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Cinema

Cinebiografia à base de polêmica

O 42.º Festival de Brasília começou com a estreia de Lula, o Filho do Brasil. O diretor Fábio Barreto respondeu às críticas de “eleitoreiro”, dizendo se tratar de um “melodrama”

O filme Lula, o Filho do Brasil retrata a infância miserável do atual presidente da República |
O filme Lula, o Filho do Brasil retrata a infância miserável do atual presidente da República (Foto: )
O novato Rui Ricardo Diaz vive Lula na fase adulta, que se estende à militância sindical, mas não à criação do PT |

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O novato Rui Ricardo Diaz vive Lula na fase adulta, que se estende à militância sindical, mas não à criação do PT

Glória Pires (com o bebê no colo) vive dona Lindú, uma mulher simples, guiada pelo instinto materno |

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Glória Pires (com o bebê no colo) vive dona Lindú, uma mulher simples, guiada pelo instinto materno

Brasília - Se ainda restava alguma dúvida, a primeira exibição do filme Lula, o Filho do Brasil (assista ao trailer e veja as fotos), realizada anteontem à noite na abertura do 42.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, confirmou as duas reações que deverão acompanhar o longa-metragem de Fábio Barreto (de O Quatrilho) aonde quer que vá. A primeira é uma imensa curiosidade a respeito do personagem central, que provavelmente levará um grande público às salas de cinema. A outra reação natural ao projeto de contar a biografia de um presidente da República vindo da classe trabalhadora, às vésperas da corrida presidencial de 2010, é a polêmica. Muito antes que se visse de fato o filme, as acusações de "eleitoreiro" já se alastravam.

Os brasilienses e convidados superlotaram o Teatro Nacional Clau­­dio Santoro, deixando uma multidão fora do auditório e mais um bocado de gente nos corredores e escadas. A ponto de o diretor clamar ao microfone que os espectadores excedentes se retirassem, em nome da segurança. Ouviu vaias.

Circuito popular

Lula, o Filho do Brasil (leia resenha ao lado) tem tudo para ser um fenômeno nos cinemas nacionais. Pronto a bater recordes. A produção espera que se torne o filme com maior número de salas de exibição (mais de 500, inclusive as consideradas de "segunda linha", mais populares) desde a retomada, superando Se Eu Fosse Você 2, que também tem Glória Pires num papel de destaque.

Entre os convidados presentes na pré-estreia, a mais ilustre era a primeira-dama Marisa Letícia, que "aprovou" o filme, segundo contou Fábio Barreto na coletiva realizada ontem pela manhã, e convidou a equipe para um drink "informal" com o presidente, após a cerimônia de abertura do festival. O público presente, a julgar pelo grau de concentração durante a projeção, além das risadas nas cenas certas e das palmas finais, também deu seu aval, ainda que sem maiores de­­monstrações de entusiasmo.

Já a crítica, ao mesmo tempo em que elogiou o trabalho dos atores, especialmente a atuação do pouco conhecido protagonista Rui Ricardo Diaz, cobrou de Fábio Barreto maiores explicações sobre as escolhas feitas, insistindo no caráter político do filme – que o diretor define antes como um "melodrama" e diz só ter adiado o lançamento para janeiro próximo por conta de um atraso na captação dos recursos – o orçamento do longa é de R$ 12 milhões, o maior na história do cinema nacional.

"Qualquer forma de expressão artística vem acompanhada de um caráter político", argumentou Bar­­reto. "A questão de querer reforçar que a nossa opção não é por um filme político, e sim um melodrama, é por ser a história de um ser humano, suas dúvidas, inseguranças, perdas. O primeiro plano desse filme é a história de um filho e uma mãe, que escolheu protegê-lo e formou sua personalidade. Temos um segundo plano, que é a família Sil­­va, como milhares de outras que migraram do Nordeste em busca de uma vida melhor. Isso se sobrepõe ao caráter político, é um filme humanista."

Fábio e sua equipe também tiveram de justificar a ausência no roteiro de Lurian, a filha tardiamente reconhecida por Lula, e da mãe dela, Miriam Cordeiro, caso que veio à tona como um escândalo na campanha presidencial de 1989, em que o petista enfrentou Fernando Collor de Mello. A explicação dada foi de que as duas negaram a autorização para serem re­­tratadas no filme.

Ainda durante a coletiva, o diretor foi alvo de críticos que desqualificaram completamente seus três filmes anteriores, mas classificaram o atual como "digno". Sem contrariá-los, mas assumindo a mágoa pelo julgamento negativo, Fábio afirmou ter pensado: "Vou fazer um baita filme porque está na hora". Ele avalia que conseguiu "humanizar" seu personagem, e rebateu a acusação de ter pintado um herói infalível: "É uma pessoa, que tem forças e fraquezas. Não procurei passar uma pessoa perfeita, não era minha preocupação se ele acerta mais do que erra."

* A repórter viajou a convite do festival.

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