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Crime organizado

Defesas de Marcola e outros presos da penitenciária de Brasília querem benefício igual ao de Vorcaro

Penitenciária Federal de Brasília
Banqueiro teve autorização para que diálogos com advogados não sejam monitorados na Penitenciária Federal de Brasília. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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Advogados de presos de alta periculosidade custodiados na Penitenciária Federal de Brasília passaram a pedir na Justiça o mesmo benefício concedido ao banqueiro Daniel Vorcaro pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permite reuniões com sua defesa sem monitoramento ou gravação de áudio e vídeo. Entre os detentos está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).

A autorização foi dada ao dono do liquidado Banco Master após ter sido transferido para a unidade federal na semana passada. A decisão abriu caminho para que outras defesas tentem obter o mesmo tratamento dentro do Sistema Penitenciário Federal (SPF), o que já era esperado com preocupação pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

“A defesa de Marco Willians Herbas Camacho entende que o mesmo direito deve ser igualmente assegurado, por se tratar de garantia essencial ao exercício da advocacia e ao próprio direito de defesa”, declarou o advogado Bruno Ferullo, que representa Marcola, em apuração do UOL publicada nesta quinta (12).

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Ferullo afirmou que irá formalizar o pedido ao juiz corregedor responsável pela unidade prisional para ter acesso ao mesmo benefício para Marcola. O advogado ressaltou que, caso seja negado, recorrerá ao próprio STF.

A Senappen, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, criticou a decisão de Mendonça e alertou que a flexibilização do monitoramento pode comprometer o modelo de segurança das penitenciárias federais. As regras atuais, diz o órgão, existem justamente para impedir que líderes criminosos mantenham contato indevido com o exterior ou continuem coordenando atividades ilícitas mesmo presos.

“O SPF que foi concebido para operar sob regras uniformes e rigorosas de controle de contatos, comunicações e visitas, mecanismos fundamentais para impedir comunicações indevidas com o exterior, interromper cadeias de comando de organizações criminosas e garantir a segurança das unidades, dos servidores que nelas atuam e da própria sociedade”, disse a Senappen em nota à Gazeta do Povo.

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Defesas de outros integrantes do PCC querem benefício

Outros advogados de integrantes do PCC presos na Penitenciária Federal de Brasília também tentam ampliar o alcance da decisão de Mendonça concedida a Vorcaro. A advogada Ana Paula Minichillo de Araújo Santos pediu ao STF que o benefício seja estendido a seu cliente, Carlenilto Pereira Maltas, acusado de envolvimento nos assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e de Fabiano Alves de Souza, o Paca, mortos em 2018 no Ceará durante uma disputa interna da facção.

Na petição, Ana Paula afirma que o preso enfrenta problemas de saúde e dificuldades nas condições atuais de atendimento jurídico, já que as conversas com o cliente são hoje monitoradas e gravadas dentro da unidade prisional. Ela também relatou que os apontamentos feitos durante a reunião precisam ser entregues aos agentes para cópia e arquivamento.

Outro pedido semelhante foi protocolado pelo advogado Eliseu Minichillo em favor de Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada, também preso na Penitenciária Federal de Brasília e apontado como liderança do PCC. O detento, porém, sempre negou envolvimento com a facção.

A unidade federal da capital abriga alguns dos principais nomes ligados ao crime organizado no país. Entre eles estão Marcola, Cláudio Barbará da Silva, o Barbará, Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal, e Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho.

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