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1971 – O Auge da Repressão

Reinoldo Atem. Editora InVerso, 78 págs., R$ 30. Novela. Lançamento hoje, às 19 horas, na Livraria da Vila – Pátio Batel (Av. Batel, 1.868), (41) 3020-3500. Entrada franca.

Um trecho de um poema de Charles Bukowski chamado Para Jane, "nesse quarto/ as horas de amor ainda fazem sombras./quando você partiu/ você levou quase/ tudo." poderia muito bem ambientar esse apanhado de escuridões e angústias chamado 1971 – No Auge da Repressão, de Reinoldo Atem, que a Editora InVerso relança hoje, às 19 horas, na Livraria da Vila do Pátio Batel.

A obra trata a um plano metafórico de um período em que o Brasil vivia sob as rédeas da ditadura e intensa repressão política. Quando foi lançado em 1978, pela Editora Beija-Flor, já era considerado difícil de ser enquadrada, uma espécie de novela de prosa lírica, marcado pela temática da noite, do porão e repleta de seres fantasmagóricos, quase uma anti-história. Veja o que disse Paulo Leminski no prefácio:

"1971 é inclassificável. Nem romance, nem relato. Um fluxo bruto e brutal de cenas, climas, ambientes. Sem herói nem anti-herói, onde os diálogos atrop elam-se, sem a marcação acadêmica dos campos e contracampos da ficção convencional, com começo meio e fim."

De fato, Atem, radicado em Curitiba desde os quatro anos, não está interessado em esclarecer. Ele entrega um interstício entre O Processo, de Kafka – do sujeito lançado ao desconhecido e em condições de retração da liberdade –, e um monólogo interior, o que o faz até um pouco deslocado da produção contemporânea, mas relevante poeticamente: "Noite escura e redundante. Noite: quando as estrelas preferem homiziar-se atrás das nuvens. Noite de galhos quebrados e troncos caídos. Noite: quando os homens injetam-se de álcool para suportar a duração do escuro. Noite, porque simplesmente apagaram a luz de tudo."

Aquartelado

A obra marca um hiato de oito anos do poeta e publicitário, que não publicava desde a autoedição de Aquarelas Marinhas. "Meu livro não almeja ser classificado em alguma categoria, nem ser conectado à realidade atual. A editora acreditou no potencial que a obra tem de permanecer, mesmo sem se encaixar num tempo específico. Sei que é algo bem diferente mesmo", afirma Atem.

Entre a narrativa entrecortada e momentos constantes de violência e anulação do indivíduo – o velho embate do ser versus o sistema, o que quase vibra como desgastado – destacam-se, mesmo, os períodos em que o autor aposta na desconstrução do formalismo de cenário e parte diretamente para a poesia, como se ela fosse a única salvação diante de tudo o que nos assombra e nos limita: "Noite de pedras que se avolumam. Depois da esquina, os espantalhos aguardam as suas vítimas. Madrugadas de ferro, noite, velhume. Fim. Caminho."

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