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McCarthy: autor de "A Estrada" vendeu a máquina de escrever que comprou em 1963 por 50 dólares. | Divulgação
McCarthy: autor de "A Estrada" vendeu a máquina de escrever que comprou em 1963 por 50 dólares.| Foto: Divulgação

Os irmãos Coen levam McCarthy ao cinema

A Estrada, com tradução da escritora Adriana Lisboa (Rakushisha), sai somente em outubro, mas já é possível encontrar a edição americana, pela Vintage, em livrarias como a Saraiva e a Cultura.

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Dez romances em 40 anos. A produção do americano Cormac McCarthy é considerada pequena em um país (os EUA) onde escritores como Philip Roth e Don Delillo, seus contemporâneos igualmente renomados, produzem um livro novo a cada ano ou dois. Autor de títulos como Todos os Belos Cavalos e Onde os Velhos Não Têm Vez, o mais recente a ser traduzido para o português, McCarthy venceu o Prêmio Pulitzer 2007 por A Estrada, previsto para sair no Brasil em outubro pela Alfaguara/Objetiva. Pode começar a contar os dias.

De uma narrativa minimalista e árida, A Estrada é pontuada por situações tão perturbadoras que o leitor precisa escolher: dominar o desconforto ou largar o livro e tomar um copo de água ou algo assim. A partir da leitura do 10.º romance de McCarthy, é possível que passe a encarar coisas triviais de maneira diferente – mesmo um copo de água.

Os personagens são um pai e um filho, descrito apenas como "o homem" e "o garoto". Eles habitam um mundo devastado não se sabe pelo quê. Tudo o que há é poeira, cinzas e neve. Um sem-número de pessoas morreram. Todas as construções ainda em pé estão abandonadas e foram saqueadas por sobreviventes. Estes são pouquíssimos e se dividem, aos olhos do garoto, entre "mocinhos" e "bandidos".

Os protagonistas se identificam com o primeiro grupo, enquanto o segundo é formado por estupradores, assassinos e canibais – porque quase não existe comida, se chegou ao extremo de aprisionar seres humanos para consumo próprio.

A história se passa no futuro, embora o autor não se refira ao tempo em meses e anos. Massacrado pela fome, pela preocupação com o filho e por um problema respiratório que se agrava cada vez mais, o homem mal consegue se orientar na caminhada em direção ao sul, em busca de um local mais quente e com mais chances de encontrar comida. Se está vivendo em setembro ou outubro, pouco importa.

Também não existem referências a lugares. A ação pode se passar em qualquer parte (a aridez do cenário remete aos desertos do oeste americano, ambiente de boa parte dos livros de McCarthy). São raras as informações concretas. Pai e filho caminham por uma estrada, se escondem em meio a árvores, entram em uma loja abandonada, encontram uma casa vazia, dormem em um carro e continuam andando e levando consigo uma espécie de carroça, carregada com seus pertences e empurrada pelo pai.

Mundo caótico

Se a idéia de trazer uma nova vida para dentro de um mundo caótico soa terrível, McCarthy a levou às últimas conseqüências. A mãe do menino não suporta imaginar sua família sofrendo as privações e violências que, com certeza, vai sofrer. Logo nos primeiros parágrafos, ela decide se matar e deixa com o marido uma arma e duas balas – uma para ele, outra para o filho.

Ao contrário da mulher, o homem não consegue pôr um fim à situação. Na verdade, "o garoto era tudo o que havia entre ele e a morte".

McCarthy reduziu o pai e o filho à forma mais básica de sobrevivência, mostrando que a relação entre os dois faz sentido em qualquer realidade e contra todo tipo de desgraça.

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