
"O amor é filho de ciganos, ele nunca, jamais conhece a lei. Se você não me ama, eu te amo, se eu te amo, tome cuidado!". Com esses versos e a melodia marcada e tão conhecida a personagem Carmen entoa sua "Habanera", canção que seduz os homens a sua volta e estabelece o mote de sua personagem.
A figura dessa cigana atraente é o centro da ópera de mesmo nome, uma das mais populares do mundo, de autoria de George Bizet. Hoje, no Teatro Guaíra, o cenógrafo e regente Walter Neiva apresenta a sua versão de Carmen.
"Essa ópera é o sonho de todo diretor", diz Neiva. Paulistano, ele dirigiu sua primeira ópera em 1989, exatamente no Guaíra, com uma montagem de Cosi Fan Tutte, de Mozart. No seu currículo, estão espetáculos como La Bohème, de Puccini, La Traviata, de Verdi, A Flauta Mágica, de Mozart, O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, entre outros.
"Carmen representa a liberdade, ela é um mito como o são o Fausto de Goethe ou o Hamlet de Shakespeare", explica Neiva. A história da cigana foi um choque para a sociedade parisiense do século 19: mulheres fumando, sem moral ou remorso, paixões tórridas, traições e assassinatos não eram temas que costumavam figurar nos enredos apresentados na Opéra-Comique da cidade.
Montada pela primeira vez em Paris em 3 de março de 1875, a ópera de Bizet conta a história de amor entre Carmen e o soldado Don José em Sevilha, na Espanha do século 19. Baseada em um romance de Prosper Merimée e com libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy, a ópera foi um fracasso de bilheteria na estreia, por seu conteúdo chocante. Três meses depois, isolado nas montanhas, Bizet morreria sem saber do sucesso que a obra teria mais tarde.
Em tons de vermelho, Carmen traz à cena soldados, trabalhadoras de uma fábrica de fumo, um nebuloso cabaré, além do espetáculo das touradas. Bizet jamais esteve na Espanha, mas pesquisou nuances da música espanhola e inseriu-os nas árias de sua ópera. As canções "Habanera" e "Toreador" são tão célebres que é possível conhecê-las sem saber que foram compostas para uma ópera.
A montagem do Guaíra é produzida inteiramente pela equipe do teatro. "Acho essencial que se tenha optado pela prata da casa", afirma Neiva. O figurino é de Aldice Lopes, o cenário de Cleverson Cavalheiro e Ruy Almeida e a iluminação de Waldo de Leon. Ao todo, serão 110 pessoas no palco, totalizando 250 envolvidas na produção. A condução musical do espetáculo é da Orquestra Sinfônica do Paraná, sob regência do maestro Alessandro Sangiorgi, de quem partiu a ideia da nova montagem.
Também fazem parte da apresentação o Coro Infantil Curumim (com regência de Joyce Todeschini), a Companhia de Dança Guaíra 2, e um coro adulto, escolhido em audição pública (regido por Sérgio Deslandes).
A intérprete de Carmen é a mezzo-soprano Luciana Bueno, natural de Maringá. Após uma série de apresentações em óperas nacionais e mundiais, ela se apresenta pela primeira vez no Paraná (leia mais nesta página). O par amoroso de Carmen será o tenor Marcello Puente (que divide as apresentações com Angelo Ferrari). A noiva de Don José, Micaela, de quem ele se afasta para viver sua história com Carmen é interpretada por Claudia Azevedo e Patrícia Melo.
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Serviço
Ópera Carmen. Teatro Guaíra (R. Conselheiro Laurindo, s/nº). Dias 13, 14 e 15 de agosto, às 20h30, e dia 16 de agosto, às 18 horas. Ingressos: R$ 30 (na compra antecipada) e R$ 40 (na hora). Venda na bilheteria do Teatro e nas Livrarias Curitiba (dos shoppings Estação e Mueller).







