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Op. Sem Desconto

Advogado alvo da PF era operador de vice-líder de Lula na fraude do INSS

Weverton Rocha
Willer Tomaz é apontado pela Polícia Federal como operador de Weverton Rocha na fraude bilionária do INSS contra aposentados e pensionistas. (Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

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O advogado Willer Tomaz, alvo da Polícia Federal na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada na manhã desta terça-feira (4), é apontado pela investigação como o operador do vice-líder do governo Lula no Senado, Weverton Rocha (PDT-MA), no esquema bilionário de descontos associativos irregulares de aposentadorias e pensões do INSS.

Ele foi um dos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpridos pela manhã no Distrito Federal e no Maranhão, base eleitoral de Rocha. Além de Tomaz, a operação também mirou a esposa, a filha e duas irmãs do senador.

A Gazeta do Povo procurou os citados como alvos pela operação e aguarda retorno. Willer Tomaz afirmou, em nota, que foi alvo da operação apenas por ser proprietário de uma aeronave utilizada em caráter particular por Weverton Rocha "em viagem já de conhecimento público", e que "não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado".

De acordo com a decisão de Mendonça, tornada pública no meio da manhã, Willer Tomaz é apontado como “personagem de sustentação, associado a empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos” de Weverton Rocha, tendo uma relação próxima a ele desde 2023.

O senador Weverton Rocha, que não foi alvo desta fase, segue investigado pela Polícia Federal no esquema e é citado pela autoridade como “responsável por formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais”.

A investigação da corporação aponta que Tomaz teria utilizado uma rede de pessoas -- incluindo parentes do parlamentar -- e empresas para movimentar os recursos a mando de Rocha, sendo que apenas uma das transações teria somado mais de R$ 11 milhões a partir do ano de 2024. A movimentação para ocultar a real origem dos valores -- conhecida como "lavagem de dinheiro" -- teria ocorrido através de postos de combustíveis e empresas de comunicação do grupo.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, a Polícia Federal apreendeu uma grande quantidade de dinheiro em espécie de notas de real e até mesmo uma máquina para contagem automática de cédulas.

Em outro trecho da decisão, a Polícia Federal ressalta a relação que Tomaz tem com "empresas de táxi aéreo, aeronaves, pilotos e estruturas logísticas de deslocamento privado", o que confirma o posicionamento de sua defesa de que era proprietário de uma aeronave utilizada em caráter particular por Werverton Rocha.

"O contexto revela capacidade de deslocamento rápido, inclusive entre Brasília e o Maranhão, circunstância que pode dificultar sua localização no dia da deflagração e comprometer o cumprimento simultâneo das buscas", alertou a autoridade.

Em relação a recursos supostamente desviados por orientação de Weverton Rocha, a Polícia Federal cita dois postos de combustíveis que teriam sido utilizados para a aquisição de propriedades rurais, pagamento de terrenos e maquinário agrícola e repasses a duas empresas ligadas do senador.

"Além de serem responsáveis por transferências a terceiros indicados por Weverton e pela disponibilização de valores ao próprio parlamentar", aponta o relatório da investigação.

A apuração cita, ainda, que uma empresa de Willer Tomaz teria sido a responsável pela compra de uma residência de alto padrão para o senador em Brasília.

Envolvimento de Weverton com a fraude no INSS

Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o senador Weverton Rocha tenha mantido vínculos com investigados apontados como operadores do esquema e de que possa ter se beneficiado de operações financeiras supostamente ligadas à organização criminosa. O senador nega irregularidades e afirma que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos.

Em fases anteriores da operação, a Polícia Federal chegou a solicitar a prisão preventiva de Weverton Rocha, mas o pedido foi rejeitado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação contrária da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O magistrado autorizou apenas medidas cautelares, como busca e apreensão, destacando a necessidade de continuidade das investigações para esclarecer os fatos.

Proximidade de advogado com Flávio

Willer Tomaz é citado como amigo pessoal de Flávio Bolsonaro e recebeu manifestações públicas de apoio do senador durante a CPI da Covid-19. O advogado também foi preso em 2017 na Operação Patmos, desdobramento das delações da JBS e do grupo J&F, acusado de intermediar propinas e obter informações sigilosas da Operação Greenfield com auxílio do então procurador da República Ângelo Goulart Villela, que também foi preso.

Gazeta do Povo apurou ainda que Tomaz atuou, mais recentemente, na defesa de Flávio Bolsonaro no caso da emissão de notas fiscais de R$ 500 mil para a Copenhagen Consultoria, apontada como empresa de fachada utilizada pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para movimentar cerca de R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas no mesmo período.

Desde o início da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal estima que os desvios provocados pelos descontos irregulares em benefícios do INSS, entre 2019 e 2024, possam chegar a R$ 6,3 bilhões.

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