
Foram três contatos profundos com elementos diversos da natureza que influenciaram o jovem artista carioca João Machado, um dos nomes mais promissores da nova geração de artistas plásticos brasileiros, a criar o conceito da exposição Atlas, que será inaugurada hoje, às 19 horas, na Caixa Cultural (veja o serviço completo no Guia Gazeta do Povo). Instalações com ossos de baleias, vídeos e obras baseadas em uma pedra são alguns trabalhos que estarão expostos na galeria do espaço.
No início da mostra, uma pedra chamada silex foi emoldurada e exposta na parede. Na mapoteca em frente, uma série de desenhos, gravuras e fotografias (realizadas com uma técnica chamada decomposição digital) foram realizadas por Machado, todas inspiradas no formato e textura do artefato, com o qual ele sonhou por duas semanas antes de encontrá-lo na vitrine de uma loja de antiguidades, na Bélgica. É a primeira das três partes da mostra, definidas pelo artista em mineral, animal e vegetal.
Na parte animal, as grandes instalações são feitas com ossos de baleia centenários uma delas, é a mandíbula de uma baleia bebê. O material foi doado ao artista por um pescador da Praia da Solidão, em Florianópolis, cidade onde Machado morou em 2007. "O hobby dele era mergulhar para resgatar esses materiais no fundo do mar, que são centenários, já que essa praia era uma região de pesca de baleias há 100 anos", conta. Para as instalações, ele escolheu intervir o mínimo possível: trabalhou com elementos de cristal e incolores. "Não quis colocar cor para poder ressaltar as nuances de cada osso." Os trabalhos, acredita ele, trazem uma reflexão sobre o contato do homem, ou a falta dele, com a natureza. "A exposição serve para despertar essa nossa ligação."
O curador da mostra, Antonio Cava, escolheu uma das esculturas e a colocou fora dos limites da galeria, logo na entrada da Caixa Cultural, junto com um painel de fotografias. "Ocupamos parte do espaço com esses detalhes para que as pessoas que frequentam o local subam para visitar a mostra", ressalta.
Refúgio
No último espaço de Atlas, o público poderá assistir a um vídeo com imagens da natureza captadas por Machado no início do ano em um refúgio em Visconde de Mauá, área que fica há 1,2 mil metros de altitude, entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Por dois meses, o artista optou por ir ao lugar sozinho, e permanecer em silêncio completo. "Só abria a boca para escovar os dentes e comer. Foi uma grande meditação e observação da natureza." A mostra, que já passou por Salvador, segue para o Rio de Janeiro depois da temporada em Curitiba.








