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Op. Unha e Carne 9

Pastor do RJ volta a ser alvo da PF por suspeita de lavagem de dinheiro

Polícia Federal
Márcio Poncio foi alvo de operação que investiga ocultação de patrimônio e movimentações financeiras suspeitas. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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O pastor e empresário Márcio Poncio voltou a ser alvo da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (29), durante a 9ª fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio no Rio de Janeiro. Em prisão domiciliar desde julho, quando foi detido na quinta fase da operação, o religioso teve novos endereços investigados após a autoridade encontrar informações sobre possíveis estruturas empresariais e bens utilizados pelo grupo.

Além de Poncio, os agentes tiveram como alvo Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

“[A nova fase] decorre da análise de fatos identificados após a deflagração da quinta fase, especialmente dos dados extraídos de aparelho celular apreendido com um dos investigados. Tais informações revelaram novos endereços, estruturas empresariais e ativos patrimoniais supostamente utilizados pelo grupo na administração, na ocultação e na movimentação de recursos financeiros”, disse a Polícia Federal.

Os investigadores identificaram indícios de uma complexa estrutura de patrimônio, formada por imóveis de alto padrão, aeronaves executivas, veículos de luxo e empresas registradas em nome de terceiros. Essas empresas, aponta a investigação, estariam formalmente vinculadas a familiares, colaboradores próximos e pessoas sem ligação aparente com os investigados, mas permaneceriam sob o controle de integrantes da organização.

A investigação também identificou movimentações em dinheiro vivo, operações financeiras de difícil rastreamento e possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais.

“Também foram constatadas a utilização recorrente de dinheiro em espécie, movimentações financeiras sem rastreabilidade compatível e o emprego de empresas nacionais e estrangeiras, além da possível utilização de entidades religiosas e holdings patrimoniais”, completou a PF.

Poncio foi preso no dia 2 de julho durante a quinta fase da operação, que investigava suspeitas de pagamentos do jogo do bicho e da chamada Máfia do Cigarro a agentes públicos. O religioso, que também construiu sua trajetória empresarial no setor de tabaco e ficou conhecido como “pastor do cigarro”, foi detido em um flat na Barra da Tijuca, mas teve a prisão preventiva convertida em domiciliar por decisão do STF.

A investigação sobre a Máfia do Cigarro também identificou documentos com registros de possíveis pagamentos indevidos e doações eleitorais. Em um endereço ligado a Adilsinho, apontado como chefe do esquema, a PF encontrou listas de políticos que poderiam ter recebido recursos para campanhas eleitorais de 2022, embora os nomes não tenham sido divulgados.

Segundo a corporação, as planilhas apreendidas indicariam “a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”. Em 2024, investigações apontaram que a organização controlava a comercialização de cigarros em pelo menos 45 dos 92 municípios fluminenses.

Influência na Alerj

A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025, inicialmente para investigar o suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho (CV). Entre os primeiros investigados estava o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, suspeito de repassar informações de uma operação policial ao ex-deputado TH Joias, apontado como articulador político da facção.

Ao longo das fases seguintes, as apurações alcançaram integrantes do Judiciário, políticos e empresários. A PF também investigou suspeitas de fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Educação e um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.

Na oitava fase, deflagrada em 15 de outubro, Márcio Canella e Marcus Amim foram presos sob suspeita de participação na estrutura criminosa ligada aos postos. Segundo a PF, Canella atuaria como articulador político do esquema, fazendo a ligação entre agentes públicos e empresários, além de influenciar nomeações para cargos estratégicos.

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