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O cantor MC Poze do Rodo, nome artístico de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, se consolidou como um dos principais nomes do funk carioca ao mesmo tempo em que acumula histórico de investigações policiais e suspeitas de ligação com o crime organizado, especialmente com a facção Comando Vermelho. Ele foi preso na manhã desta quarta-feira (15), pela Polícia Federal, em uma operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro através de criptoativos que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão.
Criado na Favela do Rodo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Poze do Rodo já admitiu publicamente que teve envolvimento com o tráfico de drogas na juventude, atuando como vendedor direto de entorpecentes. Em relatos sobre o passado, afirmou que “já troquei tiro, fui baleado e preso também”.
A ascensão na música veio com letras inseridas no chamado “proibidão”, vertente do funk marcada por referências explícitas à violência, armas e facções criminosas. Esse tipo de conteúdo frequentemente remete ao Comando Vermelho, organização criminosa que atua principalmente no Rio de Janeiro e aparece de forma recorrente no universo retratado pelo artista.
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Autoridades já investigaram a relação entre shows e eventos do cantor com áreas dominadas por facções, onde apresentações ocorreriam sob proteção de traficantes armados. Em registros oficiais, também há menção de que o próprio artista teria declarado vínculo com o Comando Vermelho, embora sua defesa sustente que não há ligação atual com o grupo.
Além da produção musical, a imagem pública de Poze é fortemente associada à ostentação, um dos pilares de sua presença nas redes sociais. O cantor frequentemente exibe carros de luxo, joias de alto valor, mansões e um estilo de vida elevado, construindo uma narrativa de ascensão rápida a partir da periferia.
Operações policiais já resultaram na apreensão de bens atribuídos ao artista, incluindo veículos e joias avaliadas em valores expressivos. Imagens que circulam na internet também mostram momentos em que ele aparece com armas de alto calibre, o que reforça a ligação com o crime organizado.
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Crime ficou no passado?
Apesar do histórico, o cantor afirma que deixou o crime e que sua trajetória representa uma mudança de vida por meio da música.
“Vou querer ficar nessa vida aqui ou viver uma vida tranquila? Então, eu foquei em viver uma vida tranquila, batalhei e hoje em dia eu passo isso para a molecada: o crime não leva a lugar nenhum”, afirmou em entrevista à TV Globo há dois anos.
Apesar de dizer que deixou a vida criminosa no passado, Poze do Rodo pontuou que não mudou sua essência de “onde tudo começou”. “Tem umas do meu passado que eu canto, mas oriento para as crianças não cantarem. Eu tenho que ter esse controle mesmo, porque é muita criança que me vê”, completou.
Três prisões por apologia ao crime
Poze do Rodo já foi preso em outras duas operações, além da realizada nesta quarta-feira (15). Em maio do ano passado, o cantor foi detido por apologia ao crime e suposto envolvimento com o tráfico, admitindo que tinha ligações com o Comando Vermelho.
As investigações que levaram à prisão do MC apontaram “ligação sólida” entre ele e membros da alta liderança da organização criminosa. Segundo os investigadores, foram reunidas evidências robustas que justificaram o pedido de prisão, pelo vínculo com a facção e por propagar o nome e a ideologia do grupo criminoso.
Já em 2019, durante um show na cidade de Sorriso, no estado do Mato Grosso, foi preso também por fazer apologia ao crime. Poze do Rodo e o organizador do evento tentaram fugir das autoridades, mas foram detidos em um hotel com porções de droga e frascos de lança-perfume.












