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Sintonia Fina

A vida jovem como ela (às vezes) é

Tony Stonem: lindo, inteligente e manipulador | Divulgação/ Channel 4
Tony Stonem: lindo, inteligente e manipulador (Foto: Divulgação/ Channel 4)
Skins: juventude na tela sem viés educativo |

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Skins: juventude na tela sem viés educativo

Lembro de como eu era quando tinha 16 anos. Ainda meio esquisita, desengonçada – braços compridos, desproporcionais ao corpo, aparelho nos dentes e espinhas no rosto. Aparentemente eu era uma adolescente como todas as meninas da minha idade. Mas não era. Eu podia sair à noite e voltar para casa de manhã cedo, porque tocava em uma banda e esse era um ótimo álibi. Nessas idas e vindas, vi coisas que as garotas de 16 anos não viam e fiz coisas que talvez elas não tenham feito.

Acho que talvez por isso eu tenha desenvolvido tamanha simpatia por Skins – Juventude à Flor da Pele, seriado inglês cuja segunda temporada vem sendo exibida pela HBO. Porque Skins é um seriado sobre jovens de 16 a 18 anos que não se preocupa em ser politicamente correto ou educativo. Porque os jovens dessa idade querem distância de programas que tentem ensiná-los a viver – isso os pais já fazem – e eu, mesmo beirando os 30, também mudo de canal quando detecto mensagens pseudo-educativas na televisão.

Os personagens de Skins vivem em Bristol – cidade situada a aproximadamente cem quilômetros de Londres – e freqüentam o mesmo colégio. Cada episódio é centrado em um deles. Mas há um protagonista, o lindo e manipulador Tony Stonem. Interpretado pelo ator britânico Nicholas Hoult – o esquisito Mark, de Um Grande Garoto (1999), agora, literalmente, um grande garoto – Tony é popular, inteligente e assediado pelas garotas. Ele tem uma namorada, Michelle Richardson (April Pearson), igualmente linda e dez vezes mais rica, filha de uma arquiteta que se casa com rapazes de 30 e poucos anos com a mesma freqüência que troca o papel de parede de seus clientes.

Michelle é o amor platônico de Sid Jenkins (Mike Bailey), garoto tímido (e conseqüentemente virgem), que vive com um gorro de lã enfiado na cabeça e cujo melhor amigo é Tony. Apaixonada por Sid é Cassie Ainsworth (Hannah Murray), que sofre com distúrbios alimentares e com a mãe, que vive pelada pela casa, pois é diariamente retratada nas pinturas do marido artista plástico de quinta. Há ainda o homossexual Maxxie Oliver (Mitch Hewer), melhor amigo do muçulmano Anwar Kharral (Dev Patel). Sobra o doidão Chris Miles (Joseph Dempsie) – abandonado pelos pais, apaixonado pela professora Angie (Siwan Morris) e chegado em todo e qualquer tipo de entorpocente, inclusive Viagra – e a CDF responsável Jal Fazer (Larissa Wilson), filha de um milionário rapper gangsta.

As tramas não refletem exatamente a realidade – são repletas de elementos surreais e humor negro – e isso é uma das grandes qualidades de Skins. Os dramas da vida real são inseridos nos episódios em doses homeopáticas, em meio a festas onde todos tomam ecstasy e acordam seminus na mesma cama e em que os adultos por vezes são retratados sob o ponto de vista do jovem grupo: egoístas, pouco inteligentes, hipócritas e prepotentes. Enfim, como pessoas que podem falhar, que nem sempre servem de exemplo e que não são donas da razão. E isso, sim, é vida real.

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Serviço

Skins – Juventude à Flor da Pele é exibido pelo canal pago HBO, às 21 horas das terças-feiras (com diversas reprises na programação).

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