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A evolução do mercado de cervejas alterou os critérios de decisão de compra dos consumidores, que passaram a considerar fatores como a origem dos ingredientes, o tipo de malte e a experiência de consumo. A disputa entre os grandes fabricantes do setor concentra-se nos segmentos premium e superpremium, onde atributos como a pureza da receita, a identidade das marcas e a consistência do sabor dividem espaço com as variáveis de preço e volume.
Os reflexos dessa disputa por valor e posicionamento de marcas já são visíveis nos balanços financeiros do setor, divulgados recentemente. Durante uma teleconferência de resultados realizada no início de junho deste ano, o diretor-executivo da AB InBev, Michel Doukeris, afirmou que a operação brasileira registrou desempenho sólido no primeiro trimestre, apesar da forte concorrência no mercado nacional.
Segundo Doukeris, o resultado teve como principal impulso o ganho de participação nas categorias premium e superpremium. Ele informou que a companhia avançou ou manteve participação em 75% dos mercados onde atua. “Continuamos a ganhar market share em cerveja e spritz”, afirmou. Na prática, isso significa que a empresa aumentou sua fatia de mercado nessas categorias.

Consumidor exigente impulsiona crescimento das cervejas premium
Anna Paula Alves, diretora de Categoria da Ambev, confirma que o avanço das cervejas premium reflete uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que busca mais variedade e novas experiências de consumo. “Nosso consumidor de premium é um consumidor que exige mais, quer mais versatilidade, mais opções, mais ocasiões”, afirmou.
A executiva também atribui o crescimento do segmento à ampliação das opções disponíveis no mercado. De acordo com Alves, a estratégia de diversificar o portfólio permitiu à companhia fortalecer sua presença na categoria. “Hoje, as cervejas premium representam cerca de 25% do mercado brasileiro, e nossas marcas premium e superpremium seguem crescendo em ritmo acelerado”, disse.
Para Anna Paula, o Brasil se consolidou como uma plataforma importante para inovação no setor. “Marcas como Stella Artois Pure Gold e Michelob Ultra refletem nossa capacidade de acompanhar a evolução das preferências dos consumidores brasileiros”, destacou, ao citar a procura por alternativas com menos calorias, carboidratos e sem glúten.
Ambev e Heineken intensificam disputa pelo mercado premium de cervejas no Brasil
A estratégia ocorre em um segmento historicamente disputado com a Heineken. No terceiro trimestre do ano passado, a Ambev informou ter alcançado a liderança da categoria premium no Brasil pela primeira vez em dez anos.
A Heineken, porém, contesta os números. A empresa atribui o cenário a uma disputa de preços nas gôndolas dos supermercados, especialmente envolvendo a marca Original.
De acordo com a Heineken, a marca teve papel central na transformação brasileira do segmento premium. Segundo estimativas internas do grupo, o segmento saiu de cerca de 5% para 25% do mercado de cervejas, em pouco mais de uma década.
“Pela primeira vez em mais de uma década, a Ambev parece estar recuperando participação no mercado de cerveja no Brasil. A marca Heineken, após uma trajetória notável de 15 anos, mostra sinais de maturidade do ciclo”, aponta um relatório da BTG Pactual.
Copa do Mundo deve impulsionar consumo global de cerveja em 1 bilhão de copos
A Copa do Mundo de 2026 deve elevar o consumo global de cerveja em cerca de 1 bilhão de copos de 500 ml, segundo estimativa da Jefferies, instituição financeira dos Estados Unidos especializada em análises de mercado para investidores.
A edição do torneio em 2026 conta com 48 seleções e 104 partidas, acima dos 64 jogos das edições anteriores. A ampliação da competição deve resultar na Copa do Mundo com maior consumo de bebidas já registrado.
Para chegar à estimativa, a Jefferies utilizou dados de consumo observados em Copas anteriores. Os analistas calcularam que as vendas adicionais representarão um aumento de 3% durante os 39 dias do torneio. Em termos anuais, o avanço equivale a 0,3%, ou cerca de 5,9 milhões de hectolitros, volume correspondente a aproximadamente 1 bilhão de copos extras.
Os analistas também projetam que a competição impulsionará os volumes globais de vendas de cerveja entre 0,2% e 0,3% em 2026. O torneio tem como sedes os Estados Unidos, o Canadá e o México, três mercados relevantes para a indústria cervejeira.
O analista da Jefferies Ed Mundy atribuiu parte desse potencial de crescimento aos horários das partidas. “O horário das partidas é o herói desconhecido do consumo de cerveja na Copa do Mundo”, apontou ele. Mundy destacou que os jogos envolvendo seleções da Europa e das Américas ocorrerão, em grande parte, entre 17h e 23h nos mercados locais, faixa considerada de maior consumo.
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