
O fluxo intenso de informações dos nossos dias tem sido frequentemente discutido tanto no meio acadêmico quanto na mesa de bar. Todos, afinal, querem apenas parar por um minuto.
A dinâmica do silêncio e de sua ausência no contexto urbano é o tema do ciclo de conferências Mutações, projeto idealizado pelo Sesc que, em Curitiba, acontecerá entre os dias 7 e 10 de abril no Sesc Paço da Liberdade.
Os debates partem do pressuposto de que o indivíduo contemporâneo tem seus processos criativos constantemente boicotados por uma quantidade exagerada de informações que não são fundamentais para aquele processo como também o prejudicam. Sem um tempo adequado para simplesmente "parar e pensar" por si só, sem interferências de estímulos externos, a mente não consegue repousar e desenvolver ideias mais complexas.
Para discutir o tema, o curador do ciclo, Adauto Novaes, traz Eugênio Bucci, Pedro Duarte, Olgária Matos e Marcelo Jasmin. Em cada conferência, o tema "o silêncio e a prosa do mundo" será apresentado a partir das perspectivas e da área de conhecimento de cada convidado.
Mídia-rumor
A primeira conferência será ministrada pelo jornalista Eugênio Bucci e abordará o rumor da mídia. A ideia de pensar o rumor surgiu a partir de um zumbido hiperagudo que acometeu seus canais auriculares mais o esquerdo que o direito há 15 anos. Conviver com esse barulhinho constante instigou-lhe a reflexão: o silêncio é uma possibilidade em meio ao rumor da mídia?
Bucci parte de Barthes e seu trabalho sobre o rumor da língua para questionar se não há também um rumor da mídia. Barthes gostava muito de automóveis e, nesse contexto, rumor é o sinal sonoro que indicava que o motor funcionava bem. A profusão de imagens, sons e discursos que compõem o espaço urbano produzem um rumor que indica que a mídia é uma máquina que funciona bem, ainda que o sentido das mensagens não seja plenamente apreendido pelo receptor. "É certo que a mídia funciona bem, independente do juízo ético que possa se ter dela. Mas o silêncio é possível diante disso tudo?", pergunta.
De acordo com Bucci, as conferências do ciclo têm um caráter ensaístico e não devem gerar expectativas de uma orientação prática ou conclusão didática. "É um exercício de divagação. Uma tentativa de investigar questões pouco pensadas", explica.







