanha-de-caju nas suas composições.

Dinamismo

Jasmine leites vegetais
Seis variedades da linha Biov, da Jasmine.| divulgação/Jasmine Alimentos

Como mencionado pela diretora de marketing da Jasmine, o dinamismo do mercado também fez a indústria mexer na sua produção. Embora as seis variedades do Biov não sejam produzidas no Brasil, são importadas da Itália, o processamento dos ingredientes precisou passar por mudanças e adaptações ao longo dos últimos 11 anos.

“A gente trabalha com fornecedores de um mercado que é mais desenvolvido que o brasileiro, tivemos algumas adaptações que não foram tão relevantes. Alguma coisa eventualmente de sabor, mas sempre mantendo como essência as características nutricionais, da certificação orgânica e também de sustentabilidade em relação às matérias primas utilizadas”, conta Thelma Bayoud.

Outra questão a ser trabalhada pela empresa é o valor praticado pelo varejo na venda do Biov, em torno de R$ 22 a embalagem de 1 litro. É mais elevado que os concorrentes da NotCo (R$ 15), Naveia e Vida Veg (R$ 16,90) e A Tal da Castanha (R$ 17,60), em média.

Para Thelma, a questão preço esbarra na aderência do mercado ao consumo, assim como acontece com outros substitutos à proteína animal. É preciso ganhar escala para conseguir diminuir o valor cobrado.

“Na medida em que nós fabricantes nos comunicarmos e esclarecermos as características, vantagens e benefícios dos produtos, a percepção de valor com certeza vai aumentar por parte de um público que ainda não é consumidor. E aí acho que a gente pode entrar em um círculo virtuoso que aumente escala e os produtos se tornarem mais acessíveis”, completa.

A empresa trabalha, atualmente, apenas com o varejo e consumidor final. No entanto, há planos de se criar linhas especiais para o food service, o que pode reduzir o valor médio do Biov e torna-lo mais acessível principalmente às cafeterias, que vêm utilizando cada vez mais leites vegetais a pedido dos clientes.

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