Pessoas

Entrevista

Paranaense é o único brasileiro a ter o raríssimo diploma de Masters of Wine

O Bom Gourmet teve uma conversa exclusiva com o enólogo Vianna Junior, natural de Marechal Cândido Rondon

por Gilson Garrett Jr Publicado em 12/02/2016 às 21h
Compartilhe

Dirceu Vianna Junior é o primeiro brasileiro a ter o diploma de Masters of Wine, da respeitada instituição britânica de mesmo nome. Somente 391 pessoas no mundo têm o título que é superdisputado e concorrido. Ele chegou a reprovar no teste de aptidão mais de uma vez até finalmente conseguir entrar na escola. Depois disso, foram seis anos de rotina puxada de estudos.

Atualmente é diretor de vinhos no Enotria/Coe Group, no Reino Unido. Escreve periodicamente para publicações especializadas como a respeitada revista Decanter. Natural de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná, teve o início da carreira em Londrina onde trabalhou como consultor de vinhos e foi onde descobriu sua verdadeira paixão. Em 1989 foi para a Inglaterra onde buscou mais conhecimento técnico sobre o mundo do vinho. Estudou hotelaria no Westminster College e depois cursou na Wine & Spirit Education Trust.

Sempre que pode está no Brasil. No final de 2015 ele esteve no 2.º Argentine Terroir Workshop realizado em São Paulo com o objetivo de falar sobre o cenário do mercado de vinhos principalmente da Argentina e também da América Latina.
Na sua palestra apresentou dados sobre o consumo de vinhos no Brasil. O estudo realizado pela empresa britânica de pesquisas Wine Intelligence revelou tendências de consumo das principais cidades brasileiras. Em Curitiba, 54% da população tem alto envolvimento com o vinho; 45% consome vinho em bares e 87% em restaurantes. 74% dos entrevistados gosta de experimentar estilos de vinhos diferentes.

Logo depois do encontro, ele conversou com exclusividade com o Bom Gourmet.

Foto: Wellington Nemeth/Divulgação.

Foto: Wellington Nemeth/Divulgação.

Qual é o potencial do terroir paranaense?
A única maneira de tentar responder é pelo que eu degustei. E o que eu degustei foram vinhos da região de Toledo [oeste do Paraná]. Tem altos e baixos, mas alguns vinhos de lá eu colocaria em competições na Europa e se sairiam muito bem. O potencial é alto. Mas ter potencial é uma coisa e realizar é outra. É necessário ter consistência entre as safras e as regiões.

Qual a importância para o Brasil de reforçar as regiões produtoras brasileiras ao invés das castas?
Ainda está cedo para falarmos ao mercado de regionalidade no Brasil. Tem distinção? Sim. Mas acho que ainda é um pouco cedo. O Brasil tem que fazer vinhos corretos e consistentes e depois dar o segundo passo. É como nas artes marciais. O mestre ensina o estudante e o estudante tenta se igualar ao mestre. E quando ele acha que está a altura do mestre eles lutam. O Brasil ainda não está nesse nível. Precisa chegar ao nível do Chile e da Argentina.

O espumante brasileiro seria o primeiro passo para lutarmos com os mestres?
O espumante está um passo a frente. Mas volto a repetir, falta consistência. De vinho para vinho e de região para região

Compartilhe

8 recomendações para você