Amy Adams interpreta a linguista que tenta decifrar a mensagem dos extraterrestres em “A Chegada”. | Divulgação/
Amy Adams interpreta a linguista que tenta decifrar a mensagem dos extraterrestres em “A Chegada”.| Foto: Divulgação/

Em uma sinopse rasteira, “A Chegada” seria definido como um filme de ficção científica sobre alienígenas. Mais um, você pode pensar. Após assisti-lo, porém, percebemos que isso talvez seja o que há de menos importante em toda a história. Como disse a crítica Alissa Wilkinson, do site Vox, “ficção científica nunca é realmente sobre o futuro; é sempre sobre nós”. E o filme do canadense Dennis Villeneuve aborda muita coisa relacionada ao cotidiano: comunicação, empatia, diferenças culturais... há até quem já tenha enxergado conteúdo religioso na trama.

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“A Chegada” é a adaptação para o cinema de um conto de Ted Chiang, considerado um dos principais nomes da literatura de ficção científica contemporânea, mas lançado no Brasil somente agora, com o sucesso do filme nos Estados Unidos. O conto faz parte da obra “História da sua vida e outros contos”, de 2002.

A história tem como protagonista Louise Banks (Amy Adams), uma linguista das mais conceituadas. Ela está em sala de aula quando surge a notícia de que um conjunto de organismos alienígenas pousou em 12 locais diferentes do planeta. Logo, seus serviços são solicitados pelo governo americano, para tentar decifrar o significado dos ruídos emitidos pelos extraterrestres.

Louise diz não ter como avaliar o que os alienígenas estão tentando expressar apenas pelo áudio. Ela precisa ficar face a face com as criaturas. A linguista e o físico Ian Donelly (Jeremy Renner) são designados então para uma série de encontros dentro da espaçonave, onde descobrem uma forma de se comunicar com os chamados heptapods: decifrando a linguagem visual usada pelas criaturas, que funciona como uma espécie de língua escrita.

Um linguista tem como desafio lidar com pessoas. A necessidade de entendimento rápido, a falsa equivalência, tudo acontece imediatamente e é a nossa ruína.

Eric Heisserer roteirista de “A Chegada”

Imagine-se tentando aprender chinês sem qualquer referência do significado daqueles símbolos. Com a diferença de que o que está em questão no diálogo é a possibilidade de uma guerra mundial. Esse é o desafio de Louise e Ian, em meio a um emaranhado de interesses, diretrizes governamentais e teorias da conspiração. Enquanto a equipe se esforça para descobrir o que os visitantes querem da Terra, entre o restante da população, que sabe menos ainda, o pânico só aumenta.

Uma das questões sobre as quais Villeneuve e o roteirista Eric Heisserer se debruçam é como a dificuldade de comunicação e entendimento pode levar a inúmeras possibilidades. Como nossa capacidade de interpretação vai muito além de símbolos e convenções. Em dado momento, “A Chegada” acaba por inverter a ideia propagada ao longo da história pelo cinema e a literatura, em que naves espaciais tentavam dizimar a humanidade. Hoje, são os extraterrestres que devem temer os humanos.

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