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Marília e Guilherme de Camargo (à esq.) e os argentinos Dolores Costoyas e Juan Manuel Quintana revivem a música do século 17 | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Marília e Guilherme de Camargo (à esq.) e os argentinos Dolores Costoyas e Juan Manuel Quintana revivem a música do século 17| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Repertório

Saiba quais canções integram o recital em ordem cronológica:

• 1551-1618 – "Amarili Mia Bella" e "Al Fonte al Prato", de Giulio Caccini

• 1567-1643 – "Si Dolce È il Tormento" e "Ohimè Ch´Io Cado", de Claudio Monteverdi

• 1583-1643 – "Arie Musicale per Cantarsi", de Girolamo Frescobaldi

• 1595-1665 – "Menti Lingua Bugiarda" e "Folle È Ben Che Si Crede", "Chi Voi Ch´Io m´Innamori", de Tarquinio Merula

• 1545-1607 – Trecho de "Madrigali per Cantare e Sonare a Uno, Doi e Tre Soprani", de Luzzasco Luzzaschi

• 1600-1679 – "Usurpator Tiranno" e "Ciaccona – Accenti Queruli", de Giovano Felice Sances

Programe-se

Si Dolce È il Tormento

Capela Santa Maria – Espaço Cultural (R. Cons. Laurindo, 273), (41) 3321-2840. Com Marília Vargas, Guilherme de Camargo, Dolores Costoyas e Juan Manuel Quintana. Hoje e amanhã, às 20 horas. R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada).

A Capela Santa Maria sedia entre hoje e amanhã uma revolução. Mais precisamente o registro da primeira grande transformação ocorrida na história da música, que foi o início da valorização do texto cantado, num momento em que era levada em conta apenas a melodia, ou as várias vozes melódicas de uma composição. Em duas apresentações, a soprano curitibana Marília Vargas apresenta um recorte do repertório da "nova música", como é chamada a produção do século 17 europeu, no concerto Si Dolce È il Tormento (veja o serviço completo no Guia Gazeta do Povo).

A mudança histórica é relatada no livro de canções de Giulio Caccini (1551-1618), Le Nuove Musiche, datado de 1602, em que o músico exalta as reuniões da Camerata Fiorentina, um grupo de poetas, músicos e cientistas que planejou e conduziu o novo ideário. A música resultante era escrita para uma única voz, acompanhada por um baixo e uma harmonia simples. O "recitador" ficava livre para "colorir" o canto a partir de sua interpretação das palavras que compõem a canção.

"[Claudio] Monteverdi talvez seja o compositor que mais cantei em minha carreira", revela a soprano, explicando uma das escolhas do repertório. Do italiano, serão executadas "Si Dolce È il Tormento" e "Ohimè Ch´Io Cado". "Ele é extremamente rico e simples. Você tem a liberdade de fazer o ritmo", contou Marília à Gazeta do Povo.

Segundo ela, as canções selecionadas podem ser consideradas "hits" do século 17, como "Amarili Mia Bella" e "Al Fonte al Prato", de Giulio Caccini (1551-1618). De Girolamo Frescobaldi (1583-1643) foram escolhidas as "canções rítmicas e agradáveis", na definição de Marília, de "Arie Musicale per Cantarsi" (a necessidade de indicar que as árias eram feitas para serem cantadas diz muito sobre o espírito de transformação da época).

Haverá ainda a apresentação de "Menti Lingua Bugiarda" e "Folle È Ben Che si Crede" e "Chi Voi Ch´Io m´Innamori", de Tarquínio Merula (1595-1665) – "algumas das mais bonitas que já cantei", confessa Marília. Ainda estarão lá parte do livro "Madrigali per Cantare e Sonare a Uno, Due e Tre Soprani", de Luzzasco Luzzaschi (1545-1607); e "Usurpator Tiranno" e "Ciaccona – Accenti Queruli", de Giovano Felice Sances (1600-1679).

Quem acompanha a cantora lírica são o brasileiro especializado em cordas dedilhadas Guilherme de Camargo (teorba) e os argentinos radicados na Europa Dolores Costoyas (guitarra barroca) e Juan Manuel Quintana (viola da gamba).

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