Com o objetivo de criar uma cena cultural mais forte por meio de incentivos à pesquisa e desenvolvimento de atividades no gênero, o Itaú Cultural lançou nesta terça-feira (3) quatro novos editais relacionados à arte contemporânea. Norteados pelos temas Arte Cibernética, Cinema e Vídeo, Dança e Jornalismo Cultural, o programa incentiva a difusão de trabalhos, além de realizar um mapeamento sobre os perfis de artistas e educadores da área. Em 2009, a tendência é aprimorar o estudo da Internet e novas mídias, questão que tem participação importante em cada um dos editais.
Os projetos foram apresentados em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (2), em São Paulo, na qual Eduardo Saron, superintendente de atividades culturais; Claudiney Ferreira, gerente do núcleo de diálogos; Marcos Cuzziol, gerente do núcleo Itaulab; Sônia Sobral, gerente do núcleo de artes cênicas; e Roberto Cruz, gerente do núcleo de audiovisual, apresentaram os novos editais e suas particularidades no ano de 2009.
Mesmo com a crise econômica mundial, o orçamento para este ano não caiu em relação ao anterior. Em 2008, o projeto foi orçado em R$ 37,5 milhões valor que passou para R$ 40 milhões neste ano. Parte do incentivo é disponibilizada pelo Itaú, sendo que há também apoio por meio da Lei Rouanet.
Este investimento irá diretamente ao processo de criação e estudo, seja para artistas emergentes, estudantes ou professores. "O edital se volta para atender o campo da experimentação, o qual é difícil manter sem apoio financeiro", descreveu Sônia. "Não teria sentido investir no artista consagrado, que já tem espaço. Investimos no pesquisador emergente, na construção de uma rede nacional", completou Saron.
A Internet ganhou papel importante nos editais em 2009, questão levantada a partir das pesquisas realizadas em anos anteriores. "90% das pessoas que participam do Itaú Cultural o conhecem e acessam pela Internet", disse o superintendente Saron. Será criado um blog do próprio projeto, que irá discutir as ações feitas durante o ano, além de atividades específicas, como a produção de um documentário para a web uma das ações do edital Cinema e Vídeo. Além disso, o edital Dança incentivará os artistas selecionados a expor o seu processo de criação por meio de um blog, que facilita o acesso por parte dos interessados. "O interesse é a construção do processo. Os blogs alimentam o artista e quem deseja acompanhar", explicou Sônia.
O projeto Rumos é nacional, porém, este é o primeiro ano em que haverá ao menos uma atividade, antes da finalização do período de inscrições, em cada uma das 27 capitais brasileiras. "Reconhecemos estes vários Brasis e procuramos equilibrar estes eixos, porém não equalizamos criando nichos. Não queremos artificializar o processo de escolha", explicou Saron, já que o projeto não exige um número mínimo de selecionados em uma determinada região. "São Paulo entra com mais projetos, mas temos que levar em consideração que a cidade tem 10 milhões de habitantes", concluiu Sônia.
Com base nesta contabilização e, especialmente, nos mapeamentos, o projeto consegue manter a si mesmo. "O Rumo se retroalimenta", definiu Saron, que explicou o projeto permite que seja "possível levantar dados para entender e organizar informações sobre cultura brasileira". Com base nestes dados é que são definidos os programas e ações. A participação de cada estado depende do número de inscrições feitas, que garantem uma maior participação de cada região.
Nos últimos 12 anos, o Rumos já contou com 18 mil projetos inscritos. Os editais lançados nesta terça-feira começam este ano e terminam 2011. O projeto Rumos Itaú Cultural, em andamento há 12 anos, conta ainda com outros cinco ações em andamento, relacionadas aos ramos de Artes Visuais, Educação, Literatura, Música e Prática Acadêmica.
Cinema e Vídeo
Neste ano, o edital Cinema e Vídeo propõe uma mudança de rota em relação ao primeiro, realizado em 1998. Nesta época, "o Rumos foi lançado próximo à retomada do cinema nacional, e estava em um contexto favorável para a produção", explicou Cruz. No entanto, os documentários ainda não tinham o seu espaço. "A opção foi feita para incentivar o fomento de documentários quando não haviam outros projetos", completou.
Desde então, foram produzidos cerca de 35 filmes e 9 roteiros até o último edital, lançado em 2006. "Hoje, o mercado de cinema é significativo, e o documentário está inserido nesta realidade", disse Cruz, que contou ainda que três entre os dez filmes mais vistos em 2003 no Brasil são documentários. "Uma ação institucional deixou de ser fundamental", completou.
Agora, a opção é o aprofundamento na hibridização das linguagens do audiovisual e na convergência das mídias, nas quais televisão, cinema, teatro, entre outras artes, se fundem. Os projetos selecionados têm de se voltar para a produção com linguagem expandida e experimental de qualquer gênero.
A primeira carteira diz respeito a Filmes e Vídeos Experimentais, na qual serão contempladas obras de até 15 minutos, com orçamento de até R$ 30 mil; até 26 minutos, com orçamento de até R$ 50 mil; e até 54 minutos, com orçamento de até R$ 80 mil.
A segunda opção é sobre Eventos Multimídia, que abrange performances audiovisuais, cineinstalações, videoinstalações, espetáculos cênicos, entre outros. Serão aprovados orçamentos de até R$ 80 mil.
A última carteira é relacionada a Documentário para Web, que devem ser obras de até 8 minutos produzidas especificamente para esta mídia. "A ação estimula o realizador a pensar este formato de exibição", explicou Cruz. Cada projeto receberá apoio de até R$ 25 mil.
Dança
Este é o quarto edital lançado pelo Itaú Cultural no ramo da dança. Serão 20 projetos selecionados na carteira Desenvolvimento de Pesquisa Coreográfica em Dança Contemporânea, que devem ser criados com caráter investigativo e de experimentação. Cada um destes artistas deverá criar um blog para expor seu processo de criação. "O processo deve ser diário", explicou Sônia.
Estes projetos, após 7 meses de subsídio, não irão gerar apenas uma mostra de espetáculos. Eles devem ser demonstrados ao público desde o processo de pesquisa e criação, a fim de explicitar os procedimentos. Destes projetos, quatro serão escolhidos para receber apoio à montagem do espetáculo.
A outra carteira diz respeito ao Apoio à Pesquisa e Produção de videodança, com o objetivo de incentivar obras que não são apenas um registro ou adaptação, mas sim o vídeo "como instrumento de pesquisa".
Serão selecionados 10 projetos que irão a São Paulo para a realização de uma oficina. Em seguida, cinco vão receber subsídios para a realização do vídeo no valor de até R$ 20 mil.
Jornalismo Cultural
Com o objetivo de melhorar a compreensão e os papéis da mídia, da academia e das instituições culturais, o edital chega a sua terceira edição em 2009. Neste ano, o foco está na participação de estudantes e professores, para "provocar um olhar mais qualificado na formação do jornalismo cultural", explicou Saron. A mudança é que, desta vez, professores de pós-graduação também podem participar do projeto.
Na categoria de estudantes, há a implementação da categoria Web, que acompanha as tendências do jornalismo digital. Os participantes devem criar um blog de cultura que serão avaliados pela comissão de seleção. Pode ir a busca de uma vaga estudantes do terceiro ao quinto período de comunicação social, com projetos nas categorias Reportagem para Mídia Impressa, Reportagem para Mídia Sonora, Reportagem para Mídia Audiovisual e Web-reportagem. Os selecionados vão receber bolsa mensal de R$ 700 para a participação em um laboratório On-Line de Jornalismo Cultural.
Os professores devem concorrer à vaga com um texto individual ainda não publicado, seja uma reflexão, um projeto ou um case. Serão contemplados oito trabalhos.
Arte Cibernética
Esta é a quarta edição do edital relacionado à Arte Cibernética. O campo estuda não apenas a inserção da tecnologia na arte, mas também o diálogo entre sistemas diferenciados. "O termo arte cibernética define a arte que usa interação cibernética, e não só faz o uso da tecnologia", explicou Cuzziol sobre o ramo que exige um diálogo constante entre o observador e a obra. É com base neste norte que serão selecionados projetos em duas carteiras diferenciadas: Apoio à Produção de Obra em Arte e Tecnologia e Apoio à Pesquisa Acadêmica.
Serão contemplados oito projetos no programa Apoio à Produção de Obra, sendo cinco no valor de R$ 25 mil e outros três no valor de R$ 50 mil. Já no ramo acadêmico, serão cinco projetos selecionados, sejam dissertações ou teses acadêmicas, que garantem um apoio no valor de R$ 12,5 mil.







