
"De brasileiros para brasileiros." A expressão é desgastada, mas "cai como uma luva" para o Canal Brasil, que completa dez anos no ar no próximo dia 18. O canal a cabo surge como a "janela-verde-e-amarela" para que filmes nacionais de todas as épocas, produções independentes e entrevistas ganhem espaço na televisão brasileira.
A história da emissora começou em 18 de setembro de 1998, com a exibição de Sonho sem Fim. O filme de Lauro Escorel Filho não por acaso relata a trajetória de Eduardo Abelim, pioneiro do cinema que lutava pela consolidação de uma produção essencialmente brasileira.
De lá para cá, o canal exibiu 1.266 longas brasileiros e latino-americanos, 207 médias e 985 curtas-metragens, além de resgates de programas que fizeram sucesso em outras épocas, como o Documento Especial, referência da televisão brasileira no final da década de 1980 e início dos anos 1990.
"Estamos realizando o sonho de Glauber Rocha, que era unir cinema e televisão. Ainda não sei se aconteceu, mas isso se tornou viável com o Canal Brasil", diz Paulo Mendonça, diretor geral do GCB (Grupo Consórcio Brasil) desde 2004. A emissora, administrada pelo grupo, é fruto de uma associação entre a Globosat e os cineastas Luiz Carlos Barreto, Zelito Vianna, Marco Altberg, Roberto Farias e Anibal Massaini Neto.
Há dez anos, foram vários os desafios para a implementação de algo genuinamente brasileiro. O principal deles era a falta de matéria-prima. "Em 1998, não tínhamos muita coisa disponível e vivíamos realmente uma crise de conteúdo. A partir de 2003, tivemos um avanço na questão orçamentária e conseguimos uma maior diversificação, o que possibilitou uma grade mais qualificada e o início do desenvolvimento dos nossos próprios programas", explica Mendonça.
A crise do Canal Brasil teve seu pior momento em 2002. O grupo vendeu a programação a uma emissora de Portugal, mas não recebeu o pagamento na data combinada. "Além da inadimplência dos portugueses, fomos vítimas de uma crise generalizada da tevê por assinatura. Pensamos até na possibilidade de encerramento", afirma o diretor.
Novidades
Se, no começo da década, a situação não era das melhores, nas vésperas de aniversário de dez anos, há o que comemorar. São 15 programas próprios e mais alguns a estrearem nos próximos meses, como o Tirando do Baú, série com 13 programas que estréia dia 27 de outubro e tem Jorge Furtado na direção.
"O programa é um olhar brasileiro sobre filmes emblemáticos produzidos aqui. Isso porque existe uma nova geração tentando ocupar o espaço cultural, mas às vezes ela não tem acesso ao seu próprio passado recente", explica Mendonça.
Na grade atual, está um time de grandes personalidades da cultura brasileira, como Lázaro Ramos, Jorge Mautner, Ferreira Gullar e José Mojica Marins, o Zé do Caixão.
Prêmio
Com toda a dívida sanada recentemente, o Canal Brasil parte para novas empreitadas, visando sempre, segundo o diretor do grupo, o fomento da produção artística brasileira.
O Prêmio Aquisição Canal Brasil concede, nos maiores festivais do país, o valor de R$ 10 mil ao filme vencedor e o exibe na programação. Outro incentivo é o Grande Prêmio Brasil de Curtas-Metragens. Desde 2006, a emissora premia o melhor curta dentre os dez filmes vencedores do Prêmio Aquisição Canal Brasil do ano anterior. Para este ano, o valor investido será de R$ 50 mil.
"Estamos fomentando o olhar da diversidade e temos total independência para desenvolver os programas. O brasileiro gosta de se ver. Somos nada mais do que uma janela verde-e-amarela", finaliza Mendonça.








