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A Fita Branca traça as origens do mal

O diretor e roteirista Michael Haneke usa os eventos estranhos de um vilarejo no início do século 20 para falar sobre a identidade alemã

  • PorIrinêo Baptista Netto
  • 11/02/2010 21:13
O elenco de crianças em A Fita Branca é impressionante: elas representam a geração que, adulta, faria parte da nação nazista de Adolf Hitler, que não é mencionado no filme | Fotos: Divulgação
O elenco de crianças em A Fita Branca é impressionante: elas representam a geração que, adulta, faria parte da nação nazista de Adolf Hitler, que não é mencionado no filme| Foto: Fotos: Divulgação

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  • Michael Haneke: diretor de dramas impactantes como Caché e Professora de Piano

É melhor não ir ao cinema desprevenido para ver um filme de Michael Haneke. Ou talvez sim. Quanto menos souber sobre o diretor alemão e sua filmografia, mais atordoado você vai estar na saída do cinema.

A Fita Branca (assista ao trailer e veja as fotos), indicado ao Oscar nas categorias de filme estrangeiro e fotografia, entra em cartaz nesta sexta-feira e consegue ser tão incômodo quanto Caché (2005) e A Professora de Piano (2001), mas é menos explícito do que os dois trabalhos anteriores de Haneke.

Pense em Caché e a primeira ce­­na que vem à cabeça é a do suicídio de um dos personagens. É um mo­­mento acachapante e inesperado, do qual você não vai se recuperar até o fim da sessão (e mesmo depois dela).

Lembre A Professora de Piano e nove entre dez pessoas que viram o drama com Isabelle Huppert dirão: "Ah, a cena em que ela se mutila com uma lâmina é terrível". E é. To­­do o resto pode ser esquecido, mas dificilmente a memória vai apagar o filete de sangue escorrendo pela banheira.

Em A Fita Branca, não existe uma cena assim. A perturbação vem do que é sugerido e não do que é mostrado. Num vilarejo alemão no início do século 20, um crime deixa os moradores atônitos.

Alguém, ninguém sabe quem, preparou uma armadilha para o médico local. Enquanto ele volta para casa, o cavalo que monta tropeça em um arame esticado entre duas árvores. Os ferimentos o obrigam a ir para um hospital a quilômetros dali.

O barão dono das terras em que as pessoas moram e trabalham – ele encarna a liderança na vila – dá início a uma caça ao culpado, criando um clima geral de paranoia.

Usando a fotografia em branco e preto hipnótica de Christian Berger, Haneke consegue arrastar o espectador para a época que retrata e, uma vez lá, não se sai mais. Nos primeiros minutos, o filho do médico chorando na escada enquanto é consolado pela irmã anuncia os eventos futuros: o menino perdeu a mãe, que morreu no parto, e agora teme perder o pai. E se revolta diante do sofrimento.

Todas as crianças do vilarejo são submetidas a uma educação linha-dura e bastante religiosa. A punição de um dos adolescentes por se masturbar é dormir com ambos os braços amarrados às laterais da cama – semelhante a um paciente de manicômio. Ele deve também usar uma fita de tecido branco amarrada no braço como sinal de sua imaturidade. Outra garota, para se vingar dos castigos impostos pelo pai, empala o passarinho de estimação dele com uma tesoura.

É dessa geração que Haneke fala – a dos jovens que, décadas depois, como adultos, fariam parte da massa seguidora de Adolf Hitler (mas nem ele nem as guerras são mencionados em A Fita Branca).

Depois do incidente com o mé­­dico, outros ocorrem e o clima de tensão entre os moradores aumenta. Existem suspeitos e o filme dá algumas pistas – várias delas, perturbadoras –, mas não oferece solução nenhuma.

É possível que as crianças estejam extravasando o ódio que alimentam por pais cerceadores e por uma sociedade idem. GGGGG

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