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Aline e Hermeto - namoro musical em Santa Felicidade

Cantora Aline Morena lança o disco Sensações, com temas seus e de Hermeto Pascoal em comemoração aos 11 anos de união

  • Roberto Muggiati, especial para a Gazeta do Povo
Hermeto Pascoal e Aline Morena em casa, em Santa Felicidade: cabeças e corações cheios de música |
Hermeto Pascoal e Aline Morena em casa, em Santa Felicidade: cabeças e corações cheios de música
 
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Hermeto Pascoal, 78 anos (em 22 de junho), nasceu em Olho d’Água e foi criado em Lagoa da Canoa, município de Arapiraca, Alagoas.

Aline Paula Nilson, conhecida como Aline Morena, 35 anos (em 29 de junho), nasceu em Erechim, Rio Grande do Sul.

Mais de três mil quilômetros de distância os separavam e 43 de idade, mas o signo os une: cancerianos, impulsivos.

Com a cabeça e o coração cheio de música, Hermeto saiu da sua terra para expandir os horizontes. Numa primeira etapa, antes do eixo Rio-SP, passou oito anos em Pernambuco, casou em 1954 com Ilza da Silva, com quem viveu 46 anos e teve seis filhos: Jorge, Fábio, Flávia, Fátima, Fabiula e Flávio.

Aline também começou cedo, aos dez já estudava teoria musical, cantou na infância em igrejas, coros, casamentos e invernadas artísticas no interior gaúcho. Formou-se em canto pela Universidade de Passo Fundo e deu recitais de canto lírico, com um repertório que incluía Mozart.

Em outubro de 2002, viúvo há dois anos, Hermeto conheceu Aline num workshop em Londrina e a convidou para dar uma canja no dia seguinte com o seu grupo em Maringá. O clique foi imediato e juntou o chimarrão com a rapadura – título bem humorado do primeiro álbum do casal – um belo casal formado já em fins de 2003 e fincando o pé em Curitiba: primeiro ao lado do Shopping Estação, depois em Santa Felicidade que, além de endereço postal, se tornou um estado de espírito permanente. Aline, que tinha formação clássica de cantora, começou a aprender outros sortilégios com o Bruxo: piano, viola caipira, percussão, canto e dança. Em abril de 2004, acompanhou Hermeto na turnê europeia e japonesa. (Em Londres, foi o terceiro concerto com a United Kingdom Big Band; o primeiro foi considerado o Show do Século.)

Depois do CD/DVD Chi­marrão com Rapadura (2005), o casal lançou novo trabalho e excursão em 2010, Bodas de Latão, comemorando seus sete anos de vida e de música. Agora, antecipando as Bodas de Aço, (onze anos), Aline lança seu CD Sensações, com temas seus, de Hermeto, e alguns clássicos da MPB, incluindo “Tenho Sede”, de Dominguinhos e Anastácia. Em “Voa, Ilza”, Hermeto homenageia a mãe de seus filhos: Aline faz “percussão corporal” (sapato e saia de persiana de alumínio) e Hermeto “mangueira e voz na água.” Além da voz e dos instrumentos convencionais, Aline faz outras incursões heterodoxas no CD: triângulo, zabumba, campas e piscina, seja o que isso for.

Andanças

Alguns carimbos no passaporte do casal: Buenos Aires, Montevidéu, Quito, Londres, Dublin, Toulouse, Fort de France, Nova York, Seattle, São Francisco, Los Angeles, Tóquio, Kyoto. Foi numa viagem internacional de vinte horas (Rio, Dacar, Paris, Genebra, Montreux) que conheci Hermeto em 1979, quando cobri sua apresentação no Festival de Montreux ao lado de Elis Regina. Nestes 35 anos, voltamos a nos encontrar em situações fortuitas: no festival de jazz do Maracanãzinho em 1980, quando ele quebrou a flauta, irritado com o barulho da plateia, e no concerto de revanche no Parque da Catacumba; numa feijoada da Ilza no bairro do Jabour; no histórico show de cinco horas no Teatro IBAM do Rio em que, fechadas as portas da sala, Hermeto e banda saíram pelas ruas de Botafogo com o público todo atrás, um verdadeiro bloco às vésperas do carnaval; no lançamento do álbum Só Não Toca Quem Não Quer, no qual me dedicou a faixa “Viagem”; e, no mais prolongado de nossos encontros, em Santa Catarina, em 2009, quando lancei meu livro Improvisando Soluções em meio a uma workshop do Hermeto em Florianópolis.

Depois, subimos a Ser­­­­ra Catarinense: em São Joaquim, sob dez graus negativos, num imenso auditório sem aquecimento, o Bruxo quase fez o público pegar fogo com a sua fabulosa apresentação. Hospedados numa pousada em meio à mata de araucárias, compartilhamos em dois dias seguidos o café da manhã, só eu, Hermeto e Aline.

Esclareceu-me vários lances da sua carreira, como a participação no álbum de Miles Davis Live-Evil, com dois temas de Hermeto (“Little Church” e “Nem Um Talvez”) creditados indevidamente ao trompetista. (Hermeto isentou Miles de culpa, foi confusão da gravadora.) No segundo café da manhã, Hermeto me apareceu com um tema para saxofone que compôs para mim. Não consegui encarar a complexa composição e só a ouvi graças a uma gravação que os amigos Mauro Senise (sax) e Gilson Peranzzetta (piano) fizeram para mim.

Casal

Naqueles dias catarinenses gélidos de céu cristalino pude sentir a intensidade da união entre Hermeto e Aline. Telefonei para eles há pouco, eu no Rio, o casal na minha Curitiba natal, mais precisamente em Santa Felicidade (duplo sentido, por favor...). Aline transborda de entusiasmo pelo seu CD, trabalhar com a voz é tudo o que ela sempre quis, e compartilhar do universo musical de Hermeto é uma dádiva divina. Aline completa:

“Para uma garota que aprendeu canto lírico formalmente, fazer música com o Hermeto tem sido um imenso desafio. O mesmo desafio se reflete na vida a dois: o amor é uma batalha que conquista a cada dia que passa...”

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