• Carregando...
Rafinha Bastos, um dos quatro apresentadores d’A Liga: proposta revolucionária, execução irregular | Divulgação/Agência Na Lata
Rafinha Bastos, um dos quatro apresentadores d’A Liga: proposta revolucionária, execução irregular| Foto: Divulgação/Agência Na Lata

Anunciado com pompa e circunstância, comandado por um time "descolado" – o CQC Rafinha Bastos, o rapper Thaíde, a jornalista Débora Villalba e a bela atriz Rosanne Mulholland – e tendo atrás de si a badalada produtora argentina Eyeworks-Cuatro Cabezas (a mesma do CQC), A Liga estreou no último dia 4, prometendo revolucionar o horário nobre da Band.

Não foi bem assim – pelo menos nos dois episódios que já foram ao ar. A ideia primordial da atração é mostrar um mesmo assunto a partir de quatro ângulos diferentes, por meio da imersão dos quatro apresentadores. Mas a execução se mostrou um tanto irregular. No programa de estreia, por exemplo, que retratava a vida de moradores de rua em São Paulo e no Rio de Janeiro, a performance dos homens (Rafinha e Thaíde) foi muito superior à das garotas (Débora e Tainá Müller, em participação especial). Rafinha levou a "imersão" a sério ao se caracterizar como mendigo e passar 24 horas na rua – embora tenha escorregado na pieguice em alguns momentos. Já o grande trunfo de Thaíde foi tratar o casal Hefferson e Lupita com humildade e respeito – a ponto de comer com eles e elogiar o feijão com frango preparado no meio da rua.

Débora Villalba, por sua vez, acompanhou um grupo de meninos de rua no Rio de Janeiro – além de visitar o Lar São Martinho, que cuida de crianças carentes. Enquanto isso, a atriz Tainá Müller passou um dia e uma noite com um casal e seus dois filhos pequenos, que costumam dormir na porta de um banco, em plena Avenida Paulista.

Nos dois casos, porém, a presença de duas mulheres bonitas e seus respectivos cinegrafistas acabaram interferindo demais no cotidiano dos personagens. Diante das câmeras, os meninos do Aterro do Flamengo "protegeram" a equipe de reportagem, botando para correr outro garoto que supostamente pretendia roubar o equipamento. Já o casal da Avenida Paulista preferiu a vitimização, chorando, reclamando do frio e da fome e fazendo uma cena com o segurança do banco que tentava retirá-los do local ao amanhecer. Pior foi Tainá Müller, que reagiu como uma autêntica "patricinha" ao presenciar uma confusão na frente de um restaurante popular. "Ai, que medo! Eu morro de medo de tiro!", sussurrava a moça. Lá dentro, chegou ao cúmulo de "perder o apetite" porque alguém chutou uma porta de aço.

O segundo episódio, sobre a Tríplice Fronteira, já foi melhor – mas também deu suas derrapadas. Primeiro, a pauta era requentada (afinal, todo mundo já viu alguma reportagem sobre a terra-sem-lei na Tríplice Fronteira). Rafinha Bastos parecia muito empolgado se embrenhando na mata e fugindo dos tiros numa abordagem da Polícia Federal a um grupo de contrabandistas, e caiu como um pato quando um garoto disse que ganhava míseros R$ 20 por mês para atravessar as mercadorias. Rosanne Mulholland também demonstrou entusiasmo excessivo ao andar na van de um contrabandista/traficante. E Débora foi infeliz ao se passar por prostituta e fazer um "cliente" de bobo. Thaíde foi a exceção: mais uma vez se saiu bem ao comprar uma réplica perfeita de uma pistola e trazê-la para o Brasil na garupa de uma moto.

Noves fora, A Liga tem suas qualidades – uma boa premissa, edição ágil, sacadas gráficas interessantes e alguns bons momentos dos apresentadores. Mas ainda falta "liga"... na categoria jornalismo-verdade, o Profissão Repórter é melhor.

Serviço

O programa A Liga é exibido pela Band nas terças-feiras, a partir das 22 horas.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]