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Livro

A bela adormecida

Dante Mendonça autografa hoje, no Passeio Público, o livro Curitiba: Melhores Defeitos, Piores Qualidades

“Buraco” na Rua Voluntários da Pátria, em 1971, durante obras de canalização do Rio Ivo | Erony Santos
“Buraco” na Rua Voluntários da Pátria, em 1971, durante obras de canalização do Rio Ivo (Foto: Erony Santos)
Para Dante Mendonça, Curitiba é bem melhor que no passado |

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Para Dante Mendonça, Curitiba é bem melhor que no passado

Uma cidade de 1,8 milhões de habitantes, praticamente conurbada com os 26 municípios da região metropolitana, uma capital onde praticamente ninguém mais conhece ninguém, é o cenário do lançamento de Curitiba: Melhores Defeitos, Piores Qualidades, de Dante Mendonça, hoje, às 11 horas, em pleno Passeio Público. Mas é a mesma urbe sem mar de outros tempos, a década de 1970, período em que o autor deixou Santa Catarina no passado para, como ele mesmo diz, ver a "bela adormecida" despertar.

A obra se materializa depois de oito anos de pesquisa, exaustivas leituras, escrita e cortes. As 288 páginas são preenchidas pelo texto ágil e solto de Mendonça, cronista diário do jornal O Estado do Paraná, e muitas referências. A principal delas é a já clássica crônica "Curitiba, a Fria", de Fernando Pessoa Ferreira, veiculada no terceiro volume da coleção Livro de Cabeceira do Homem, da Civilização Brasileira, que tinha como editor Paulo Francis.

"Os curitibanos são uma estranha tribo que se alimenta de pinhões, mas reside em casas iguais às nossas." A frase inicial do polêmico texto foi um "presente" de Rene Dotti a Ferreira. "A maior atração turística de Curitiba é o inverno, que começa em fevereiro e termina em dezembro", continua, ferinamente, a crônica. As cutucadas seguem, ainda mais agudas. Para ter uma medida do impacto das palavras, na Boca Maldita foi articulada uma expedição rumo ao Rio de Janeiro, para onde o autor se "exilou", com a finalidade de "punir" o ousado.

Mendonça analisa que o DNA curitibano, de ironia, sarcasmo e crítica, tem início em "Curitiba, a Fria", e que até mesmo um dos mais importantes cronistas da cidade, Jamil Snege (1939-2003), desenvolveu a sua visão de mundo (irônica, sarcástica e crítica), a partir do texto fundador de Fernando Pessoa Ferreira.

A falta que o mar faz

O fato de Curitiba não possuir acidentes geográficos como um (carioca) Morro Dois Irmãos e mesmo um (gaúcho) rio-mar como o Guaíba é, na opinião de Mendonça, uma carência determinante, com efeitos os mais variados no modo de ser dos locais. Mas os curitibanos dariam um jeito de contornar o impasse: a intervenção humana – via engenhos do arquiteto Jaime Lerner – edificaria as "Sete Maravilhas de Curitiba": Rua das Flores, Parque Barigüi, Jardim Botânico, Museu do Olho, Ópera de Arame, Teatro do Paiol e Santa Felicidade.

Curitiba teria, ainda, uma "Oitava Maravilha": a Potylândia – que são os (vários) pontos da cidade, onde se encontram, de painéis a murais, obras de Napoleón Potyguara Lazzarotto (Poty), curitibano nascido em 1924, exatamente na data de aniversário da cidade (29 de março, amanhã) em que ele está eternizado por meio de sua arte.

Este livro, de um catarinense de Nova Trento, impresso em uma gráfica de Blumenau, com o selo de uma editora de Florianópolis, é – acima de tudo – um declaração de amor a Curitiba, um dia antes da comemoração de seus 316 anos.

Serviço

Curitiba: Melhores Defeitos, Piores Qualidades. Dante Mendonça. Bernúncia Editora. 288 págs. R$ 50. Hoje, às 11h, no Restaurante do Passeio (Dentro do Passeio Público – R. Carlos Cavalcanti, s/nº). Mais informações (41) 3322-7067.

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