225839

Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Caderno G
  3. Artes Visuais
  4. Nova trama de Marcello Quintanilha explora o desespero

Quadrinhos

Nova trama de Marcello Quintanilha explora o desespero

Entrevista com o quadrinista brasileiro, que está de trabalho novo: Talco de Vidro

  • Angieli Maros
 |
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

Marcello Quintanilha, um dos quadrinistas de maior sucesso no Brasil, está de trabalho novo: Talco de Vidro, que teve lançamento oficial, pela editora Veneta, em Curitiba no último sábado (28).

Criando tensão entre o limite da razão humana e o desespero que atinge a sociedade, sem levar em conta posições sociais, a nova obra do carioca traz ao centro da trama a dentista Rosângela, imersa numa crise existencial que a afunda até a autodestruição.

Autor de obras como Tungstênio (2014), Sábado dos Meus Amores (2009) e Almas Públicas (2011) – que também se criam a partir de situações cotidianas – Quintanilha foi um dos nomes escolhidos para representar o Brasil no Salão do Livro de Paris, no mês passado. O fato consolida o artista de Niterói (RJ) como um dos maiores nomes da produção literária em quadrinhos brasileira.

Apesar de viver há quase 13 anos em Barcelona – para onde foi depois de assinar um contrato com a editora Le Lombart –, Quintanilha não se sente “nem dez centímetros longe do Brasil”, como contou durante uma entrevista por telefone a nossa reportagem. Na conversa, ele também falou um pouco mais obre sua nova obra, que se tornou a sexta graphic novel assinada por ele.

Conte-nos um pouco sobre Talco de Vidro pelo ponto de vista das amarguras que envolvem Rosângela, a personagem principal.

Essa história nasceu na da minha intenção de trabalhar a mentalidade. Mais do que trabalhar uma personalidade nesta obra, eu trabalho a mentalidade. Mostro que estas amarguras não dependem da condição social, mas uma faceta do ser humano pela qual ele é levado a buscar coisas para se sentir especial diante de outras pessoas e de outras situações. Este é o grande ponto da história.

Tanto no sentido narrativo como temático, parece haver muito em sua obra de escritores como Rubem Fonseca e Nélson Rodrigues. São suas principais influências?

Eles são muitos presentes sim. Rubem Braga é fundamental nos meus trabalhos. Aliás, muitos escritores me deram uma chave no sentido de lidar com o sentimento das pessoas. Tenho também muito de Mário Filho, o irmão de Nélson Rodrigues. Na minha opinião, ele tinha uma prosa inigualável, mais importante para mim até do que outros escritores. Mas, claro, meus trabalhos também têm muito a ver com Mario de Andrade. Ele foi muito importante para mim, assim como Machado de Assis e Clarice Lispector.

Você mora há mais de dez anos fora do Brasil, mas a realidade de nosso país algo muito forte em seus trabalhos. Com você segue sendo um delator tão bom do que acontece aqui?

Nunca me senti nem dez centímetros longe do Brasil. Não tenho outra forma de explicar isso. E à medida que os anos vão passando, isso vai ficando cada vez mais claro. Nada disso afetou minha maneira de produzir. Nada disso afetou minha maneira de ver o Brasil. Talvez pareça estranho, não pareça normal. Mas não tem outro jeito de explicar isso. Nem distanciamento na hora de escrever eu tenho. Quase toda a totalidade das coisas que escrevi eu vivi em primeira pessoa.

De onde veio o impulso para fazer algo maior em sua carreira, como entrar no universo das graphic novels?

Esse impulso veio e vem das próprias histórias dos personagens. São eles que assumem as rédeas nesse caso. Deixo que eles conduzam livremente o processo, sem pensar antes em como eu quero que a obra fique.

O que você mais curte no processo de produção de uma HQ?

Absolutamente tudo. A verdade é que não trabalho no sentido de me divertir apenas. Não sou um tipo de pessoas que faz porque sente prazer. Faço isso porque sempre fiz. Assim como dormir e comer.

Como você compara o mercado de HQ no Brasil?

O mercado de quadrinhos brasileiro está num processo de retomada, depois que foi interrompido por muitas vezes. Nos anos 90 era impossível publicar quadrinhos no Brasil e a partir dos anos 2000 esse mercado voltou a se aquecer. Vamos precisar ainda de um pouquinho mais de tempo para ter certeza de que de o mercado se consolidou. Quinze anos é muito pouco tempo em termos de mercado editorial. Mas, eu tenho muita cautela para falar sobre essa expansão. Vivi exatamente isso nos anos 80 e todo o processo foi interrompido por conta das contingências políticas e econômicas. O quadrinho sobre muito. Não sou especialmente otimista a respeito deste cenário.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O jornalismo da Gazeta depende do seu apoio.    

Por apenas R$ 0,99 no 1º mês você tem
  • Acesso ilimitado
  • Notificações das principais notícias
  • Newsletter com os fatos e análises
  • O melhor time de colunistas do Brasil
  • Vídeos, infográficos e podcasts.
Já é assinante? Clique aqui.
>