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Rodrigo Santoro: dubla­dor bilíngue | Fabrizia Granatieri/Divulgação
Rodrigo Santoro: dubla­dor bilíngue| Foto: Fabrizia Granatieri/Divulgação

Astro

Santoro dubla personagem em inglês e português

O ator brasileiro Rodrigo Santoro disse estar "muito cansado" durante a entrevista de Rio 2, realizada na capital fluminense na última segunda-feira. No dia anterior, ele havia terminado de rodar, no Deserto de Atacama, The 33, longa-metragem da cineasta mexicana Patricia Riggen (de Garota em Progresso), sobre o grupo de mineiros que ficou preso sob a terra, no Chile, durante 69 dias. "Foi uma experiência incrível, inesquecível", disse Santoro sobre a produção, que também conta no elenco com o espanhol Antonio Banderas (de A Pele Que Habito) e Juliette Binoche (vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por O Paciente Inglês).

Único dublador a emprestar a voz tanto na versão norte-americana quanto na brasileira de Rio 2, Santoro participou de dois processos criativos distintos.

Nos Estados Unidos, quando gravou os diálogos em inglês, suas expressões faciais, enquanto falava ao microfone, foram captadas por uma câmera acoplada, e acabaram servindo de inspiração para os animadores criarem seu personagem, o ornitólogo Túlio. No Brasil, o ator ajudou na versão dos diálogos para o português.

Saldanha e Santoro ainda fizeram juntos o segmento "Theatro Municipal", integrante do inédito longa-metragem Rio, Eu Te Amo, do qual participam os cineastas brasileiros Vicente Amorim (de Corações Sujos), Fernando Meirelles (Cidade de Deus), José Padilha (Tropa de Elite) e Andrucha Waddington (Casa de Areia), além do italiano Paolo Sorrentino (de A Grande Beleza, Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano).

  • Blue e Jewel agora formam uma família de arari­nhas azuis

Dois meses e meio depois de a animação Rio estrear, em 2011, o diretor carioca Carlos Saldanha, um dos nomes mais expressivos desse gênero cinematográfico hoje em atividade no mundo, tomou a decisão de realizar uma sequência. O longa-metragem original fazia, à época, um grande sucesso internacional de bilheteria – sua renda mundial chegou a R$ 485 milhões –, o que costuma ser o sinalizador de que um título poderá se tornar uma franquia longeva. Assim como havia ocorrido com A Era do Gelo, que já conta com quatro episódios lançados e um em produção, os dois primeiros codirigidos e o terceiro inteiramente conduzido por Saldanha.

Rio 2 chega nesta sexta-feira, 27, aos cinemas brasileiros, duas semanas antes de entrar em cartaz nos Estados Unidos e três anos após a estreia do primeiro filme. Essa antecipação faz todo o sentido: a trama se passa no país natal do diretor, que, a exemplo do que ocorreu no primeiro longa, fez questão de trabalhar com um time de talentos nacionais, reunidos na última segunda-feira, no Rio de Janeiro, para uma entrevista coletiva.

Estavam no Parque Lage, espaço público da cidade do Rio de Janeiro, onde funciona uma importante escola de arte, Saldanha, os compositores Sérgio Mendes e Carlinhos Brown, responsáveis pela concepção da trilha sonora do filme (ao lado do inglês John Powell), e o ator Rodrigo Santoro, que dubla, tanto em inglês quanto em português, o ornitólogo brasileiro Túlio, um dos "pais humanos" das ararinhas azuis que protagonizam os filmes.

Nesta segunda parte, Blue (Jesse Eisenberg, na versão original) e Jewel (Anne Hathaway) já constituíram uma família, com três filhotes. Após a celebração de ano-novo em Copacabana – retratada na impressionante se­quência de abertura de Rio 2 –, o quinteto decide se aventurar pelos céus do Brasil rumo à Floresta Amazônica, depois de saber que Túlio e sua agora esposa Linda (Leslie Mann), pesquisadora norte-americana que criou Blue desde pequeno, descobriram indícios de que há uma população intacta de ararinhas azuis, espécie em vias de extinção, no coração da selva.

Lá, no meio da mata fechada, Jewel vai reencontrar seu habitat natural, ameaçado por exploradores ilegais de madeira, e seu pai, líder do bando de araras azuis da região. A família terá de enfrentar, além da ameaça do desmatamento e do tráfico de animais, a ira de um velho inimigo: Nigel (Jemaine Clement), a exuberante cacatua que, por conta de seu enfrentamento com Blue no primeiro longa, perdeu a habilidade de voar.

Para sobreviver, Nigel tira com o bico a sorte em um realejo, e tem como aliada a impagável Gabi (Kristin Chenoweth), uma perereca colorida e de pele translúcida, que se julga altamente venenosa, tem dotes operísticos e é irremediavelmente apaixonada pelo pássaro.

Inspiração

A mudança de cenário, do Rio de Janeiro para a Amazônia, representou um desafio e tanto para Saldanha e sua equipe. Da perspectiva visual, o diretor conta que, enquanto no primeiro longa o mais complicado foi recriar elementos naturais, como a areia e as montanhas da Cidade Maravilhosa, em Rio 2 as dificuldades se multiplicaram. "Recriamos árvores da região, o Rio Negro, os botos interagindo com a água. Passamos seis meses trabalhando em cima de uma única cena, na qual Túlio e Linda descem uma corredeira, no meio da floresta."

O diretor, contudo, fez questão de salientar que Rio 2 não é um documentário, que reflita uma realidade concreta, mas uma "utopia" sua. As ararinhas azuis continuam sendo uma espécie em extinção e a 20th Century Fox e o Blue Sky, estúdios que produziram o filme, não têm qualquer vínculo com campanhas ou projetos ambientais. "É uma história, mas é claro que quero trazer uma mensagem positiva para as crianças."

Embora haja no filme uma sequência de futebol entre bandos de araras, Saldanha também negou que o filme tenha qualquer conexão com a Copa do Mundo. "Sempre lançamos nossos filmes em abril."

Música

Ao levar a trama do sudeste para a o norte do Brasil, Saldanha também diversificou as referências no que diz respeito à trilha sonora. Para isso, solicitou a Sergio Mendes, mais uma vez produtor-executivo musical, e a Carlinhos Brown, autor de algumas canções do longa, que buscassem outras influências musicais.

Em vez do samba e do funk, presentes em Rio, a continuação traz influência dos ritmos nordestinos e do Norte. "Muitos acreditam que busquei inspiração em grandes musicais hollywoodianos, como os de Busby Berkeley [de Entre a Loira e a Morena, com Carmen Miranda] e da Broadway, mas minhas referências foram a cultura de raiz, o carimbó, o maracatu, a ciranda. Os pássaros mexem as asas como as cirandeiras usam as saias. Os espirais vêm da quadrilha", explica Mendes.

O cineasta contou que as letras das canções foram primeiro criadas em português. Depois de aprovadas, foram vertidas para o inglês. "Mas pedimos aos letristas que mantivessem, em inglês, a sonoridade brasileira", contou Mendes. "E muitas dessas versões são literais. Como traduzir, por exemplo, uma expressão como ‘banho de cachoeira’?", indagou Saldanha.

O jornalista viajou a convite da 20th Century Fox.

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