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Cores e Brasis de Glauco Rodrigues

Caixa Cultural inaugura exposição com trabalho gráfico do artista gaúcho, que completaria cinco décadas de carreira

  • Isadora Rupp
O São Sebastião sem cabeça simbolizou a insatisfação com a ditadura militar |
O São Sebastião sem cabeça simbolizou a insatisfação com a ditadura militar
 
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Cores e Brasis de Glauco Rodrigues

O pintor e artista gaúcho Glauco Rodrigues (1929-2004), famoso por passar longos períodos sem sair do ateliê, no Rio de Janeiro, costumava dizer que se dedicava ao trabalho somente de segunda a sexta-feira. Nos fins de semana, afirmava ele, a dedicação era ao lazer: pintar ou desenhar. Obstinado pela atividade artística, Rodrigues ficou muito conhecido pelos trabalhos gráficos: foi ele quem deu cara à revista brasileira Senhor, publicada no fim da década de 1950 e início da década de 1960, além de fazer capas de disco para Neguinho da Beija Flor, Jorge Mautner, entre outros artistas. Sua obra ganha uma retrospectiva na Caixa Cultural, celebrando os 50 anos de sua primeira exposição, com a mostra O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues (confira o serviço completo da exposição), que abre hoje às 19h30 para convidados e na quarta-feira para o público.

A mostra engloba mais de cem trabalhos originais entre litografias, serigrafias, linoleogravuras e suas famosas ilustrações para discos, livros e revistas. Rodrigues foi o criador da capa do livro Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, e do cartaz do filme Garota de Ipanema, de Leon Hirzman.

Todo o material pertence ao acervo do artista, atualmente sob os cuidados de sua viúva, Norma Estellita Pessôa – a “segunda Norma da vida dele”, ela faz questão de explicar. Rodrigues fora casado com outra Norma, que morreu em 1983. A “Norma 2” ele conheceu no Rio de Janeiro, um ano depois. “O Glauco gostava muito do Rio, mas, mesmo no fim de semana eu tinha de puxá-lo pra fazer um passeio, se não ele ficava o dia todo trabalhando”, recorda.

A exposição não segue ordem cronológica, mas o curador Antônio Cava fez questão de dividir as temáticas usando cores da bandeira do Brasil, além do marrom, que representa o início da sua carreira em Porto Alegre. Rodrigues usou alguns clichês brasileiros tanto para criticar quanto para mostrar o amor ao país.

Seu personagem recorrente era São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro e de Bagé (RS), sua cidade natal. Em plena ditadura militar, por exemplo, usava de metáforas para criticar e retratou um santo sem cabeça. Também incluiu nesta litografia uma faixa em preto, cor que pouco usava em seus trabalhos, que costumavam trazer tons bastante vivos e que lembra a pop art de Andy Warhol.

“Ele teve contato com esses artistas [da pop art] no período em que passou na Itália, de 1961 a 1965. Gostou da crítica colocada naqueles trabalhos e pensou que deveria fazer o mesmo no Brasil. Aprecio a linguagem pop do Glauco, mas ele não é só isso. É um artista muito completo, fica difícil enquadrá-lo em uma só definição”, ressalta Cava.

Ironia

Outro fator curioso nas obras gráficas de Glauco Rodrigues é a maneira como ele mesclava tempos históricos. Na sua série de retratos sobre o Rio de Janeiro, colocava figuras da República Velha junto com integrantes de escolas de samba, sempre com um quê político, mesmo que sutil. “Adoro esse lado do Glauco, que, independentemente da temática, nunca teve medo de ousar nas cores”, diz o curador.

Depois de Curitiba, a mostra segue para Porto Alegre e Bagé, cidade que completa 200 anos em 2011.

Serviço:

O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues (confira o serviço completo da exposição). Caixa Cultural (R. Cons. Laurindo, 280 – Centro), (41) 2118-5114. Abertura hoje, às 19h30, para convidados e na quarta-feira para o público. 3ª a sáb, das 10h às 21h. Dom., das 10h às 19h. Entrada franca. Até 16 de outubro.

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