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Declaração em culto

Por que Edir Macedo rejeita o lema “Deus, Pátria e Família”

Bispo afirmou que "ninguém nasce mau" e completou com "ninguém nasce homossexual". Sequência foi considerada discriminatória.
Edir Macedo é bispo fundador da Igreja Universal e fez afirmação durante culto. (Foto: Reprodução/YouTube/Edir Macedo)

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O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, explicou por que não concorda com o lema “Deus, Pátria e Família”, associado à família Bolsonaro e à direita conservadora. Para o líder religioso, a expressão estabelece uma ordem equivocada ao colocar a pátria antes da família. Na hierarquia que ele defende, Deus deve estar em primeiro lugar, seguido pela família e, somente depois, pelo Estado e pelas demais instituições.

“Eu não aprovo aquela teoria ‘Deus, pátria e família’”, afirmou Macedo durante um culto. Em seguida, justificou sua posição: “Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser”. A declaração foi feita na manhã de 25 de outubro, domingo do segundo turno das eleições presidenciais, mas ganhou repercussão nas redes sociais somente neste fim de semana.

Ao explicar a posição, o bispo recorreu a personagens bíblicos, como Abraão e Isaac, para sustentar que a organização da sociedade deve começar pela relação com Deus e pela estrutura familiar. “Se não houver família, vai haver pátria?”, questionou aos fiéis. Para ele, a existência da nação depende da família, que tem origem em Deus.

A manifestação chama atenção pelo contraste com a associação histórica entre o lema e o campo conservador ligado à família Bolsonaro. A fala também ocorre em um contexto de distanciamento da Universal em relação à disputa presidencial de 2026, diferente do posicionamento adotado pela igreja em 2022, quando apoiou a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro (PL).

Universal se afastou da disputa presidencial

Durante a campanha deste ano, a Igreja Universal evitou assumir publicamente uma posição de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, a instituição concentrou sua mobilização política na eleição de representantes ligados à igreja e à defesa de suas pautas no Legislativo.

A estratégia foi acompanhada por uma campanha espiritual. Bispos incentivaram fiéis a eleger candidatos identificados com os valores da instituição, com o objetivo de formar uma espécie de proteção parlamentar contra medidas consideradas ameaçadoras aos interesses da igreja. Entre os temas mencionados estavam o projeto de lei sobre misoginia e a tributação de templos religiosos.

Na Câmara dos Deputados, metade dos 12 parlamentares ligados à Universal que disputaram a reeleição, todos filiados ao Republicanos, não conseguiu permanecer no cargo. A perda de espaço também apareceu na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. O estado rompeu uma tradição de eleger um senador com identidade evangélica quando havia duas vagas em disputa. Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos) foram derrotados por Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL e associados à família Bolsonaro.

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